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Domingo, 23 de Setembro de 2018
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Economistas dão dicas de como proteger seu orçamento contra a crise que ronda a economia mundial

Cautela nos investimentos, corte de gastos e pagamento das dívidas fazem parte da "receita" dos especialistas

Redação ND
Florianópolis
Marcelo Bittencourt/ND
Tenfen diz que pagar as dívidas é o melhor investimento em fases de incertezas


Daniel Cardoso
Especial para o Notícias do Dia

As notícias sobre a economia no mundo estão longe de ser animadoras. Calote grego, crise na Itália e, para completar o pessimismo, os Estados Unidos assustam o mundo com sua dificuldade em colocar as contas em dia. Esse cenário deixa os brasileiros em alerta e aumenta as preocupações com as finanças pessoais. Especialistas ouvidos pelo Notícias do Dia afirmam que o momento não é de pânico, mas ressaltam a importância de redobrar a atenção.

Entre os conselhos, o principal é erguer um escudo financeiro para diminuir a força do impacto de uma eventual crise. Chegou a hora de fechar a mão, cortar gastos e poupar mais. Essa reserva extra poderá servir como colchão caso uma nova onda de desemprego passe por aqui.

“Quando se pensa em crise, é bom reduzir principalmente o gasto de longo prazo, naqueles em que se cobra muito juros, como cartão de crédito e cheque especial. Isso porque a tendência das taxas de juros é subirem quando a economia vai mal. Se não segurar agora, a pessoa enfrentará problemas mais para frente”, explica Joseane Borges de Miranda, coordenadora do curso de Economia da Unisul.

Em resumo, os brasileiros não podem cair no mesmo erro do governo americano: se endividar demais até ficar sem dinheiro para pagar os credores (veja infografia).

Para Ademir Tenfen, economista e professor da escola de negócios Traders em Ação, além de poupar e evitar gastos, outra dica muito importante é liquidar as dívidas atuais.

“O melhor investimento para aqueles que têm dívidas é pagar as dívidas. Assim, a pessoa poderá se programar melhor e terá mais dinheiro no caso de uma crise nos atingir”, afirma Tenfen.

Pense bem antes de investir
Com a economia global em crise, tome muito cuidado e pense bem antes de aplicar o dinheiro. Investimentos em bolsa de valores já são arriscados em condições normais, imagine em épocas turbulentas. Se quiser fazer essa aposta, vá com calma.

“A sugestão é investir pouco e só em empresas muito sólidas, com bom histórico e mais preparadas para enfrentar uma recessão global”, opina o professor Tenfen.

Mas a recomendação para quem tem algum dinheiro sobrando é seguir para as aplicações bem mais conservadoras, como a poupança. Nessa modalidade, o rendimento é baixo, mas muito seguro contra eventuais crises. Os fundos de renda fixa também se mostram boas opções.

“A subida dos juros melhora a rentabilidade dos fundos de renda fixa. É uma boa opção para a crise. Além de renderem bem, são bastante seguros”, aponta a professora Joseane.

Porém, antes de aderir a esses fundos, preste atenção às taxas de manutenção cobradas pelo banco ou corretora. Se forem muito altas, corroem o seu ganho. Também vale citar a opção em investir diretamente nos títulos do governo brasileiro. As compras podem ser feitas pela internet a partir de valores baixos, como R$ 200.

Outro cuidado é na hora de investir em imóveis. Primeiro porque exigem altos valores e os preços praticados na região de Florianópolis estão muito altos. A liquidez também é um problema por ser baixa, dificultando o resgate rápido para sanar algum problema financeiro pessoal que surja ao longo de uma crise.

Adie a realização de seus sonhos
Se a crise voltar a chacoalhar o mundo, todos serão atingidos de alguma forma, mas há aqueles que estão na linha de frente e sofrem o impacto mais rapidamente. Mas quem está na linha de frente? A resposta é simples: pessoas que atuam ou têm alguma relação direta com empresas de vocação exportadora. Isso porque a tendência é de queda no poder de consumo de americanos e europeus. Quando os estrangeiros compram menos dos brasileiros, as indústrias daqui passam a ter menos pedidos, a produção industrial cai e os gestores poderão até mesmo ter de dispensar funcionários, gerando desemprego. Se você depende da renda de uma exportadora, fique alerta.

“Aqueles que trabalham nas empresas exportadoras precisam ter ainda mais cautela nessa hora e serem disciplinados para cortar gastos e poupar mais, reduzindo o prejuízo no caso de uma demissão”, afirma Joseane.
Outra dica é adiar alguns sonhos por alguns meses. Comprar a casa própria ou o carro que estava planejado pode, muito bem, ficar para depois. Em vez de consumir, segure o dinheiro e espere a tempestade passar.

