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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Empresas da área de tecnologia buscam apoio em incubadoras na Europa

Incentivos e agilidade nos trâmites burocráticos facilitam a tarefa de brigar por espaço no mercado externo

Redação ND
Florianópolis
Rosane Lima/ND
Guilherme Stark Bernard apostou na incubação para chegar ao mercado europeu

Daniel Cardoso
redacao@noticiasdodia.com.br

As incubadoras de Santa Catarina são famosas por criarem um ambiente propício ao crescimento de empresas de tecnologia, mas a novidade é que, agora, os catarinenses começam a procurar iniciativas semelhantes fora do país e acentuam um próspero movimento de internacionalização.
Um exemplo desta migração é a Reason, de Florianópolis. Especializada em fornecer equipamentos para monitorar as linhas de distribuição de energia, a empresa se instalou há menos de um ano no parque tecnológico Adlershof, em Berlim, Alemanha. A ideia partiu de uma estratégia de marcar presença com pontos comerciais em vários países, como Argentina, Equador e Estados Unidos. Na Alemanha, a primeira tentativa foi de firmar parceria com um representante local, mas a ideia não avançou. Diante da dificuldade inicial, os diretores receberam uma sugestão de procurar o parque tecnológico, que poderia servir de base para o início dos trabalhos.
“Foi incrível a facilidade de instalação. No mesmo dia, conseguimos criar a empresa no cartório e abrir conta no banco. Além disso, a sala onde estamos já estava pronta, com mesa, cadeira, internet e até mesmo o aparelho de telefone. Era só chegar e começar a trabalhar”, lembra Guilherme Stark Bernard, presidente da Reason.
Hoje, a empresa mantém um representante fixo em Berlim. É Felipe Stark, que tem a missão de firmar a marca da empresa na Alemanha, participar de feiras, prospectar novos negócios e clientes, não só da Europa, como também do Oriente Médio. E, claro, aproveitar da melhor maneira possível a rede de contatos disponível em Adlershof. Lá, estão presentes empresas grandes e pequenas.
“Contratamos uma empresa de marketing que também está no parque. A presença em Adlershof também é importante porque o pessoal é muito solícito e sempre nos ajuda diretamente nas questões administrativa e jurídica, dando mais agilidade à empresa”, conta Stark, que chegou em Berlim em agosto.
A ida de empresas locais para o exterior é incentivada pela Fundação Certi, de Florianópolis. A entidade mantém convênio com instituições em Portugal, Espanha, Itália e Alemanha. O objetivo é promover o chamado softlanding (pouso suave), ou seja, fazer com que a empresa entre no mercado internacional sem precisar fazer grandes aportes e dando um passo de cada vez.
“O aluguel de um espaço para iniciar os trabalhos fica entre 300 euros a 400 euros, que é um investimento baixo. Além disso, os subsídios que as empresas de fora recebem no exterior equivalem as vantagens das empresas locais. Isso faz com que entremos em pé de igualdade na relação dos custos”, explica Alexandre Steinbruch, coordenador do ENI (Escritório de Negócios Internacionais) da Fundação Certi.

Sucesso não depende só da incubação

Covilhã é para Portugal o que Blumenau é para o Brasil. Uma cidade com indústria têxtil forte, mas que sofre com a invasão dos baratos produtos asiáticos e encontrou na tecnologia uma forma de se manter de pé. Essa semelhança, somada a parcerias entre os poderes públicos, levou a empresa Totall Sistemas (que atua em business intelligence) a passar dois anos no Parque de Ciência e Tecnologia da Covilhã (Parkurbis). O objetivo era aproveitar a temporada e os baixos custos propiciados pelo parque para iniciar operações comerciais na Europa. No entanto, a crise financeira arrefeceu os ânimos dos portugueses e aumentou o grau de dificuldades enfrentado pelos brasileiros.  A estadia em Portugal ocorreu entre 2008 e 2010, período auge da crise. Dificuldades superadas pela Totall. A empresa conquistou e mantém um distribuidor para os produtos no mercado lusitano.
Pode parecer pouco, mas não é. Segundo Edilson Paterno, diretor comercial, do grupo de 10 empresas de Blumenau que foram para o Parkurbis, apenas a Totall conseguiu equilibrar as contas e ter receita maior do que despesa.
O sucesso só foi alcançado porque a empresa concentrou forças na empreitada, contornando a crise. Os diretores foram negociar diversas vezes diretamente em Portugal, planejaram cada passo e não se resumiram a deixar uma pessoa tomando conta do escritório. Enquanto isso, outras preferiam focar no mercado brasileiro, que registrava aumento da demanda, e reservaram pouco tempo para as negociações na Europa.
“Os portugueses, muitas vezes, são mais conservadores. Mesmo que se faça contato pela internet ou por representante, a presença pessoal é muito importante. Fomos lá, pelo menos, quatro vezes ao longo dos dois anos”, ressalta Edilson Paterno, diretor comercial.
A história da Totall comprova que as incubadoras ou parques tecnológicos ajudam em muito na saúde da empresa, mas não garante sucesso e é preciso colocar em prática todo o conhecimento de gestão e administração.


Capital abrigará empresas estrangeiras

Enquanto catarinenses começam a buscar espaço para se incubarem fora do país, outras empresas do exterior lutam pela mesma oportunidade em terras brasileiras. Por isso, a Fundação Certi está formatando um espaço para receber empresas internacionais. O interesse parte principalmente da Argentina, Portugal e Espanha, que aproveitam as parcerias para cultivar boas oportunidades de negócios por aqui.
A procura é tão grande que obriga a fundação a aumentar o grau de exigência na seleção. Em vez de abrir espaço para empresas que pretendem, em um primeiro momento, ter apenas uma representação comercial, a Certi busca por empreendimentos que já deem o pontapé inicial com algum projeto de pesquisa e inovação. Ou seja, precisará ser realmente uma ramificação da empresa, e não apenas um ponto comercial.
“Nós estamos escolhendo e daremos preferência para aqueles projetos que possam agregar valor e desenvolver produtos aqui mesmo. Isso será importante para a interação entre os países e o desenvolvimento de novas parceiras”, opina Alexandre Steinbruch, coordenador do ENI (Escritório de Negócios Internacionais) da Fundação Certi.
Nenhuma empresa estrangeira já está operando no parque, mas o início dos trabalhos deverá começar ainda este ano, a partir do segundo semestre.

Por que se incubar no exterior
- A empreitada internacional melhora a empresa e a torna mais competitiva também no Brasil
- Ao se lançar no exterior, a imagem da empresa melhora, dando mais credibilidade aos produtos
- Abre novas frentes de negócios e ajuda a melhorar o faturamento
- Pelas incubadoras, pode-se firmar parcerias sólidas e duradouras

Os desafios de atuar no exterior
- Adequar os produtos à linguagem, cultura e forma de pensar de outros países
- Dificuldade de comunicação, principalmente nas negociações
- É necessário planejamento e reserva de recursos para se manter em outro país
- Em muitos casos, os brasileiros reduzem o lucro no exterior para serem mais competitivos

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