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Drone é o novo aliado dos pescadores artesanais na captura da tainha em Florianópolis

Veículo aéreo não tripulado é a nova ferramenta dos pescadores de rede de arrasto na Barra da Lagoa. Segundo a Colônia Z-11, cerca de 25 toneladas foram pescadas desde o dia 1º de maio

Michael Gonçalves
Florianópolis
01/06/2018 às 20H58

Tudo começou com uma brincadeira, mas que deve virar realidade em algumas praias de Florianópolis. Os pescadores artesanais de um grupo denominado Saragaço, na Barra da Lagoa, estão capturando tainhas com o auxílio de um drone. O veículo aéreo que capta imagens participou de três pescarias, mas o patrão Laurentino Benedito Neves, o Chinho, 55 anos, confirmou a intenção de comprar o equipamento eletrônico operado a distância. Apesar da novidade, a tainha ainda não chegou em quantidade. Segundo o presidente da Colônia Z-11, José Frutuoso Goês Filho, o Zequinha, apenas 25 toneladas de tainha foram pescadas desde o dia 1º de maio no Estado. Os pescadores aguardam a chegada da frente fria e do vento sul para o cardume subir da Lagoa dos Patos (RS) até o litoral catarinense.

Laurentino Benedito Neves vem utilizando um drone auxiliar a pesca de tainhas - Marco Santiago/ND
Laurentino Benedito Neves vem utilizando um drone auxiliar a pesca de tainhas - Marco Santiago/ND


Chinho contou que a brincadeira de utilizar o drone foi de um vigia, que é o responsável em avistar o cardume e avisar os companheiros. “Um dos vigias chamou um amigo que é dono de um drone na brincadeira e o resultado foi espetacular. O equipamento deu a posição correta do cardume, mas não conseguimos pegar um lanço maior em função da ressaca das semanas anteriores, que deixou a praia cheia de buracos”, contou o patrão do Saragaço.

Somente os pescadores de rede de arrasto da Barra da Lagoa capturaram três toneladas do pescado nesta temporada. Pelo menos a metade foi pescada com o auxílio do drone. Voando a 40 metros de altura, o equipamento faz o acompanhamento do cardume e, segundo os próprios pescadores, será uma ferramenta imprescindível nas próximas safras.

Apesar das vantagens do drone, o vigia ainda tem vida longa na pescaria da tainha. “O vigia não será substituído, porque precisamos de algumas informações que o drone não tem como repassar. O conhecimento de como fazer o cerco é uma das funções dos vigias. Mesmo assim, o nosso grupo deve adquirir um equipamento nesta ou na próxima temporada, porque temos acessos a lugares que o olho humano não alcança”, disse Chinho.

25 toneladas capturadas no primeiro mês

A ideia do drone para auxiliar na captura da tainha ocorreu em função da baixa quantidade pescada no primeiro mês. Historicamente, os pescadores conseguem capturar a tainha até o mês de julho, em função do clima frio. José Frutuoso Goês Filho, o Zequinha, que também faz parte da Comissão da Tainha dos Estados da Região Sul, a pesca este ano ainda é bem abaixo do esperado.

No ano passado, segundo a Fepesc (Federação dos Pescadores de Santa Catarina), foram capturadas 1.780 toneladas de tainha pela pesca artesanal. A pesca envolve mais de 20 mil pessoas no litoral catarinense.

“Até agora conseguimos pegar apenas 25 toneladas de tainha, porque a condição climática não contribui. Isso é pouco pelo que estamos acostumados a capturar. Ainda estamos aguardando a chegada da frente fria. Avistaram uma ponta de peixe no Sul do Estado, mas os cardumes voltaram para Torres (RS)”, disse Zequinha. O presidente da Colônia Z-11 também defende a utilização de drone pelos pescadores artesanais, “porque é uma ferramenta para contribuir para aumentar a renda desses trabalhadores”.  

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