Defesa contra o calote
- Pague as dívidas. Use o dinheiro para despesas essenciais, como a educação. Dê preferência para quitar os crediários e a fatura do cartão de crédito
- Fuja das compras grandes, como carro ou casa. Refaça as contas e veja se há folga no orçamento. Só assim, você pode estar preparado para enfrentar uma possível crise e honrar o compromisso de uma grande aquisição
- Investimentos devem ser conservadores nesta época. Procure colocar o dinheiro em poupança, renda fixa ou títulos do governo brasileiro, por exemplo. Evite o mercado de ações. Mas se quiser se arriscar na bolsa, aplique pouco dinheiro e apenas nos papéis de empresas sólidas
- Guarde dinheiro e poupe um pouco mais do que o planejado para os tempo das vacas magras. Se houver uma nova onda de desemprego, esses recursos serão importantíssimos para atravessar a má fase
- Viajar é um sonho, mas também um luxo. No seu planejamento, dê uma margem no orçamento caso o dólar sofra alguma variação nos próximos meses, devido à turbulência global. Se puder, espere mais alguns meses antes de embarcar

Entenda a crise nos Estados Unidos
1- Quando a crise financeira eclodiu, em 2008, os Estados Unidos tiveram que entrar em uma gastança pública sem precedentes somada a uma redução acentuada da arrecadação de impostos. Isso ocorreu porque, para tentar aquecer a economia, o governo tirou dinheiro do caixa e o injetou em empresas privadas e públicas, aumentou o número de pagamentos do seguro desemprego e de outros benefícios sociais. Além disso, cortou impostos (arrecadando menos) na tentativa de segurar os preços dos produtos e estimular o consumo entre os americanos

2- Com pouco dinheiro em caixa, o governo precisou pegar dinheiro emprestado de outros países com o objetivo de pagar a dívida interna. Para fazer isso, emite os chamados títulos. Os títulos são uma espécie de nota que serve como garantia de que o país irá pagar o credor. Por exemplo: o governo chinês compra US$ 1 milhão em títulos do governo americano. Algum tempo depois, em uma data fixada, o governo americano devolve o dinheiro aos chineses acrescido de juros.

3- O problema é que os americanos emitiram tantos títulos que atingiram o teto permitido. Por lei, o governo pode chegar até US$ 14,29 trilhões, valor alcançado em maio e que irá ser ultrapassado em 2 de agosto. Quando a dívida passa desse montante, os pagamentos são suspensos (total ou parcialmente) e os países que emprestaram aos americanos ficam de bolsos vazios. A saída seria simples: mudar a lei e ampliar o teto da dívida. Mas o acordo entre políticos americanos se tornou uma missão mais difícil do que se imaginava.

4- Segundo os republicanos (oposição), o presidente Barack Obama precisa fazer cortes profundos nas despesas, incluindo os gastos com a saúde, que tem sido a grande bandeira de Obama desde a campanha eleitoral. Por outro lado, os governistas (democratas) afirmam que farão cortes nas despesas, mas de maneira cautelosa para não prejudicar ainda mais a população. Soma-se a isso o fator político. A oposição quer derreter a credibilidade de Obama para vencê-lo nas próximas eleições, marcadas para 2012.

5- Porém, mesmo elevando o teto da dívida não se resolve a questão central, que é a rápida deterioração dos números fiscais dos EUA. Até o final dos anos de 1990, a principal fonte de preocupação era o excesso de dinheiro no caixa do governo. De lá para cá, o país sofreu o atentado de 11 de setembro, gastou bilhões nas guerras do Iraque e do Afeganistão e ainda tenta se recuperar da crise de 2008, que levou o país à recessão, esvaziando de vez os bolsos dos americanos.

6- Se os Estados Unidos aplicassem o default (nome bonito para calote), vários países que compraram os títulos americanos ficariam sem receber o dinheiro, entre eles o Brasil, o quinto maior credor dos americanos. Com o calote, o governo brasileiro fica com menos recursos para aplicar internamente, o que levaria à redução drástica dos investimentos, financiamentos industriais e de casas próprias, por exemplo. Essa fórmula pode levar o país a um problema econômico drástico, desemprego e até mesmo recessão.

A crise na Grécia
Os gregos estavam passando por uma situação semelhante à dos Estados Unidos, mas em escala menor por causa da clara diferença de tamanho das economias entre os dois países. Para sair do problema, o parlamento da Grécia aprovou um pacote extremo de cortes de gastos e aumento de impostos – sob duros protestos da população. Tudo para agradar a Comunidade Europeia e o FMI, que prometeram emprestar bilhões de euros e renegociar a dívida com o país.

Em outros países da Europa latina, como Itália, Espanha e Portugal, também há preocupações. Mas, pelo menos por enquanto, a situação ainda não chegou ao limite.

 

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