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Em Goiânia, nove adolescentes morrem em incêndio em centro para infratores

A unidade funciona de forma improvisada dentro de um batalhão da Polícia Militar e padece de infraestrutura precária

Folha de São Paulo
São Paulo
26/05/2018 às 12H58

CLEOMAR ALMEIDA

GOIÂNIA, GO (FOLHAPRESS) - Ao menos nove adolescentes morreram na manhã desta sexta-feira (25) durante um incêndio em um dos alojamentos do CIP (Centro de Internação Provisória), em Goiânia (GO).

Outro interno foi socorrido por uma equipe do Corpo de Bombeiros. O hospital para onde o adolescente ferido foi levado informou que o estado de saúde dele é gravíssimo. Ele respira com ajuda de aparelhos e teve 90% do corpo queimado.

De acordo com a Secretaria Cidadã, responsável pela unidade, os adolescentes atearam fogo no local. O governo nega que tenha havido uma rebelião.

O número exato de feridos não havia sido divulgado até o fechamento desta edição. O Corpo de Bombeiros informou que foi chamado às 11h27 e enviou quatro caminhões para apagar as chamas e fazer o resgate dos jovens. Cerca de 70 internos estão no local por determinação judicial. O alojamento incendiado tinha 11 adolescentes.

De acordo com Luzia Dora, diretora-geral do Gecria (Grupo Executivo de Apoio à Criança e ao Adolescente), vinculado à Secretaria Cidadã, o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil precisam concluir os trabalhos e liberar o local para que o governo possa divulgar informações mais detalhadas sobre o caso.

A unidade funciona de forma improvisada dentro de um batalhão da Polícia Militar e padece de infraestrutura precária, com fios elétricos expostos e infiltrações nas paredes.

"É uma fatalidade absoluta", disse Luzia. "Essa unidade funciona desde a década de 1970, em local adaptado, e nunca teve um óbito", acrescentou.

O CAO (Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude) do Ministério Público do Estado de Goiás informou que a unidade do CIP no batalhão da PM deveria ter sido desativada há pelo menos cinco anos, considerando prazo estabelecido em um acordo firmado em 2012 com o Estado. O estabelecimento de internação de infratores não foi interditado após o incêndio.

Segundo a Secretaria Cidadã, a suspeita é que os adolescentes tenham usado fios da rede elétrica para gerar fogo a partir de um curto-circuito. "Eles fazem pela rede elétrica. Mesmo que retire a lâmpada e passe a gaiola de proteção, eles fazem o fogo pelo curto-circuito", disse.

Assim que foi informado pela Secretaria Cidadã sobre o incêndio na unidade de internação de adolescentes infratores, o governador de Goiás, José Eliton (PSDB), determinou à equipe de auxiliares a imediata tomada de providências e medidas necessárias para a apuração das causas da tragédia. Ele ainda disse que haverá apoio aos familiares dos internos, que foram encaminhados para um auditório dentro do batalhão.

O governador também antecipou seu retorno a Goiânia do Encontro de Governadores do Brasil Central, em Cuiabá, para acompanhar e designar providências necessárias do governo. O CIP funciona no Jardim Europa, na região sudoeste de Goiânia. Tem 60 leitos para adolescentes do sexo masculino. Nesta sexta, operava acima da sua capacidade.

Na região oeste da capital, funciona o Case (Centro de Atenção Socioeducativo), com cerca de 170 adolescentes, no total. A unidade tem ala feminina separada, além de alojamentos de segurança com quartos duplos.

Existem outras unidades do Caso com alojamento individual, em Anápolis, a 58 quilômetros de Goiânia, e em Formosa e Luziânia, no entorno do Distrito Federal.

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