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Terça-Feira, 11 de Dezembro de 2018
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Duas catarinenses entre brasileiros presos por protestos no Chile

Cerca de 150 brasileiros estão no meio de protestos e o Itamaraty busca uma solução para tirá-los do conflito

Redação ND
Florianópolis
R7.com/ND

Aumento nos preços do gás provocaram os protestos em Porto Natales

 

Um grupo de cerca de 150 brasileiros, incluindo duas turistas de Santa Catarina, tenta neste sábado (15) deixar a região sitiada no sul do Chile por protestos contra aumentos no preço do gás. Turistas e o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) informaram ao R7 que o governo local chegou a um acordo com os manifestantes para liberar o trânsito para a partida dos estrangeiros. Mas, segundo relato de uma brasileira, eles ainda não conseguiram furar o bloqueio.

 

Os brasileiros estão presos na cidade de Puerto Natales e no Parque Nacional Torres del Pine há uma semana, quando começaram as manifestações contra a subida de 16,8% no preço do gás anunciada pelo governo. Os manifestantes bloquearam estradas e o aeroporto de Puerto Natales, impedindo a saída de quem estivesse na cidade, a cerca de 3.000 km ao sul de Santiago.

 

As duas catarinenses são Simone Lissner e Regiane Baggenstoss. As dus saíram de Joinville para conhecer os parques da região. Terminaram presas em em Porto Natales. Do seu quarto de hotel, a médica Regiane contou ao R7 está há quatro dias presa na cidade, última etapa de um roteiro que realizava com a amiga pelo Chile. Segundo ela, os manifestantes deixaram os turistas entrar, mesmo já planejando o bloqueio, e agora os usam como "moeda de troca" nas negociações.

 

“Eles chegaram a aplaudir quando nós chegamos. A paralisação já estava prevista, mas ninguém nos alertou.”

 

Segundo a brasileira, as três saídas de Porto Natales estão totalmente fechadas, e quem se arriscou sair dos limites do município de carro pelas fazendas foram apedrejados. A única possibilidade que restou foi deixar a cidade andando, para cruzar a fronteira com a Argentina a cerca de 20 km, mas o clima de quase 0 ºC e as malas deixam a tentativa quase impossível.

 

“A orientação que recebemos da Cruz Vermelha, que foi chamada para ajudar na negociação, foi que ficássemos calmos e aguardasse uma resolução nos hotéis. Estamos pagando a diária do próprio bolso, e não tivemos nenhum tipo de ajuda.”

 

Enfrentando a escassez de alimentos, e sitiados no sul do Chile, Simone disse os brasileiros está à beira da exaustão. “Não aguentamos É muita pressão psicológica. A cada hora nos dão uma nova esperança.”

 

 

Acordo entre manifestantes e autoridades não surge efeito

 

Itamaraty disse ter sido informado pelo cônsul-honorário do Brasil na região, Marcio Vladimirdo Babaic, sobre o acordo entre autoridades locais e os manifestantes. E turistas brasileiros afirmaram terem sido orientados a fazer as malas. E grande parte deles já deixou os hotéis onde estavam hospedados.

 

Em São Paulo, familiares da fonoaudióloga Rita Mor, que está em Puerto Natales, dizem ter sido informado por ela que, apesar da notícia de um acordo, os turistas continuam retidos. Rita disse que o Exército chileno ainda estava alocando os turistas em ônibus e organizando uma escolta para furar o bloqueio.

 

Mais cedo, o gaúcho André Alberto Bergmann, que está desde o último domingo (9) retido em Puerto Natales, disse ao R7 que a Cruz Vermelha – que tem prestado assistência aos estrangeiros – e o governo do Chile estavam à frente da retirada.

 

Por e-mail, ele informou que os primeiros aviões sairiam de Puerto Natales ainda na tarde deste sábado com destino a El Calafate, na Argentina. “Aqueles turistas que estão de carro ou moto serão escoltados até a fronteira”, disse Bergmann.

 

Na manhã deste sábado, a Cruz Vermelha começou a fazer uma lista de turistas que teriam prioridade na partida. Segundo Bergmann, idosos, famílias com crianças pequenas, gestantes e pessoas doentes partiriam antes dos demais.

 

Os protestos contra o aumento do preço do gás levaram à renúncia do ministro da Energia, Ricardo Raineri. A medida revoltou a população, principalmente nessa fria região da Patagônia chilena, que precisa do combustível para o aquecimento das casas.

 

As manifestações também tiveram amplo apoio da população e dos comerciantes locais. Praticamente todos os estabelecimentos comerciais fecharam, incluindo os supermercados. E os restaurantes que se dispuseram a abrir para atender os turistas foram forçados a baixar as portas, sob ameaça de serem depredados.

 

 

Cônsul tenta ajudar brasileiros

 

A assessoria de imprensa do Itamaraty informou ao R7 que o Cônsul honorário em Punta Arena, Mario Vladimiro Babaic, está coletando informações sobre a situação dos brasileiros. O consulado pede para que eles entrem em contato pelo telefone 9643-0056 (ligação desde o Chile).

 

O Itamaraty diz estar tentando viabilizar o envio de dinheiro para prestar assistência aos que estão presos em Punta Arena.  Regiane, no entanto, diz que o grupo se sente desassistido com a ajuda prestada pelo governo até agora, e com a falta de informações. "Todos mandam e-mails dizendo para ficarmos calmos, mas não nos deram uma solução."

 

Chilenos são dependentes do gás natural na região

 

O anúncio da Empresa Nacional de Petróleo (Enap) de aumentar o preço do gás natural em 16,8% mobilizou os moradores da região de Punta Arenas, no Estreito de Magalhães. A área pobre e de clima frio no sul do Chile é extremamente dependente do gás, usado, entre outras coisas, para o aquecimento das casas.

 

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