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Escolinhas esportivas de São José garantem cidadania para mais mais de 6 mil jovens

Projeto mantido pelo município transforma vidas e constrói futuros campeões em mais de vinte modalidades

Brunela Maria
São José
11/08/2017 às 23H43

As medalhas conquistadas no atletismo nacional e internacional não mudaram em nada o jeito simples de ser do jovem Fábio Oliveira, 19 anos. Para os professores e colegas da escola Bom Viver, ele ainda é o mesmo menino do bairro Serraria, em São José, que se destacava nos estudos e chamava atenção pela persistência. Uma prova viva de que vale a pena investir no esporte de base, a partir das escolinhas esportivas, que podem ser consideradas um verdadeiro celeiro de talentos e uma porta para um futuro longe da violência e principalmente das drogas.

Fábio Oliveira já conquistou medalhas e títulos nacionais e internacionais - Flávio Tin/ND
Fábio Oliveira já conquistou medalhas e títulos nacionais e internacionais - Flávio Tin/ND


“Teve uma corrida no colégio e fiz a inscrição, ganhei no 5º lugar. Fiquei muito feliz porque jamais tinha feito aquilo, nem tinha fôlego suficiente, mas já valia muito. Lembro de chegar quase desmaiando e foi naquele instante que decidi o que eu queria”, revela o atleta dos 400 metros com barreiras.

Há seis anos no projeto desenvolvido pelo município em parceria com a UCA (União Catarinense de Atletismo), Oliveira chamou atenção desde as primeiras aulas. “Ele é diferenciado. Na comunidade onde morava a violência é grande. Então a perspectiva de vida é outra, mas levar o esporte até essas pessoas promove uma grande mudança. Conseguimos uma bolsa atleta, ele recebe ajuda de custo para treinar e começou a fazer curso superior em Educação Física através do atletismo”, diz com orgulho o treinador, Anderson Sebastião Alves, 40, que acompanha o jovem desde o primeiro treino.

O projeto esportivo de São José oferece aulas gratuitas em 21 modalidades, desde as tradicionais, como basquete, o vôlei, o futebol e o atletismo, até o futebol americano e o hokey in line.

São atendidos moradores do município com idade de seis até os 40 anos, em modalidades máster. As inscrições ficam abertas durante o ano, mas a matrícula depende da disponibilidade de vagas. De acordo com a superintendente da FMEL (Fundação de Esportes), Juliana Graciosa Pereira, as únicas modalidades com fila de espera são voleibol feminino e masculino e a Ginástica Rítmica.

“Temos hoje mais de 6 mil vagas e a satisfação de ter descoberto muitos medalhistas. Há coisas para melhorar, mas o resultado é animador”, comenta. Um dos investimentos mais esperados por atletas e professores é a construção de uma pista oficial de atletismo, que não pode ser construída no local dos treinos atuais por falta de espaço.

Rotina diária de superação de limites

”Correr preenche a alma, satisfaz o coração, equilibra o emocional e transborda o corpo de alegria”, diz a atleta Larissa Geovana Souza Vieira, 20, que também começou nas escolinhas, aos 12 anos.
Segundo ela, foi das brincadeiras que veio o interesse pelo atletismo, logo depois incentivado pela mãe. “ Ela falava do meu talento e buscou informações desse projeto. Em 2005 conheceu o treinador e conseguiu me matricular. Comecei fazendo a corrida de rua”, lembra.

Geovana chegou a abandonar o projeto, mas retornou para ser profissional - Flávio Tin/ND
Geovana chegou a abandonar o projeto, mas retornou para ser profissional - Flávio Tin/ND


A atleta passou por dificuldades financeiras e chegou deixar o grupo. Só conseguiu voltar cinco anos depois e logo se destacou. Em pouco tempo já disputava competições nacionais. “Conheci São Paulo e muitos outros estados e até países que jamais imaginaria. A primeira competição internacional foi Colômbia”, relembra.

No dia a dia, Larissa e Oliveira lutam para superar seus próprios e limites e acabam inspirando os pequenos, que ainda estão começando nas escolinhas. “Estamos treinando bastante e nos preparando para competir. O trabalho feito aqui ajuda a toda equipe, inclusive na questão psicológica dos atletas”, comenta.

O grupo de atletas também se tornou uma verdadeira família, onde todos se ajudam. “Tem o lado da disputa também, mas isso não atrapalha, porque no fim estamos todos correndo atrás dos mesmos objetivos”, acrescenta.

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