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Domingo, 23 de Setembro de 2018
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El Niño terá efeito intenso no Sul do Brasil a partir de novembro, afirma especialista

São esperadas chuvas acima da média na região e as temperaturas devem subir em todo o país

Redação ND
Florianópolis

Durante uma palestra em Florianópolis nesta quarta-feira (28), o professor alemão e especialista em aquecimento global, Donat-Peter Häder, afirmou que o fenômeno El Niño trará efeitos intensos para o Sul do Brasil a partir de novembro, assim como em todo o mundo. O profissional veio à Capital a convite da Secretaria de Assuntos Internacionais de Santa Catarina, que acompanha a evolução do El Niño para atuar na prevenção de possíveis tragédias.

Rafael Paulo/SAI/Divulgação/ND
O professor falou sobre as consequências que o El Niño pode provocar ainda este ano no mundo 

 

Apesar das fortes chuvas das últimas semanas, o especialista afirmou que os efeitos do fenômeno ainda não determinam as condições climáticas do Estado, mas serão sentidos em todo o mundo a partir do próximo mês.

Para a região Sul do Brasil, são esperadas chuvas acima da média. Na última vez em que o fenômeno esteve tão forte, registrou-se um aumento de 8 metros no nível do Rio Paraná. Por causa da atuação do fenômeno, o Norte do país e a região amazônica também sofrerão consequências e tendem a registrar um período mais seco, enquanto que as temperaturas médias ficarão mais altas em todo o país.

O professor acrescenta que as piores consequências do El Niño serão sentidas entre 2015 e 2016, período que o fenômeno provocará maior aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa da América do Sul. Desde julho, o aumento é de 1°C. “É o dobro do aumento da temperatura das águas do Pacifico Leste em relações ao fenômeno de anos anteriores. Normalmente, o aumento é de 0,5°C grau por três meses. Este será um super El Ninõ”, detalhou Häder.

De acordo com o especialista, no El Niño, as correntes levam as águas quentes da superfície do Oceano Pacífico da costa da Austrália para a da América do Sul. Desta forma, as águas frias que vêm do Sul do continente americano não conseguem subir das camadas mais profundas do oceano para a superfície, como acontece normalmente. Isso gera alterações de pressão que mudam a dinâmica do clima em todo o planeta. “Algumas pessoas acreditam que o El Niño é um evento regional, mas na verdade afeta toda a Terra”, destacou o pesquisador. No La Niña, fenômeno que sucede o El Niño, as mudanças são opostas, com as águas geladas tomando espaço no centro do Oceano Pacífico.

Aquecimento global

Segundo Häger, 2015 será o ano mais quente da história e esta é a 13ª vez que esse recorde é registrado nos últimos 15 anos. “Quando olhamos para o futuro, tudo depende do que estamos fazendo”, alertou o pesquisador. “Se não fizermos nada, continuarmos o que estamos fazendo, acabaremos com um acréscimo de 6°C na temperatura global em uma comparação entre hoje e a última era glacial”, completou.

O aquecimento global pode causar, por exemplo, mortes de espécies da vida marinha, eventos climáticos catastróficos mais frequentes e fortes, e problemas na agricultura com estiagens e elevação nos níveis do oceano. A extensão dos efeitos, segundo Häger, dependerá da quantidade de gases causadores do efeito estufa que continuaremos emitindo.

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