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Eleições 2018: saiba o que pensam e planejam os 7 pré-candidatos à Presidência do Brasil

Os presidenciáveis participaram nesta terça-feira do Congresso de Prefeitos realizado no Centro-Sul, em Florianópolis

Fábio Bispo, Felipe Alves e Giovana Kindlein
Florianópolis
13/07/2018 às 11H26

As atenções pré-eleitorais estavam todas voltadas para Santa Catarina, ontem. Sete presidenciáveis apresentaram suas pretensões — e também soluções — du­rante painel apresentado no Congresso de Prefei­tos de Santa Catarina, realizado no CentroSul, em Florianópolis. Cada candidato falou por 30 minu­tos, com exceção da candidatura do PT – foi lida uma carta escrita por Lula.

Passaram pela Capital os pré-candidatos Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (PMDB), Flávio Rocha (PRB), João Amoêdo (Novo), Aldo Rebelo (Solidarieda­de) e João Vicente Goulart (PPL). O senador Ál­varo Dias (Podemos), que chegou a confirmar presença, teve outro compromisso e não com­pareceu. Jair Bolsonaro (PSL), que também foi convidado não participou e Marina Silva (Rede) informou ter outros compromissos.

O manifesto “Para onde caminha Santa Catarina?” foi lido durante a abertura do painel com os précandidatos - Daniel Queiroz/ND
O manifesto “Para onde caminha Santa Catarina?” foi lido durante a abertura do painel com os précandidatos - Daniel Queiroz/ND


A abertura do painel com os pré-candida­tos foi marcada pela leitura do manifesto “Para onde caminha Santa Catarina?”. O documento é resultado de debate entre lideranças empresa­riais, acadêmicas, comerciais e industriais, que discutiram soluções comuns ao desenvolvimen­to dos 295 municípios catarinenses.

Com tempo limitado em 30 minutos e com uma proposta de tema que dialogasse em torno do pacto federativo, investimentos em tecnologia e infraestrutura, além das áreas básicas como saúde e educação, os pré-candidatos tiveram oportunidade de apresentar suas plataformas. A diversidade dos candidatos apresentados deu ao público uma noção de que muitos dos dilemas na­cionais não passam por soluções fáceis.

Economia

A pauta econômica norteou quase todos os discursos, do ex-ministro Henrique Meirelles, que defendeu as tomadas de decisões políticas da atual gestão de Michel Temer, como o teto de gastos e a reforma trabalhista, a Ciro Gomes, que pregou a revogação do teto de gastos e dis­se que o Estado precisa reduzir custos para am­pliar investimentos.

Alckmin, o primeiro a falar, também pregou a necessidade de reformas - tributária, política e da Previdência. Aldo Rebelo disse que a agricultura é trunfo para o futuro. João Goulart Filho atacou a política neoliberal, enquanto Flávio Rocha criticou os privilégios de Brasília e João Amoêdo apoiou as parcerias público-privadas.

Geraldo Alckmin:
crescimento passa a ser prioridade

  • Partido: PSDB
  • Nascimento: Pindamonhangaba (SP)
  • Idade: 65 anos
  • Profissão: Médico e professor universitário
  • Carreira política: Vereador (1973 a 1977) e prefeito (1977 a 1982) Pindamonhangaba (SP), deputado estadual (1983 a 1987) e federal (1987 a 1995) e governador de São Paulo entre 2001 e 2006 e de 2011 a 6 de abril de 2018

Para o Brasil voltar a crescer é necessá­rio diminuir o tamanho do Estado, fazer um ajuste fiscal o mais rápido possível, tirar do papel uma reforma tributária que simplifique a cobrança de impostos e ter mais abertura comercial. Essa é a fórmula do pré-can­didato à presidência da República Geraldo Alck­min (PSDB) para destravar a economia e, como consequência, retomar o crescimento do país. O tucano aposta nas reformas como principais me­didas de um possível mandato.

