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Terça-Feira, 18 de Setembro de 2018
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Entidades criticam decisão da prefeitura de criar estacionamento no aterro da baía Sul

Medida anunciada como provisória possibilitará abrigar 850 carros, com arrecadação anual de R$ 3,6 milhões. Representantes de entidades temem que solução seja permanente e dizem que cidade está carente de áreas de convivência

Felipe Alves
Florianópolis

A decisão da prefeitura de Florianópolis de criar um estacionamento para 850 carros no aterro da baía Sul é vista com ressalvas por entidades da cidade. Mesmo que a medida seja dita como provisória pelo Executivo e, a longo prazo, a proposta seja a revitalização total da área, as críticas recaem sobre a priorização dos carros em um local inicialmente planejado para estimular o convívio e a ocupação urbana. A previsão é de que o estacionamento renda R$ 3,6 milhões anuais para a prefeitura.

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Eduardo Valente/ND
Área repassada pela União ao município receberá um estacionamento provisório


O vice-presidente do CAU/SC (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), Giovanni Bonetti, teme que o provisório se torne permanente. Para ele, hoje a área é um espaço urbano com grande potencial, mas completamente desqualificada. “A prioridade de investimento da prefeitura deveria ser alternativas de transporte público e outros modais, e desprivilegiar o uso dos carros. A mobilidade está interligada com todo planejamento da cidade”, avalia. Bonetti diz que é preciso pensar em uma ocupação para todo o aterro e não em partes, criando “retalhos urbanos”.

Cássio Taniguchi, da Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis e secretário de Estado de Planejamento, critica a criação do estacionamento. “Florianópolis tem estacionamento demais na área central. Infelizmente isso só vai estimular mais carros no Centro. A cidade está carente de parques e está na hora de criar áreas voltadas para a população”, afirma.

O vice-presidente da ONG FloripAmanhã, Thiago Schutz, vê dois lados. Para ele, a curto prazo é uma boa solução para ocupar uma área abandonada e frequentada por usuários de drogas. “Mas essa solução não pode se perpetuar. Toda vez que se pensa em estacionamento prejudicam-se outros modais. Quando se abre estacionamentos, você está dizendo que é mais fácil vir para o Centro de carro”, avalia.

O grupo teatral Erro Grupo costuma trabalhar em suas performances a questão da utilização do espaço público. Para o diretor Pedro Bennaton, estimular o uso de carros é uma questão ultrapassada. “É uma prefeitura que se volta para os carros e não para a permanência do cidadão nos espaços. Vão transformar o aterro em mais um estacionamento para valorizar um meio de transporte que polui o meio ambiente, que atravanca o trânsito e que prioriza minorias”, diz.

Concurso deve sair no mínimo em quatro meses

O concurso que deve definir a exata destinação para a área do aterro da baía Sul deve sair em, no mínimo, quatro meses, de acordo com o coordenador do IAB/SC (Instituto Brasileiro de Arquitetos), Sérgio Oliva. As tratativas entre o órgão e a prefeitura começaram há dois meses e, até o fim desta semana, o IAB deve entregar à SMDU (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) a proposta para iniciar os encaminhamentos do concurso.

“Depois da entrega da proposta, os prazos e as condições dependerão da prefeitura”, explica. Após o lançamento do concurso, os trâmites incluem o envio de propostas, a definição de um vencedor, a abertura de licitação para a execução do projeto e a escolha da empresa executora.

De acordo com Oliva, após a entrega da proposta, IAB e prefeitura deverão se aprofundar em elencar todas as diretrizes para a criação do concurso. “Temos que fazer um levantamento na área, elaborar material técnico, estudo de trânsito e talvez ainda tenha uma audiência pública”, explica.

A ideia é criar um concurso nacional para arquitetos e uma parceria com a iniciativa privada para a execução do projeto. O ND tentou contato com a SMDU, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

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