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Empresas abrem processos seletivos para mães de filhos pequenos ou fora do mercado

A vantagem para as organizações é que, além da formação técnica, essas mulheres desenvolvem com a maternidade boa capacidade de adaptação a problemas inesperados

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
04/07/2018 às 21H15

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Empresas têm investido em trabalho remoto, jornadas mais curtas e programas de reinserção para mães de crianças pequenas ou que estejam fora do mercado. O objetivo é capacitar essas profissionais que buscam uma oportunidade de trabalhar sem se ausentar da vida dos filhos. A vantagem para as organizações é que, além da formação técnica, essas mulheres desenvolvem com a maternidade resiliência e boa capacidade de adaptação a problemas inesperados, diz Elza Veloso, especialista em carreiras e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Angustiada por ter que voltar à carga pesada de trabalho depois do nascimento do filho Rafael, há nove meses, a advogada Carol Rego, 33, resolveu recrutar mães de crianças de até três anos para trabalhar remotamente, por dez horas por semana e em horário flexível, para o escritório SV Law, onde é sócia. "Elas vão ministrar treinamentos e escrever artigos jurídicos, assim não precisam se deslocar com frequência", afirma. "É um jeito de manter essa mulher perto do filho sem que ela precise se desligar da sua profissão."

A própria Carol reduziu sua carga horária para seis horas diárias e ofereceu essa possibilidade às outras mães do escritório, por até dois anos e com diminuição proporcional no pagamento.

Para o programa Mãe Advogada, aberto em 5 de junho, a empresa já recebeu 1.400 currículos para duas vagas. Se der certo, a meta é oferecer mais três posições no futuro. O processo seletivo foi feito por análise de currículo e entrevista.

A falta de subsídios para conciliar carreira e maternidade, que expulsa parte dessas mulheres do mercado, gera perdas para empresas porque negligencia as competências dessas profissionais e força custos extras de treinamento para quem as substitui. "Estudos mostram uma queda de produtividade nas organizações quando essas mulheres saem para se dedicar aos filhos. É uma perda grande de potencial que deixa de ser aproveitado", afirma Elza.

Na prática, muitas empresas ainda não perceberam o tamanho do desperdício. Quase metade, ou 47%, das mulheres acha que perdeu pelo menos uma oportunidade de trabalho por ser mãe, aponta pesquisa de outubro de 2017 da consultoria MindMiners, que conversou com 1.000 profissionais em todo o país.

Por medo de perder o emprego, 8% encurtaram a licença maternidade. Quando precisaram de um dia para cuidar do filho, 46% acharam que o pedido de folga não foi bem aceito pela chefia.

Em empresas com horários flexíveis e home office, o desafio não é diminuir faltas, mas atrair novas colaboradoras.

A PepsiCo, que já tem políticas do tipo, quer selecionar quatro profissionais afastados do mundo corporativo por dois anos ou mais para um programa de aperfeiçoamento de dez semanas, batizado de Ready to Return. Ao final das atividades, que incluem mentoria e participação em projetos da gerência, essas pessoas poderão ser efetivadas nas áreas de RH, finanças, operações ou vendas. Durante esses dois meses e meio, ganham o salário e os benefícios do cargo que ocupariam se já estivessem contratadas.

A empresa aposta em alto número de candidatas com filhos porque muitas pausam a carreira para se dedicar à criança, aponta Mauricio Pordomingo, vice-presidente de RH da empresa.

Mulheres e homens que se se afastaram do trabalho para cuidar de um parente, fazer um sabático ou acompanhar o cônjuge em uma mudança de estado ou país, por exemplo, também podem se candidatar.

As inscrições para o Ready to Return estão abertas até 4 de julho e será feito por análise de currículo, entrevista com o RH e com as áreas de destino dessas profissionais.

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