Além da reforma tributária, Alckmin quer fa­zer a reforma política, com a defesa da implanta­ção do voto distrital nas eleições. Para reformar a Previdência, o tucano quer colocar em prática o modelo que aplicou no governo de São Paulo a par­tir de 2011, com a definição de apenas dois regimes: um público e um privado. Para reformar o Estado, ele pretende enfrentar o corporativismo, “pois te­mos um governo brasileiro grande e ineficiente”.

Candidato do PSDB à presidência da República, Alckmin apresentou suas propostas em Florianópolis - Daniel Queiroz/ND
Candidato do PSDB à presidência da República, Alckmin apresentou suas propostas em Florianópolis - Daniel Queiroz/ND


O tucano aposta no investimento em infraes­trutura em todo o país como forma de movimen­tar a economia. “Isso é emprego na veia: duplicar estradas, ferrovias, portos, aeroportos. Isso atrai empresas e reduz o custo Brasil”, afirmou.

Defensor do pacto federativo, Alckmin se diz municipalista. “Precisamos ter a coragem de des­centralizar e descentralizar forte. Se o Brasil não crescer não terá recurso para ninguém. Minha luta é o Brasil voltar a crescer e, para isso, é preci­so ter investimento e confiança”, disse.

Com menos de dois dígitos nas pesquisas elei­torais até o momento, Alckmin diz “não dar muita bola” para pesquisas agora. “A eleição só vai come­çar mesmo quando soubermos quem são os candi­datos, os candidatos a vice e as alianças”, apontou.

Segundo ele, o PSDB tem quatro partidos en­caminhados para coligar nesta eleição e que será papel dos outros partidos anunciar a coligação com os tucanos. Alckmin aposta em novas adesões como forma de crescer sua candidatura até o fim de julho. “Teremos os melhores palanques no Brasil e bom tempo na TV com as alianças”, apostou.

Exemplo de SC

Além das reformas e medidas para alavancar a economia do Brasil, Alckmin citou uma série de projetos para diversas áreas. “Governar é esco­lher. O dinheiro nunca vai dar para tudo. Tem que colocar mais recursos naquilo que a população mais necessita”, disse.

Na área da saúde, o tucano promete aumen­tar a tabela do SUS, pois acredita que hoje há um desfinanciamento da saúde por parte da União. Com isso, pretende melhorar a gestão do sistema público de saúde. Na educação, quer in­vestir na educação básica (infantil, fundamen­tal, média e técnica).

Favorável à descentralização do país, Alckmin citou Santa Catarina como exemplo. Esteve em Chapecó, onde visitou a Aurora, e elogiou os exem­plos de associativismo e cooperativismo. “Deve­mos nos inspirar nesse espírito de participação de Santa Catarina”, afirmou.

Henrique Meirelles:
reformas no foco do próximo governo

  • Partido: PMDB
  • Nascimento: Anápolis (GO)
  • Idade: 72 anos
  • Profissão: Engenheiro civil e executivo da área financeira
  • Carreira política: Presidente do Banco Central (2003 a 2011) e ministro da Fazenda (2016 a 6 de abril de 2018)

Lançado como pré-candidato do PMDB pelo presidente Michel Temer em maio, o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, manifestou leve desconforto ao ser ques­tionado sobre o que pensa da decisão do governo federal de tabelar o preço mínimo do frete rodo­viário. A tabela é questionada por empresas em mais de 30 ações judiciais.

“Não há dúvida que foi uma atitude de emer­gência. O governo visou resolver o problema gra­ve, que era o fato de que o país que já estava sain­do de uma recessão enfrentasse uma paralisação de atividades, que não só perturbava a vida das pessoas, mas perturbou e principalmente come­çou a interromper as linhas de produção”, reagiu.

