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Chacina: Funcionária da família conhecia um dos autores de crime em hotel de Florianópolis

Assassinatos ocorreram por causa de uma dívida laboral de R$ 47 mil. As cinco pessoas foram enforcadas e asfixiadas com o travesseiro encharcado em gasolina

Colombo de Souza
Florianópolis
30/08/2018 às 21H04

A funcionária da família Gaspar Lemos,dizimada no apart-hotel Venice Beach, em Canasvieiras, Norte da Ilha, que conseguiu fugir dos criminosos e avisou a polícia, conhecia o mentor do crime. Ele trabalhava na boate Arena Spazzio de propriedade das vítimas, localizada na Vargem Grande, na Capital e também instalou as fechaduras no hotel. Por isso não teve dificuldades em entrar no apart-hotel que estava fechado para o público. O criminoso confessou o assassinato e ressaltou que se inspirou em filmes. A chacina ocorreu no dia 5 de julho. 

Cinco pessoas foram mortas no Residencial Venice Beach - Daniel Queiroz/ND
Cinco pessoas foram mortas no Residencial Venice Beach - Daniel Queiroz/ND

Nesta quinta-feira (30), a polícia prendeu o terceiro envolvido no Rio Vermelho, Norte da Ilha. O suspeito de 21 anos foi acordado de manhã. Assim como os demais, ele estava com mandado de prisão provisória decretada pela Justiça por trinta dias. Os delegados que trabalharam no caso, Ênio de Oliveira Mattos e Salete Mariano Teixeira, não revelaram os nomes dos evolvidos. Apenas relataram que eles são jovens, com 20, 21 e 22 anos, respectivamente. Na próxima segunda-feira (3/9), a delegada Salete deve concluir o relatório e encaminhar o inquérito ao Ministério Público.

Todos os envolvidos moravam em Florianópolis. Eles mataram Paulo Gaspar Lemos, 78, e os filhos, Paulo, 51, Katya, 50, Leandro, 44, além do funcionário Ricardo Lora, 39, por causa de uma dívida laboral de R$ 47 mil. “Pior do que a dívida eram as ameaças que Leandro fazia para o credor”, informou o delegado. De acordo com Ênio, o suspeito preso em Potecas, São José, de 21 anos, que trabalhava para as vítimas, convidou dois amigos para invadir o apartamento e pressionar a família. “Eles imaginavam que havia dinheiro guardado no hotel”,  comentou o policial.

A polícia não sabe exatamente o horário em que os três entraram no hotel, localizado a 100 metros da Praia de Canasvieiras. Mas tem certeza de que Katya e a empregada não estavam no momento da invasão. “Elas saíram depois do meio dia e retornaram por volta das 16h quando foram rendidas”, relatou Ênio. As duas também foram amordaçadas. Os policiais calculam que os criminosos torturaram as vítimas antes de matá-las.

De acordo com a polícia, os cinco foram mortos em cômodos diferente do hotel. A funcionária, que trabalhava como camareira, foi a única que não teve os punhos amarrados tão firmes como os demais. Por isso, conseguiu fugir, por volta da meia noite, e avisou a polícia.

Quando os agentes entraram no hotel encontram cenas de horror. Na parede de um quartos, os criminosos escreveram: “Enrolaram muita gente, agora chegou a hora de vocês”. Os agressores roubaram R$ 10 mil e fugiram em três veículos da família.

O hotel foi isolado com fitas para impedir a entrada de curiosos, evitando assim  que a cena do crime fosse alterada. Os agentes buscaram pistas e recolheram travesseiros e roupas encharcadas de gasolina. A funcionária foi a primeira testemunha a prestar depoimento. Ela contou que os criminosos eram três. Disse ainda que dois usavam máscaras e contou que um deles trabalhava para as vítimas.

O depoimento da camareira e os laudos periciais feitos no Instituto Geral de Perícia foram fundamentais para a polícia desvendar uma dos casos mais escabrosos de Florianópolis. “De início, já tínhamos pistas dos criminosos.  Nossa intenção era prendê-los em sequência para evitar fugas”, relatou o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Flávio Ghizoni Júnior, presente na coletiva e que acompanhou passo a passo a investigação.

O primeiro suspeito foi localizado em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, pela polícia gaúcha. Ele era natural de Florianópolis e tinha antecedentes criminais. Dois dias depois, os agentes da delegaica de Homicídios da Capital capturaram o mentor do crime, no bairro Potecas, em São José. E ontem, o terceiro envolvido foi preso em casa, no Rio Vermelho. Os dois últimos eram de Belém do Pará. 

A família era natural de São Paulo onde também mantinha negócios. O patriarca declarou falência de uma revenda e locadora de carros em São Paulo. Há cerca de dez anos, se estabeleceu com os filhos em Florianópolis, onde adquiriu o hotel de três andares, uma casa de shows no Norte da Ilha e uma mansão em Jurerê internacional, além de uma coleção de carros. Os negócios não prosperaram e os bens foram hipotecados pelo banco. 

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