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Enfermeira de Florianópolis já participou de quatro trabalhos no Médicos Sem Fronteiras

Marina Monte Barardi, de 30 anos, retornou essa semana do Sudão do Sul, país africano que vive uma das maiores crises humanitárias do mundo

Maurício Frighetto (Especial para o Notícias do Dia)
Florianópolis
20/07/2018 às 22H55

Desde a graduação, Marina Monte Barardi sonhava em trabalhar no MSF (Médicos Sem Fronteiras). Essa semana, a enfermeira de 30 anos retornou do Sudão do Sul – país africano que vive uma das maiores crises humanitárias do mundo –, onde atuou na sua quarta missão na organização. “É sempre um aprendizado. A gente vai vencendo os obstáculos internos e crescendo. Supera as fragilidades, os medos, a insegurança”, avaliou.

No Sudão do Sul, Marina Barardi percorreu longas distâncias para vacinar a população do país mais jovem do mundo - Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
No Sudão do Sul, Marina Barardi percorreu longas distâncias para vacinar a população do país mais jovem do mundo - Arquivo Pessoal/Divulgação/ND


A enfermeira, formada na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e moradora de Florianópolis, atuou pela primeira vez no MSF em Angola, em 2016, trabalhando em uma epidemia de febre amarela. Depois, em Guiné Bissau, em 2017, participou da implementação de uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Pediátrica e Neonatal. No mesmo ano ainda esteve em Bangladesh, em um campo de refugiados com mais de 600 mil pessoas.

No Sudão do Sul, Marina participou de uma campanha de vacinação, o que não ocorria na região há cerca de dez anos. O objetivo é impedir uma epidemia de doenças como sarampo, caxumba, meningite, hepatite B e poliomielite e evitar mais problemas no país mais jovem do mundo. Tornou-se independente do Sudão em 2011, mas os conflitos não acabaram porque teve início uma Guerra Civil. 

Marina ficava na base do MSF, em um campo de refugiados no estado de Maban. “Cada um tinha uma tenda. A gente não podia sair do campo porque o contexto é muito inseguro. Lá tinha uma quadra de vôlei e uma mesa de pingue-pongue. Plantávamos também em uma hortinha. As pessoas vão criando atividades de lazer, e isso é importante para a saúde mental.” No entanto, era necessário sair da base para fazer a vacinação em cerca de 30 vilarejos.

A enfermeira disse não ter sentido medo em relação à segurança, mesmo que muitas pessoas andassem com metralhadoras, algo comum no país. A maior dificuldade era se locomover. O vilarejo mais perto ficava a quatro horas. Era necessário andar em estradas enlameadas e cruzar rios.

Carreira foi planejada para o MSF

Marina Barardi planejou a carreira para trabalhar no Médicos Sem Fronteiras desde o curso de enfermagem. “Me identificava com os princípios de neutralidade, imparcialidade e transparência da organização. O objetivo é não tomar partido para aumentar as ações e ser aceito em todas as partes do conflito”, contou.

A então estudante costumava ler os Diários de Bordo, publicações onde os profissionais do MSF relatam suas experiências. “Era uma inspiração. Motiva muito entender a experiência pelo olhar de outras pessoas”, disse.

O processo seletivo, segundo Marina, é bem rigoroso. São necessários dois anos de experiência, uma especialização na área em que o MSF trabalha e saber se comunicar em inglês e em outra língua, que, no caso dela, é o espanhol. “E, principalmente, é preciso ter a motivação para o trabalho humanitário.”

O Médicos Sem Fronteiras foi criado na França, por jovens médicos e jornalistas, que atuaram como voluntários no fim dos anos 1960 em Biafra, na Nigéria. Atualmente, está presente em cerca de 70 países, oferecendo cuidados de saúde a pessoas em necessidade de ajuda humanitária. Em 1999, a organização ganhou o Nobel da Paz.

Uma galinha como agradecimento

A relação com os moradores dos países em crise humanitária, muitas vezes, é dificultada pelas diferentes línguas. Mesmo nos locais onde a língua oficial é a portuguesa, grande parte da população usa algum dialeto. Mas isso não quer dizer que não ocorra uma comunicação. Marina conta que brinca com as crianças e costuma se comunicar com gestos ou trocas de olhares. Em Angola, chegou a ganhar uma galinha como agradecimento pelo trabalho.

No início, ela não quis aceitar. Teria que levar o animal para a base e seria difícil cuidar dele. “Mas eles queriam me abençoar e agradecer de alguma maneira e me deram uma galinha branca”, contou.

Ela acabou aceitando e cuidou da galinha como um animal de estimação. Zé, apelido que o animal recebeu, acordava todo mundo no acampamento por volta das 4h. “Depois queriam fazer um churrasco com ela. Não deixei”, disse. Quando teve que voltar ao Brasil, a galinha foi doada para um trabalhador local do MSF.

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