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Edifício em Palhoça usa novas tecnologias e arquitetura em favor do meio ambiente

Construído de forma sustentável, o Atrium Offices, na cidade Pedra Branca, reusa água e produz parte da energia que consome

Brunela Maria
Palhoça
02/12/2017 às 09H12

O dia é de calor. Faz 27 graus na Grande Florianópolis. O sol bate diretamente na fachada de vidro do Atrium Offices, no bairro Pedra Branca, em Palhoça. Na recepção e todo o primeiro andar o clima é ameno. Mas se engana quem pensa que um poderoso ar condicionado é responsável pela climatização do ambiente.

O Atrium é o edifício comercial com a maior classificação em sustentabilidade em Santa Catarina. Sua arquitetura permite a redução do gasto de energia elétrica com climatização e iluminação. Há ainda o uso racional de materiais e recursos naturais, o reuso de água, além da geração da própria energia, por meio de placas solares.

A engenheira Patrícia Philippi explica que a construção favorece a criatividade e o encontro entre colaboradores - Daniel Queiroz/ND
A engenheira Patrícia Philippi explica que a construção favorece a criatividade e o encontro entre colaboradores - Daniel Queiroz/ND


A fachada totalmente de vidro, segundo engenheira civil Patrícia Philippi funciona como se fosse uma pele. Olhando para o edifício, é como se ele estivesse sido construído dentro de outro prédio. As salas comerciais têm sacadas que mais parecem áreas de convivência, voltadas para o hall onde há paredes verdes, com plantas que também contribuem com a climatização do local. São 22 metros de um verdadeiro ecossistema verde, em duas paredes. “As sacadas das salas são como camarotes, para que as pessoas fiquem ao ar livre. Isso atendeu expectativas em networking, do encontro de pessoas, incentivando a criatividade. Podemos ver as pessoas trabalhando, interagindo”, explica Patrícia.

O investimento no edifício de sete andares foi de cerca de R$ 30 milhões. São 192 salas comerciais, de 32 a 54 m², projetadas para melhor aproveitar a luminosidade. O prédio capta água da chuva para irrigação do paisagismo e operações de limpeza. Contabiliza setorizadamente quanto cada departamento consome em energia e ainda mantém vagas especiais para carros com menos emissão de poluentes, bicicletário e chuveiros para quem optar por esse meio de transporte.

Ar renovado melhora a produtividade

A preocupação com o meio ambiente e com o bem-estar coletivo começou durante a construção do edifício. Segundo Patrícia, até a escolha do terreno precisou ser pensada com determinados critérios. O mesmo aconteceu com a definição dos materiais e das tecnologias de eficiência energética. “As obras tinham lava rodas, por exemplo. Quando os caminhões que entram rondam no terreno, antes de sair, para não sujar a rua, tinham suas rodas lavadas com água da chuva. Também temos controle de fumaça nas obras”, comenta.
A cura do concreto na estrutura, quando é necessário jogar água, foifeita com reuso de chuva. Há ainda um plano de gerenciamento de resíduos sólidos. A certificação Leed Gold, obtida pelo Atrium, por exemplo, exige 75% de reciclagem dos resíduos. Na Pedra Branca, o Atrium conseguiu ter 90%. As tecnologias também foram implantadas nos mínimos detalhes da obra, como nas tinturas à base da agua e até na colagem dos tapetes em alguns locais, com uso de cola específica sem poluentes.
“Temos uso racional da água. A instalação de vasos sanitários, mictórios, torneiras e chuveiros especiais geram uma economia de mais de 30% de água potável. Todas as salas possuem isso. O Leed também exige sistema de renovação do ar. Temos uma roda no topo do prédio, que faz a troca do ar viciado e injeta ar puro. É importante até para produtividade”, destaca.

Tecnologia solar

Placas na cobertura captam a luz do sol e transformam em energia - Daniel Queiroz/MD
Placas na cobertura captam a luz do sol e transformam em energia - Daniel Queiroz/MD



O Atrium Offices gera parte da energia que consome a partir de um sistema que capta os raios solares instalado na cobertura. São 100 placas fotovoltaicas, que garantem 5% do que o prédio necessita. Pouco, mas se trata de uma economia importante, segundo o engenheiro civil Ramiro Nilson, 46. Segundo ele, essa tecnologia tem avançado bastante, enquanto seu custo caiu. “O tempo de retorno tornou-se interessante. As pessoas estão aderindo mais e temos uma mudança de comportamento. Temos no mercado diversos tipos de painéis, até como rolos para aplicar em fachadas. No Atrium o investimento foi de R$ 130 mil e converte 14% da luz solar. Os valores abatidos equivalem à R$ 2 mil na conta de luz de um total de R$ 6 mil, ou seja, um terço da energia vem das placas”, comenta.

O engenheiro explica que antes da implantação é preciso ser feito um estudo. Na prática, o sol bate nas placas, gera uma corrente contínua, direcionada para o inversor de frequência que a transforma em corrente alternada. Mecanismos eletrônicos fazem a medição da quantidade produzida e assim, os valores são retirados da conta final de energia. Ele também destaca que além da energia renovável, o prédio mantém outros compromissos dentro do princípio sustentável, como no sistema de água e esgoto do bairro.

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