Meirelles mostrou desconforto ao comentar a política de Michel Temer para resolver a greve dos caminhoneiros - Daniel Queiroz/ND
Meirelles mostrou desconforto ao comentar a política de Michel Temer para resolver a greve dos caminhoneiros - Daniel Queiroz/ND


O ex-presidente do Banco Central admitiu que a crise provocada pela paralisação “iria au­mentar o desemprego e aumentar a inflação. Seria inaceitável”, disse. Porém, avaliou que a economia vai crescer e com o aumento da pro­dução, aumentará a demanda com caminhões. “Esse problema passa a ser resolvido de uma for­ma natural, o que é a maneira como deve ser”, continuou. A medida foi tomada pelo presidente Michel Temer para cessar a paralisação dos ca­minhoneiros que protestaram contra o aumento do óleo diesel. Segundo ele, o governo tinha que resolver o problema e resolveu.

Meirelles repetiu o que tem dito em entrevis­tas desde que se desincompatibilizou do cargo em maio. “A prioridade do próximo presidente deve­rá ser o avanço das reformas fundamentais e, em especial, a da Previdência, para que haja susten­tação para criar os repasses baseados no Pacto Federativo. Isso é fundamental”. Para ele, o debate sobre o déficit público e a rediscussão do pacto fe­derativo estão intrinsicamente ligados.

Cuidado com privatizações

O ex-ministro da Fazenda acredita que a nova Previdência será mais justa. “Hoje, 20% das pes­soas de menor renda no país não conseguem, na sua grande maioria, completar os 35 anos de con­tribuição com carteira assinada. Aqueles que não conseguem contribuir se aposentam com 65 anos de idade. Pela proposta, após os primeiros dois da reforma, a idade mínima cai para 55 anos. Depois vai subindo gradualmente até chegar aos 65 anos”.

Entre as principais propostas de Meirelles para um futuro mandato estão a Reforma da Previdên­cia e a Reforma Trabalhista; ele também considera a redução dos gastos públicos como fundamental para a política econômica e contesta a privatiza­ção total da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal pelo risco de o comprador ser outra instituição financeira brasileira, reduzindo a concorrência.

Ciro Gomes:
novo projeto para o país

  • Partido: PDT
  • Nascimento: Pindamonhangaba (SP)
  • Idade: 60 anos
  • Profissão: Advogado e professor universitário
  • Carreira política: Deputado estadual do Ceará (1983 a 1988), prefeito de Fortaleza (1989 a 1990), governador do Ceará (1991 a 1994), ministro da Fazenda (1994 a 1995), ministro da Integração Nacional (2003 a 2006) e deputado federal (2007 a 2011)

Pré-candidato que mais cresce nas pesquisas e com um raio-x bem delimitado da situa­ção atual do país, Ciro Gomes (PDT) che­gou em Florianópolis com discurso afiado. Preferiu não opinar sobre Lula: “quem resolve essa questão é o PT”, disse. Mas não poupou Jair Bolso­naro (PSL), a quem classificou como uma “solução tosca para problemas reais”. Em tom explosivo, no palco do Congresso dos Prefeitos, Ciro preferiu se ater à pauta socioeconômica, apontando soluções que poderiam ser entendidas como uma resposta aos setores econômicos que ainda esboçam alguma resistência à sua candidatura.

A solução econômica de Ciro Gomes inclui mu­danças – que promete implantar nos seis primeiros meses de governo, caso eleito – que preveem a re­vogação do teto de gastos, uma severa redução das despesas públicas e saídas para incremento do caixa como combate à renúncia fiscal, tributação de gran­des fortunas e criação de impostos sobre dividendos. “Fui ministro da Fazenda do Brasil. Como governador fui ao mercado e comprei 100% a dívida do Estado com 20 anos de antecedência”, afirmou.

Candidato do PDT falou de seus planos para a economia e não poupou Jair Bolsonaro, que considera uma “solução tosca para problemas reais” - Daniel Queiroz/ND
Candidato do PDT falou de seus planos para a economia e não poupou Jair Bolsonaro, que considera uma “solução tosca para problemas reais” - Daniel Queiroz/ND


O pré-candidato fez uma análise da história do desenvolvimento da economia nacional e diz que o país não tem alternativas para um novo projeto nacional de desenvolvimento. Para ele, a crise em que estamos mergulhados exige uma agenda de “saneamento fiscal”, com uma reestruturação do pacto federativo.

