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Ensino médio integral será ampliado nas escolas da rede estadual de ensino de SC em 2018

Matrículas on-line já estão disponíveis e devem ser feitas até o dia 11 de dezembro

Dariele Gomes
Florianópolis
04/12/2017 às 09H05

Os modelos de ensino vêm mudando com o passar dos anos. As aulas engessadas em salas, classe atrás de classe, deram espaço para o ensino multidisciplinar, no qual as diversas disciplinas são estudadas muito além da teoria e de forma integrada. Este ano, 15 escolas da rede estadual de Santa Catarina adotaram o Emiti (Ensino médio integral em tempo integral) e, para 2018, o ensino foi ofertado para 19 escolas no Estado, conforme o secretário de Estado da Educação, Eduardo Deschamps.

Diferente de apenas oferecer atividades no contraturno, o Emiti oferece atividades por meio de projetos que funcionam como uma extensão da grade curricular. Conforme a diretora de Gestão da Rede Estadual de Educação, Marilene Pacheco, das 36 regionais do Estado 19 delas têm escolas com o Emiti.

“Em 2016 o Ministério da Educação lançou o edital do Emiti, no qual os alunos frequentam a escola todas as manhãs para o ensino regular e, em quatro tardes por semana, trabalham assuntos que vão além do cognitivo, além do conteúdo de ensino curricular, mas uma orientação e formação sócio emocional. Isso quer dizer que além de aprender matemática, português, química e outras disciplinas, eles têm projetos que os preparam para o mercado de trabalho e para a vida”, explica.

Escola Nereu Ramos, no período integral, em Santo Amaro da Imperatriz - Flávio Tin/ ND
Escola Nereu Ramos, no período integral, em Santo Amaro da Imperatriz - Flávio Tin/ ND

Em Florianópolis, a Escola Estadual Dom Jaime de Barros Câmara, no Ribeirão da Ilha, ofereceu o Emiti a três turmas ao longo deste ano. Para 2018, segundo Marilene, está sendo estudado e avaliado com a comunidade escolar para que o IEE (Instituto Estadual de Educação) também ofereça o ensino. 

“A implementação depende da escola, do espaço, da adesão e se há outra escola próximo que ofereça apenas o ensino regular, caso tenha famílias que não queiram o Emiti. A decisão da comunidade escolar tem que ser unânime. A proposta pedagógica é oferecida com a parceria do Instituto Ayrton Senna, que através de núcleos articuladores oferece os projetos de vida e de pesquisa, além da sala da escola”, diz.

Conforme Marilene, os estudantes tem uma formação para a vida, muito além do ensino padrão. “Eles aprendem a fazer pesquisas contextualizadas com temas da realidade, do meio em que vivem, com abordagens jovens e cotidianas. O Emiti é uma discussão nacional que ainda precisa do entendimento de muitas pessoas para que haja cada vez mais adesão. Ele não oferece uma ocupação em tempo integral e nem apenas atividades para ocupar o tempo desses adolescentes, mas sim uma oportunidade do protagonismo infantil, um espaço para a reflexão desses jovens. É uma jornada ampliada e mais próxima da realidade e que também une e integra a comunidade escolar”, afirma.

Thamires e Paulo na escola Nereu Ramos, que estudam em período integral, em Santo Amaro da Imperatriz - Flávio Tin/ ND
Thamires e Paulo na escola Nereu Ramos, que estudam em período integral, em Santo Amaro da Imperatriz - Flávio Tin/ ND


Alunos e professores aprovam o novo formato

Na Escola Estadual Nereu Ramos, em Santo Amaro da Imperatriz, três turmas de 1º ano do ensino médio tiveram este ano a implementação do Emiti. E esses quase 60 alunos devem dar seguimento à implementação do 2º e 3º anos do ensino médio na escola. Conforme a diretora Ana Maria Zys Benvenutti, na última sexta-feira, segundo dia de matrículas, já havia a procura pelo Emiti, o suficiente para montar mais duas turmas para 2018.

“Tivemos que passar por um período de adaptação, nós e os alunos, mas hoje vejo que valeu muito a pena. Temos, além de alunos inteligentes e com conhecimento, jovens com só 15 anos de idade, mas formadores de opinião e muito sábios sobre o que querem da vida”, diz.

Os alunos chegam à escola às 7h50 e estudam no ensino regular até as 12h20. Depois almoçam na escola e retomam as atividades das 13h15 às 17h15. A coordenadora do Emiti na escola, Danieli Kreuch, conta que um dos projetos é o Projeto da Vida, que tem como principal ferramenta o diálogo. “Além dessa formação como indivíduo, eles têm o projeto de Pesquisa e Intervenção. No primeiro semestre os alunos fazem uma pesquisa sobre um assunto relevante para a escola e depois no segundo semestre fazem a intervenção, para aplicar as mudanças. Este ano, um dos assuntos sugeridos foi ‘No jogo da vida o que eu quero ser?”’, conta.

Para a aluna Amanda Eger, 17 anos, o Emiti mudou a sua vida. Ela conta que ama estar na escola e se sente livre para ser protagonista em vários aspectos. “Sou desportista e sempre tive muita energia, energia que vem acompanhada de ansiedade, mas com a educação em tempo integral melhorei muito”, diz.

Já para o estudante Paulo Henrique Carvalho, de 15 anos, a metodologia aplicada ao ensino é “fantástica”. “Não adianta ter vários diplomas e não ter atitude na vida. Aqui aprendemos a ter autonomia e liderança, importantes para quando irmos para o mundo”, afirma.

Rede municipal de Florianópolis também oferece tempo integral 

Em Florianópolis, a rede municipal de ensino tem o desenvolvimento de atividades no contraturno escolar em parceria com o Ministério da Educação por meio do programa Novo Mais Educação. “Ao longo do tempo vamos migrando de apenas oferecer atividades no contraturno e ocupar o aluno integralmente para o modelo de ensino em tempo integral. Projeto que envolve o ensino e vai muito além da escola. Só este ano tivemos 18 escolas com turno integral pelo Mais Educação”, diz o secretário municipal de Educação, Maurício Fernandes Pereira.

Conforme Pereira, em linhas gerais a organização dos tempos e espaços educativos envolve o acompanhamento pedagógico em língua portuguesa e matemática, considerados obrigatórios e diários e desenvolvimento de oficinas de esportes (lutas, futsal, vôlei, futebol, xadrez, basquete, capoeira e outros), artes e cultura (dança, artes visuais, teatro, música, cinema, audiovisual, circo, canto/coral e outros).

Além destes, outros projetos são executados, como Escola do Mar, Escola da Inteligência e Saídas de Estudos. “Para 2019 teremos uma escola em Ratones, que está em construção. A ideia é criar ali uma escola em tempo integral, referência em todo o país, com a educação bilíngue e o uso de tecnologias. O projeto ainda está em desenvolvimento e a escola deve oferecer 800 vagas”, informa.

>> Serviço

Mais informações sobre o Emiti e se a escola de interesse oferece o ensino em turno integral estão disponíveis no site www.matriculaonline.sed.sc.gov.br

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