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Dólar fecha a semana em baixa e chega a R$ 4,05, a menor cotação em um mês

Enquanto isso, a Bolsa subiu com força e voltou a 79 mil pontos

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
21/09/2018 às 21H04

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A leitura, a partir de pesquisas divulgadas nos últimos dias, de que Jair Bolsonaro (PSL) se consolida rumo ao segundo turno e candidaturas de esquerda avançam em ritmo menos intenso ajudou o dólar a fechar a semana em baixa e levou a Bolsa aos 79 mil pontos.

Dólar - Agência Brasil/Divulgação/ND
Dólar - Agência Brasil/Divulgação/ND


O dólar comercial recuou 0,68% nesta sexta-feira (21), para R$ 4,048, menor cotação desde 21 de agosto, quando fechou a R$ 4,039. Na mínima da sessão, chegou a R$ 4,03. Na semana, acumula queda de 3%.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas no Brasil, subiu 1,70%, para 79.444 pontos nesta sexta. O índice fecha a semana com ganho de 5,3%, o segundo melhor desempenho semanal no ano.

Os operadores apontam que o susto com a pesquisa Ibope de terça-feira (18), que mostrou Fernando Haddad (PT) avançando 11 pontos, de 8% para 19%, não foi inteiramente confirmado por levantamentos subsequentes. No Datafolha de quinta (20), o ex-prefeito atingiu 16% das preferências, três pontos a mais do que na semana passada, mesmo percentual apresentado pela pesquisa da corretora XP nesta sexta.

No Ibope, no Datafolha e na última pesquisa da XP, Bolsonaro avançou para 28% das intenções de voto. "Além do crescimento gradativo de Bolsonaro, o avanço de Haddad parece mais limitado. Aqueles 19% assustaram, mas a leitura agora é de que seja algo entre 16% e 17% em média", diz o operador Cleber Alessie, da H.Commcor. Ele destaca ainda que Ciro Gomes (PDT) parece ter perdido fôlego, o que agradaria ao mercado, porque o candidato é visto como um nome mais forte para barrar Bolsonaro em um segundo turno.

No Datafolha, Ciro aparece estagnado com 13%, tecnicamente empatado com Haddad na margem de erro de dois pontos percentuais. Mas simulações para segundo turno mostram que Ciro é o único candidato que venceria todos os rivais. Investidores começaram, assim, a reduzir posições que apostavam na alta da moeda americana, mesmo que isso signifique amargar prejuízo.

"Era claro que Lula transferiria votos para Haddad, mas talvez essa troca tenha ficado abaixo do que o mercado precificou, então investidores estão devolvendo hedge [proteção cambial], enxugando posições defensivas. Quando o investidor tem uma expectativa ruim, ele 'vende Brasil', isto é, vende ação, vende real e compra dólar. Quando sente algum alívio, 'recompra Brasil', ou seja, vende dólar e compra real e Bolsa", explica Alessie.

Bolsonaro não era, a princípio, o candidato preferido do mercado, posto creditado a Geraldo Alckmin (PSDB). Com o desempenho frustrante do tucano nas pesquisas, porém, investidores começaram a mirar a candidatura de Bolsonaro e, mais especificamente, o economista de sua campanha, o liberal Paulo Guedes.

"Para onde o mercado vai amanhã ou depois é menos relevante ao investidor. No longo prazo, o que ele quer é um país que esteja na direção do desenvolvimento. Precisamos que a eleição defina quem será capaz de promover esse crescimento, é essa indefinição que o mercado aguarda", avalia Roberto Serwaczak, responsável pela área de equities do Citi América Latina.

O movimento local desta sexta ganhou impulso extra com o tom positivo no exterior, mais favorável a moedas emergentes e com recordes em Wall Street.

Das 24 principais moedas emergentes, 15 se valorizaram em relação ao dólar. O Dow Jones, principal índice de Nova York, subiu 0,32%, a 26.743,5 pontos, atingindo nova máxima de fechamento.

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