Político experiente, com uma trajetória de 38 anos e com passagens por diversos cargos, como os de deputado, governador e ministro, Ciro não descar­ta possíveis alianças com partidos do centro e centro-direita, como PP e DEM, por exemplo. No entanto, o único partido do qual Ciro fala abertamente de uma possibilidade de aliança, no momento, é o PSB, que não tem candidato.

Negociar para governar

Ciro Gomes ainda alfinetou o pré-candidato Jair Bolsonaro, que também foi convidado, mas não com­pareceu ao evento. Ciro criticou a postura antipolítica de Bolsonaro e disse que atuando há 26 anos como deputado acabará se contradizendo na campanha: “Quando a população conhecê-lo bem ficará claro que só restará para ele o fascismo, que a humanidade tem que combater com grande urgência”.

Por fim, afirmou que seu plano nacional de de­senvolvimento “coloca um olho no peixe e outro no gato”. Primeiro para garantir a eleição e depois para conseguir governar. “Olho no peixe porque eu preciso ganhar a eleição para interromper essa agenda anti­pobre, antipovo, antinacional. E preciso colocar o olho no dia seguinte. Nenhum partido fará mais de 10% do quórum da Câmara Federal, o que quer dizer que eu estou obrigado a negociar com quem quer que seja que o povo brasileiro livremente escolha”, disse.

João Vicente Goulart:
tributos para grandes fortunas e bancos

  • Partido: PPL
  • Nascimento: Rio de Janeiro
  • Idade: 62 anos
  • Profissão: filósofo e político
  • Carreira política: Deputado estadual pelo Rio Grande do Sul (1982-1986), fundador e atual presidente do Instituto João Goulart

Filho de Jango, ex-presidente deposto pelo regime militar de 1964, o pré-can­didato do PPL, João Vicente Goulart Filho, não mediu palavras para esbo­çar seu descontentamento com os rumos da política econômica brasileira. Ainda inexpres­sivo nas pesquisas, oscilando entre 0% e 1%, segundo o Datafolha, ele aposta no enfrenta­mento e no sentimento nacionalista para ga­nhar popularidade.

Do palco do Congresso dos Prefeitos de San­ta Catarina, o pré-candidato prometeu, caso seja eleito, dobrar os investimentos públicos – o que culminaria na revogação da PEC do Teto de Gastos –, taxar o agronegócio, tributar as gran­des fortunas e os bancos, além de suspender to­dos os processos de privatização em curso.

"Tudo isso que foi aprovado no governo Temer acabou com as conquistas do trabalhismo”, disse Goulart. - Daniel Queiroz/ND


“A nossa trajetória política sempre foi pela reconquista do país para os brasileiros e isso implica muitas vezes em enfrentar certas con­dições do mercado que impedem o desenvolvi­mento social”, disse.

Para Goulart Filho, não há saída para o país sem um endurecimento com as instituições fi­nanceiras e a repactuação da dívida pública, ofertando aos credores percentual fixo do orça­mento para o pagamento do saldo devedor. “Nós entendemos que o lucro é um resultado da livre iniciativa e respeitamos, mas agora o Estado brasileiro pagar mais de 50% do seu orçamento para o mercado financeiro, com o nível dos juros como estão, é assassinar o povo”, afirmou.

Redistribuição tributária

Ele falou ainda em redistribuir a carga tri­butária do país, propondo que quem ganha mais pague mais tributos, e disse que sua pro­posta não prevê aumento da carga tributária, mas uma redistribuição. “Você não pode ter o mesmo nível de taxação para as mercadorias de consumo e ao mesmo tempo não taxar os lucros do sistema financeiro. Vamos redistribuir a car­ga financeira, não aumentar”, explicou.

E, claro, lembrou do pai, João Goulart, o Jan­go, e das reformas que não conseguiu colocar em prática por conta do golpe de 64, como as reformas agrária, do ensino e da saúde. Goulart Filho também citou Getúlio Vargas, que disse ser um dos maiores defensores dos trabalhadores. “Tudo isso que foi aprovado no governo Temer acabou com conquistas do trabalhismo. Nós va­mos revogar essa reforma”, finalizou.

