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Dono de time amador de Florianópolis identifica as vítimas do voo da Chape na Colômbia

Necropapiloscopista trabalhou durante 20 horas seguidas ao lado de dois agentes da Polícia Federal para identificar os corpos dos 64 brasileiros, entre os 71 mortos

Michael Gonçalves
Florianópolis
01/12/2016 às 21H54

Apaixonado por futebol e dirigente de uma equipe amadora no bairro Carianos, em Florianópolis, coube ao necropapiloscopista Ruy Fernando Garcia, do IGP (Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina), identificar os corpos dos atletas da Chapecoense, dirigentes e jornalistas vítimas do desastre aéreo em Medellín, na Colômbia, na terça-feira (29). Ele trabalhou durante 20 horas seguidas ao lado de dois agentes da Polícia Federal para identificar os corpos dos 64 brasileiros, entre os 71 mortos. Fã de vários atletas, o necropapiloscopista informou que o respeito aos corpos é o procedimento mais importante.

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Ruy (d) e os policiais federais que auxiliaram na identificação dos 64 brasileiros - Divulgação/ND
Ruy (d) e os policiais federais que auxiliaram na identificação dos 64 brasileiros - Divulgação/ND


Antes do acidente, Ruy estava pesquisando os valores dos voos e dos hotéis em Curitiba (PR) para ver a Chapecoense na final da Copa Sul-Americana na quarta-feira (7). “Difícil acreditar que em um dia eu estava cotando preços para ver um jogo deles e no outro estava aqui trabalhando no reconhecimento. Todos foram identificados pelas digitais, mas consegui reconhecer alguns somente pela fisionomia”, revela o servidor da SSP (Secretaria de Segurança Pública).

Ruy foi policial civil por 18 anos, antes de ser tornar papiloscopista nos últimos 14 anos. Acostumado a trabalhar em tragédias particulares, como afogamentos, acidentes e assassinatos, ele estava preparado para atuar no pior momento do esporte brasileiro. Dos 77 passageiros do voo da empresa LaMia, da Bolívia, apenas seis pessoas sobreviveram.

“Quando fiquei sabendo do acidente pela imprensa, começamos a reunir os prontuários digitalizados das vítimas brasileiras. Quando cheguei ao IML de Medellín, trabalhei com o auxílio de dois policiais federais por 20 horas, parando apenas para lanchar. Nesta situação, o principal é manter o respeito pelos corpos que foram ceifados dos sonhos profissionais e pessoais”, avalia.

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Ruy viajou com o secretário de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond Vieira.

 

Papiloscopista trabalha com o esporte há 20 anos

Formado em educação física, Ruy Garcia começou com uma escolinha de crianças no bairro Carianos há 20 anos. Os meninos cresceram e o pressionaram a colocar um time adulto para disputar os campeonatos oficiais de Florianópolis: o Garcia Esporte e Lazer. Ele também foi treinador da Seleção Catarinense de Beach Soccer e do time feminino do Avaí, mas antes comandou os times do Cachoeira e do Comercial no Campeonato do Norte da Ilha.

“Sou torcedor do Avaí e um apaixonado pelo esporte. Difícil é rever o Cleber Santana, que sempre foi um ídolo da torcida avaiana, vítima de um acidente desta grandeza. Por outro lado, a solidariedade do povo colombiano ficará marcado para sempre na minha memória, assim, como o empenho das autoridades e dos funcionários do IML que trabalharam 48 horas sem parar”, revela.

Ruy é natural de Tubarão, no Sul do Estado.

Ruy Garcia (e) tem ligação com o esporte há mais de duas décadas - Arquivo Pessoal/ND
Ruy Garcia (e) tem ligação com o esporte há mais de duas décadas - Arquivo Pessoal/ND



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