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“Emprego e renda são temas centrais”, diz Alckmin sobre campanha à Presidência em 2018

Governador de São Paulo concedeu entrevista exclusiva ao Grupo RIC apontando esses assuntos como bandeiras em uma eventual candidatura

Redação ND
Florianópolis
01/10/2017 às 21H09

Ainda que não admita formalmente a pré-candidatura à Presidência da República, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), adota o tom de quem pretende disputar a eleição de 2018. Em entrevista exclusiva ao Grupo RIC, para o jornalista Guilherme Rivaroli, da RICTV do Paraná, Alckmin apontou a geração de emprego e renda como questão central de uma eventual campanha.

“Não é possível achar normal ter mais de 12 milhões de desempregados e outros 6 a 7 milhões que desistiram de procurar emprego. O Brasil não pode crescer 2%, senão não sai do lugar. Um país em desenvolvimento tem que crescer 4%, tem que ter outro ritmo”, afirmou.

O tucano cita a inovação como motor do progresso. “Paraná e Santa Catarina são bons exemplos, compromissados com a inovação, com o avanço tecnológico, com pesquisa e desenvolvimento, com uma iniciativa privada extremamente relevante, este é um bom caminho”, elogiou.

Em nome de reformas importantes para o país, Alckmin justifica o apoio ao governo Temer, mas sem qualquer compromisso além dos ajustes necessários para levar o Brasil à retomada do crescimento. As reformas da Previdência, trabalhista e tributária são citadas como avanços que poderão colocar o país em outro patamar.

Em uma eventual disputa no ano que vem, diz que traz mais experiência e maturidade em relação ao pleito de 2006, quando foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Fez questão de lembrar, no entanto, que venceu, nos dois turnos, tanto no Paraná quanto em Santa Catarina.

Geraldo Alckmin é governador de São Paulo - Rogério Gomes/Brazil Photo Press/ND
Geraldo Alckmin é governador de São Paulo - Rogério Gomes/Brazil Photo Press/ND



 

O senhor é candidato à Presidência?

O meu partido decidiu que fara convenção nacional em dezembro. Se tivérmos um candidato, será definido em dezembro. Se tivermos mais de um, teremos prévias no começo do ano que vem. Eu estou me preparando. É bom ter vários nomes. Prévia não divide, prévia escolhe. Você pode escolher numa sala fechada ou pode abrir a escuta, ouvir todos os filiados, isso é o que eu defendo. Democracia começa dentro de casa.

O PSDB já foi governo, virou oposição, agora está de volta ao governo, mas dividido em relação ao apoio a Michel Temer. Essa divisão não dificulta o consenso para uma candidatura em 2018?

Eu acredito que não. Nós fomos governo, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, tivemos o Plano Real, que estabeleceu uma moeda estável, fizemos reformas importantes. Depois, o Brasil parou de crescer, no período do PT. Inclusive, tivemos uma recessão de três anos. O atual não é um governo do PSDB. Nós ajudamos, temos compromissos com o país, não com o governo. Aquilo que ajudar o país a diminuir o desemprego e a recessão e a aquecer a economia nos vamos ajudar. Agora, vamos trabalhar para, o ano que vem, ter um governo compromissado com a retomada do crescimento e com a qualidade de vida da população.

Como o senhor avalia as reformas?

Nós defendemos as reformas. Não é possível o Brasil continuar com o sistema político partidário que tem, ele faliu, é preciso rever. A reforma da Previdência precisa combater os privilégios. Não é possível ter o aposentado do INSS, em média, ganhar R$ 1.191 e, no setor público, ter salários exorbitantes. A reforma tributária simplifica o modelo, que é caríssimo. Outra reforma importante é a trabalhista. O desafio do mundo moderno é o emprego, a tecnologia desemprega. A reforma trabalhista vai estimular o emprego, sem tirar nenhum direito do trabalhador.

Qual é o caminho para a retomada do crescimento?

Bill Gates dizia que “a inovação é o motor do progresso”. Paraná e Santa Catarina são bons exemplos de Estados, compromissados com a inovação com o avanço tecnológico, com pesquisa e desenvolvimento, com uma iniciativa privada extremamente relevante, acho que este é um bom caminho. Você pode estimular através de credito, de redução de carga tributaria, precisamos aproximar as universidades, os centros de pesquisa do setor produtivo.

Qual é o peso da segurança pública na próxima campanha?

Vou ter como prioridade, se amanha vier a disputar, emprego e renda, acho que essa é a questão central. Não é possível achar normal ter mais de 12 milhões de desempregados e outros 6 a 7 milhões que desistiram de procurar emprego. O Brasil não pode crescer 2%, senão não sai do lugar. Um país em desenvolvimento tem que crescer 4%, tem que ter outro ritmo. A segurança pública é, sim, prioridade. Nós vivemos uma epidemia, que é a questão da droga, e o governo federal tem que entrar pra valer nessa luta. Tráfico de drogas, de armas, e lavagem de dinheiro são crimes federais. Eu defendo a criação de uma agência de inteligência que integre as forças de segurança, principalmente em Estados da fronteira com outros países.

Como superar o descrédito popular com a política?

Precisamos fazer a boa política, que defenda o interesse coletivo, que vai fazer uma boa economia e uma boa sociedade. Acho que a população não vai votar em partidos. Vai se identificar com alguém por falar a verdade, por ter confiança. As instituições precisam funcionar, investigar, punir, e o país precisa andar. Eu sou contra essa coisa de gladiadores. O Brasil precisa de construtores. Essa coisa que o PT fez de “nós contra eles”, de dividir o país. Uma casa dividida não avança bem. Precisamos retomar a atividade, melhorar a qualidade de vida. Precisamos de educação de qualidade, saúde, segurança pública E, principalmente, a atividade empreendedora. O Brasil precisa se inserir, fazer o jogo do século 21, não pode ficar isolado. Precisa ter uma ambição internacional maior.

O que o senhor faria em relação à campanha de 2006, quando foi derrotado?

Olha, eu ganhei, tanto no Paraná quanto em Santa Catarina, nos dois turno. Eu acho que estou mais preparado, mais maduro. Na época, disputei contra o Lula, ele era o presidente, era difícil enfrentar a reeleição, havia um desnível muito grande. A situação do PT e do Lula é totalmente diferente hoje. Estou me preparando para poder, se for o caso, servir ao Brasil e ajudar o país a retomar o trilho do crescimento.

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