Goulart Filho, que militou praticamen­te toda a sua vida pelo PDT, deixou o partido em 2017 para se filiar ao nanico Partido da Pá­tria Livre.

Luis Inácio Lula da Silva:
feitos de seu governo e críticas a Temer

  • Partido: PT
  • Nascimento: Caetés (PE)
  • Idade: 72 anos
  • Profissão: metalúrgico
  • Carreira política: presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista (1975), deputado federal (1986), presidente da República (2003-2011)

Preso desde 7 de abril em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Sil­va, pré-candidato pelo PT, fez sua ma­nifestação no painel Presidenciáveis, do Congresso de Prefeitos, por uma carta que foi lida pelo ex-prefeito de Osasco (SP) Emidio de Souza. O Partido dos Trabalhadores teve 15 minutos para ler a mensagem, a metade dos candidatos que se apresentaram pessoalmente. Na carta, Lula falou dos feitos de seu governo, criticou as políticas adotadas por Michel Temer (PMDB) e disse que é o único candidato capaz de resolver questões como o déficit fiscal e retomar os investimentos sociais e de infraestrutura.

Antes de iniciar a leitura do documento, Emidio de Souza, que é um dos fundadores do PT, manifestou o já conhecido posicionamento do partido sobre o processo que levou o ex-presi­dente ao cárcere a seis meses da eleição. “Eu sou o único não presidenciável que ocupa hoje essa tribuna. E o faço porque vocês sabem que quem deveria estar no meu lugar está preso injusta­mente em um processo sem provas”, afirmou.

O ex-prefeito de Osasco (SP) Emidio de Souza leu a carta do ex-presidente Lula - Daniel Queiroz/ND
O ex-prefeito de Osasco (SP) Emidio de Souza leu a carta do ex-presidente Lula - Daniel Queiroz/ND


Na carta, Lula se dirigiu aos prefeitos e fez paralelos com seus oito anos de governo, período em que segundo ele “todos foram atendidos sem discriminação”. “Aumentamos os repasses para os municípios. Criamos o Fundeb para ampliar o financiamento da educação. Demos apoio na merenda e no transporte escolar”, escreveu Lula.

Ações no ensino superior

Diferente dos discursos inflamados que fez durante as caravanas pelo país, quando quase sempre usava o espaço do discurso para criticar o processo da Lava Jato que o investiga ou para dizer às massas o quanto governou para os po­bres, ao Congresso Lula destacou os momentos que sua gestão teve com os setores produtivos. “Apoiamos a indústria, aumentamos o finan­ciamento para a agricultura e o apoio para os pequenos produtores”, disse.

Lula lembrou de sua passagem por SC, em março deste ano, e falou dos investimentos de seu governo no Estado. “Da Federal de Santa Catarina criamos campus em Araranguá, Blu­menau, Curitibanos e Joinville. A Universidade Federal da Fronteira Sul em Chapecó. Os Institu­tos Federais de Ensino, com 37 campus e 43 mil alunos no Estado. Fizemos o Minha Casa Minha Vida, o PAC e o Bolsa Família em parceria com o poder local”, destacou lembrando ainda da mor­te do ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo.

Por fim, Lula classificou a política de preços da Petrobras como “absurda” e disse que ex-pre­sidente da estatal, Pedro Parente, tornou o setor de refino ocioso, gerando prejuízos como a re­cente greve dos caminhoneiros.

 

Flávio Rocha:
o país precisa se livrar dos entraves

  • Partido: PRB
  • Nascimento: Recife (PE)
  • Idade: 60 anos
  • Profissão: Empresário
  • Carreira política: Deputado federal (1987 a 1995)

Empresário bem-sucedido na iniciativa privada, dono da rede de lojas Ria­chuelo, o pré-candidato à Presidência da República Flavio Rocha elogiou a economia de Santa Catarina e censurou o ra­dicalismo que existe no país na área estatal, como a ambiental, por exemplo.

