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Engenheiro alemão por trás da restauração da ponte Hercílio Luz conta os desafios da obra

Especialista em pontes, Jurn Maertens fala sobre o desafio de ter projetado a obra de recuperação, os cuidados com a manutenção e o trabalho de refazer as barras de olhal

Michael Gonçalves
Florianópolis
14/10/2017 às 09H21

Responsável técnico pela restauração da ponte Hercílio Luz, o alemão Jurn Maertens, 69 anos, diretor proprietário da RMG Engenharia, é um especialista em pontes e assessora a empresa Teixeira Duarte na obra. Para o engenheiro formado e residente em Belo Horizonte (MG) e com experiência na Usiminas, o desafio foi reconstruir as 360 barras de olhal. Isso porque essa foi a peça que apresentou fissura e a ponte precisou ser fechada para veículos na década de 1980. Agora, as barras de olhal foram produzidas com aço super-resistente.

Para Jurn Maertens, que chegou ao Brasil há 50 anos, a ponte Hercílio Luz é o seu maior desafio na engenharia - Flávio Tin/ND
Para Jurn Maertens, que chegou ao Brasil há 50 anos, a ponte Hercílio Luz é o seu maior desafio na engenharia - Flávio Tin/ND



Desde que chegou à faculdade, Maertens queria trabalhar com pontes. “Cheguei ao Brasil há 50 anos, porque não queria fazer o serviço militar. Não sei de onde veio esta paixão pelas pontes, talvez do berço, mas desde os primeiros dias na universidade eu tinha essa certeza. Quando entrei na Usiminas me especializei em estruturas metálicas e, atualmente, a restauração da Hercílio Luz é um desafio bem grande”, disse.

Nascido em Lübeck, no Norte da Alemanha, o projetista da obra de restauração da ponte Hercílio Luz afirma que a chance de fazer uma coisa nova é aqui no Brasil. “Você vai à Europa e a cada cem metros tem uma ponte e não tem mais nada a fazer. Aqui é um desafio para ajudar no progresso”, afirmou.

A Hercílio Luz é a maior ponte pênsil do Brasil e a única no mundo com o sistema estático. O desafio ideal para Maertens, já que as barras de olhal não são mais utilizadas pela engenharia. Atualmente, a opção é pelos cabos. “Estudamos muito as barras de olhal e gastamos muito tempo para encontrar um formato que fosse mais resistente. Elas são diferentes em pequenos detalhes, que resultam na resistência da peça”, explicou.

As novas barras de olhal já estão no canteiro de obras do Deinfra, mas só devem ser trocadas a partir de janeiro de 2018. Após a transferência de carga do vão central para a estrutura provisória, o próximo passo da restauração é a troca dos pendurais, trabalho que deve durar de quatro a seis semanas. O prazo para a conclusão da obra é dezembro de 2018.

Manutenção depende de inspeções anuais

Conforme Jurn Maertens, qualquer ponte precisa de uma inspeção anual. Ele afirmou que o investimento feito pelo governo do Estado durante o tempo em que a ponte Hercílio Luz ficou interditada não foi suficiente para evitar o desgaste natural das peças. “Não há como dizer quando a ponte precisará de manutenção novamente após a restauração. Normalmente, as pontes têm vida útil de 50 anos, mas os meios rodoviários evoluíram muito nas últimas décadas e essa estimativa acaba sendo uma utopia. As inspeções anuais são importantes. Se perceber a falta de um parafuso tem que recolocar, porque ao contrário dará problema. O importante é perceber o comportamento das estruturas, como drenos e juntas, que são partes móveis”, esclareceu.

Maertens também defende a pintura da estrutura para evitar a corrosão. A cor escolhida pelos engenheiros foi cinza, que é de fácil aquisição para a manutenção.

Próximos passos da restauração

Troca dos pendurais

Troca das barras de olhal

Recuperação das vigas treliçadas do vão central e dos viadutos

Recuperação das duas torres centrais

Troca das selas e das rótulas

Execução da pista de rolagem

Nova transferência de carga para a estrutura da ponte

Desmonte da estrutura provisória

Fonte: Deinfra

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