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Dnit promete fechar galeria pluvial utilizada por moradores de rua em Florianópolis

Delegacia de Desaparecidos cadastrou 35 pessoas e as duas que aceitaram realizar o teste rápido da sífilis receberam o diagnóstico positivo. Obra pretende afastar essa população da região

Michael Gonçalves
Florianópolis
26/04/2018 às 18H02
Galeria pluvial que passa a céu aberto é o local preferido para as pessoas em situação de rua usar drogas - Daniel Queiroz/ND
Galeria pluvial que passa a céu aberto é o local preferido para as pessoas em situação de rua usar drogas - Daniel Queiroz/ND


Em mais uma ação para identificar as pessoas em situação de rua e de limpeza no viaduto da Via Expressa (BR-282) sobre a Rua Josué Di Bernardi, na divisa entre Florianópolis e São José, na manhã desta quinta-feira (26), 35 pessoas foram cadastradas pela Delegacia de Desaparecidos da Polícia Civil. Dessas pessoas em situação de rua, ninguém aceitou internação ou ser encaminhado para um abrigo. Apenas duas pessoas aceitaram realizar o teste rápido para doenças infecciosas e o resultado foi positivo para sífilis para ambos. A novidade foi a promessa do engenheiro Névio de Carvalho, chefe de operações do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), que confirmou o projeto para fechar a galeria pluvial sob a rodovia federal.

A iniciativa do promotor Daniel Paladino, do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), também contou com a presença da Polícia Militar, da Comcap (Autarquia de Melhoramentos da Capital), das guardas municipais dos dois municípios, dos agentes de saúde e do secretário do Continente de Florianópolis, Edson Lemos, e da secretária de Segurança, Defesa Social e Trânsito de São José, delegada Andrea Pacheco. Todas as pessoas em situação de rua foram identificadas civilmente e receberam atendimento médico.

Em conversa com o promotor Daniel Paladino, o engenheiro Névio de Carvalho falou sobre o projeto para fechar a galeria pluvial que passa a céu aberto e é o local preferido para as pessoas em situação de rua usar drogas. “Temos um projeto para fechar a galeria dos dois lados da Via Expressa. Serão duas caixas de concreto com mais de oito metros de comprimento. Será um custo inferior a R$ 100 mil, que deve entrar no novo contrato de manutenção que estamos firmando”, afirmou o chefe de operações do Dnit.

Daniel Paladino acredita que a área, atualmente utilizada como espaço para separação de lixo das pessoas em situação de rua, pode ser revitalizada pelo poder público em parceria com a iniciativa privada. Segundo o delegado Wanderley Redondo, da delegacia de Desaparecidos, já foram cadastradas mais de 480 pessoas em situação de rua em Florianópolis.

Iniciativa foi do promotor Daniel Paladino, do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) - Daniel Queiroz/ND
Iniciativa foi do promotor Daniel Paladino, do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) - Daniel Queiroz/ND



Agentes de saúde confirmam dois casos de sífilis

Das 35 pessoas abordadas, entre homens e mulheres, na manhã desta quinta-feira (26), apenas duas aceitaram fazer o teste rápido contra doenças infecciosas. Segundo a diretora de Atenção Primária à Saúde de São José, Fabrícia Martins, os testes deram positivo para sífilis e negativo para o HIV.

“A maioria dos problemas de saúde estão relacionados a infecção de pele, ferimentos infeccionados e cortes. Também realizamos os testes rápidos em duas pessoas, que deram positivo para a sífilis, que já é uma epidemia nacional. A sífilis é de fácil tratamento, durante três semanas, mas as pessoas consideram como uma doença que não é grave, mas ela pode provocar a cegueira e também prejudica a situação óssea dos infectados”, comentou a diretora.

Os agentes também identificaram grávidas que não realizam o pré-natal. As mulheres nessa situação foram encaminhadas à unidade de saúde, assim como os homens com problemas médicos.

Segundo o gerente de remoção da Comcap, Ricardo Nunes, a empresa utilizou 10 pessoas e três equipamentos de grande porte para recolher seis toneladas de resíduos volumosos.

Grávidas e pessoas com problemas de saúde foram encaminhadas a unidades para atendimento - Daniel Queiroz/ND
Grávidas e pessoas com problemas de saúde foram encaminhadas a unidades para atendimento - Daniel Queiroz/ND




Quatro meses na rua com cachaça e “pedra”

Aos 57, o pedreiro Vilmar Souza de Jesus é uma das pessoas em situação de rua que está há menos tempo na rua. Ele informou que está vivendo sob o viaduto da Via Expressa, na Rua Josué Di Bernardi, há quatro meses. Pai de seis filhos, o pedreiro virou catador de papelão e de latinhas nas ruas de Florianópolis e de São José.

Natural de Campo Belo do Sul, na Serra Catarinense, Vilmar residia no bairro Monte Cristo há mais de 20 anos. “Minha história é muito longa, mas o resumo é uma traição familiar. Hoje ando pelas ruas atrás de dinheiro para a cachaça e a ‘pedra’ de crack. Não preciso de clínica para me recuperar, porque depende da minha vontade”, comentou o pedreiro.

Para o comandante do 22º BPM, tenente-coronel Sandro Cardoso da Costa, a região reúne usuários de drogas que cometem pequenos crimes. “O objetivo é urbanizar essa área que é dominada pelas pessoas em situação de rua, com ações sociais e de recuperação desses indivíduos”, afirmou.

A secretária de Segurança, Defesa Social e Trânsito de São José, Andrea Pacheco, acrescentou que os pequenos crimes são os que mais incomodam os cidadãos. “Temos um grande número de furtos de cabos, que geram um grande custo à sociedade. As ocorrências as residências também incomodam. Já a GMSJ faz o monitoramento do lixo dessas pessoas e, por isso, o lado josefense é mais limpo”, destacou.

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