“Nós estamos em Santa Catarina, um es­tado com uma clara vocação industrial. É ina­creditável que o Brasil teve 25% de PIB indus­trial nos anos 1980 e hoje esteja reduzido a pouco mais de 10%”, argumentou.

Rocha enfatizou a ausência de uma alter­nativa que apresente a fórmula da prosperi­dade com a democracia de livre mercado. En­tre elas, na área turística. Segundo ele, ainda existem muitos entraves na área ambiental para grandes projetos de turismo.

Empresário do setor varejista, que estreia na disputa presidencial, defende as privatizações para reduzir a dívida pública e mais projetos na área turística - Daniel Queiroz/ND
Empresário do setor varejista, que estreia na disputa presidencial, defende as privatizações para reduzir a dívida pública e mais projetos na área turística - Daniel Queiroz/ND


“A ideologização da bandeira do meio am­biente foi o principal ofensor ao ecossistema do meu Estado, o Rio Grande do Norte, quando 20 projetos turísticos foram banidos durante 10 anos por razões pretensamente ambientais”.

Segundo ele, esses projetos gerariam tal­vez 50 mil empregos e investimentos da ordem de R$ 11 milhões (dinheiro da época). “Justa­mente essas áreas, verdadeiros santuários ecológicos, não tiveram investimento adequa­do. Tendo em vista que um resort turístico é um guardião natural do meio ambiente. Tris­temente essas áreas estão sendo invadidas por pessoas excluídas pela crueldade do de­semprego”, opinou.

Recursos via privatizações

Outro setor que vem sofrendo ataques, de acordo com Rocha, é o agronegócio. “Nós temos a agricultura mais sustentável do pla­neta. Dois terços do território brasileiro estão intocáveis. Somos vítimas de ataques de todos os lados, ataques que carecem de verdade”.

O empresário defende as privatizações da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Em sua proposta de governo, calcula a redução da dívida pública com os recursos de aproximadamente R$ 600 milhões obtidos com as privatizações.

“Venho aqui para propor este grande pac­to para destravarmos o Brasil e destinarmos os recursos que estão indo para o ralo, para o buraco negro em Brasília desperdiçado em privilégios, para que possam pelas mãos com­petentes de nossos prefeitos transformar es­ses recursos em benefícios ao real usuário”.

Aldo Rebelo:
retomada é crucial

  • Partido: Solidariedade
  • Nascimento: Viçosa (AL)
  • Idade: 62 anos
  • Profissão: Jornalista
  • Carreira política: Vereador por São Paulo (1989 a 1991), deputado federal (1991 a 2011), ministro-chefe da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais (2004 a 2005), ministro dos Esportes (2011 a 2015), ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (2015) e ministro da Defesa (2015 a 2016)

Aldo Rebelo (Solidariedade) sustenta sua candidatura focado em três ei­xos: retormar o crescimento do país, reduzir as desigualdades e consoli­dar a democracia. A retomada econômica é, para ele, o ponto crucial que o próximo pre­sidente terá que enfrentar para conseguir avançar em todas as outras questões. “Ou o Brasil volta a crescer ou não tem solução para nenhuma de suas crises”, pontuou.

Por mais de 40 anos militando na esquerda pelo PCdoB, Rebelo teve uma rápida passagem pelo PSB e está, desde abril, no Solidariedade. No novo partido, o ex-ministro dos governos Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT) defende que é preci­so parar de dividir o país em diferentes níveis, inclusive em esquerda e direita. Rebelo disse se sentir grato pelo trabalho exercido em quatro ministérios nos governos petistas. “Torço para que o PT consiga êxito na sua tentativa na Jus­tiça de fazer de Lula candidato. Seria uma coisa importante para a democracia”, disse.

"Queremos propor um governo forte. Governo fraco no Brasil vai fracassar, como está fracassando este”, garantiu Rebelo. - Daniel Queiroz/ND


Na área econômica, defendeu a necessidade de o país apoiar os Estados exportadores, como Santa Catarina, como forma de driblar uma crise cambial, “que é quase uma realidade” no país. “O Brasil precisa de Santa Catarina para estimular e apoiar as potencialidades de Santa Catarina, como a agroindústria. Com a volta do crescimento, teremos a redução das desigualda­des”, salientou.

Ele defendeu a agricultura como o trunfo do Brasil perante outros países. “O Brasil é res­ponsável pela segurança alimentar de muitos países, é a fronteira agrícola mais promissora”, afirmou. Diante de um cenário tão fragmentado de pré-candidaturas, Rebelo diz que o momento do Solidariedade é de consolidar sua candidatu­ra: “Depois vamos pensar nas alianças”.

Para Rebelo, o Brasil vai ter a mais baixa renovação da história do Congresso, em torno de 20%. “O Brasil vive um momento de desorien­tação política, de confusão de rumos”, destacou.

Contrário à divisão

O pré-candidato do Solidariedade criticou a polarização que vive o Brasil em diferentes contextos, desde o político até a questões so­ciais. “É um país mestiço que está sendo dividi­do entre pretos e brancos. No gênero coloca-se como se a luta pela ascensão da mulher seja uma guerra de sexos. O Brasil não dará certo com este tipo de divisão. É preciso valorizar a mulher, combater o racismo e valorizar a de­mocracia, mas hoje vivemos o ódio que se es­palha pelas redes sociais”, disse.

João Amoêdo:
máquina cara ao país

  • Partido: Novo
  • Nascimento: Rio de Janeiro (RJ)
  • Idade: 55 anos
  • Profissão: Engenheiro e administrador de empresas
  • Carreira política: Nunca exerceu cargo político 

Desde que se lançou como pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República, João Dionísio Amoêdo reitera que se mantém com recursos próprios e sem usar dinheiro público. Pela terceira vez em San­ta Catarina nos últimos 90 dias, o ex-ban­queiro criticou a atual política econômica brasileira e defendeu a redução de assesso­res e privilégios na área pública.

“O Congresso custa R$ 29 milhões por dia. Temos um país disfuncional. O Brasil não funciona na educação, não funciona na saúde e na segurança deixa muito a de­sejar. Nossas contas públicas não fecham, apesar de trabalharmos 153 dias por ano só para pagarmos impostos. Alguma coisa está errada nesse contexto”, disse.

Na avaliação de Amoêdo, é preciso so­lucionar a alta concentração do Estado e descentralizar a administração e equili­brar as contas públicas. “Isso é uma forma de diminuir a corrupção e a ineficiência”. “É fundamental um novo pacto federati­vo”, afirmou.

"O Congresso custa R$ 29 milhões por dia. Temos um país disfuncional. Nossas contas públicas não fecham", afirmou Amoêdo. - Daniel Queiroz/ND


Sua proposta é reduzir o poder do go­verno central. “Não faz sentido, o Estado que tem pouca capacidade gerencial ad­ministrar postos de gasolina, instituições financeiras e Correios”.

Simplificação dos tributos

O pré-candidato do Partido Novo diz que pretende adequar o sistema tributário brasileiro à realidade das empresas brasi­leiras. “As empresas brasileiras tem uma carga tributária elevadíssima. O Brasil gas­ta muito tempo com burocracia para calcu­lar a carga tributária. Isso traz problemas de produtividade e insegurança jurídica. Dessa maneira, a gente nunca sabe se a lei está sendo cumprida. Precisamos fazer uma simplificação”.

Além da simplificação dos tributos, Amoêdo apoia o fim das desonerações para setores específicos da economia. É entusias­ta da privatização da Petrobras, Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal; e fa­vorável à Reforma da Previdência. Em con­trapartida, considera relevante a Reforma Trabalhista aprovada pelo governo federal.

A mulher, a advogada Rosa Helena, es­teve o tempo todo ao lado do marido. Ela, como Amoêdo, destaca a importância da renovação da política brasileira. O 1º Encon­tro Estadual do Partido Novo em Santa Ca­tarina foi realizado no dia 17 de março, na FIESC, em Florianópolis.

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