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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Acordo político tira Márcio Zimmermann e leva Djalma Berger à presidência da Eletrosul

Indicado pelo irmão, o senador Dário Berger, o ex-prefeito de São José substituirá o atual comandante, que deve assumir a presidência da Eletrobras

Stefani Ceolla
Florianópolis

A indicação do ex-prefeito de São José Djalma Berger (PMDB) para substituir Márcio Zimmermann (PMDB) na presidência da Eletrosul ganhou força depois de uma reunião em Brasília na última terça-feira. A questão é pauta de debate desde o início do ano, já que o senador Dário Berger (PMDB), irmão de Djalma, havia recebido a garantia de que o familiar seria nomeado diretamente pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB).

Arquivo/ND
Zimmermann (à esq.) iria para a Eletrobras, enquanto Djalma ficaria na Eletrosul

 

O acordo, até então, não havia sido cumprido. Em abril, mesmo com a possibilidade de Djalma assumir o cargo, Zimmermann, engenheiro de carreira da estatal e ex-ministro de Minas e Energia, foi conduzido à presidência pelo conselho de administração da Eletrosul. As negociações, no entanto, não encerraram.

Na terça-feira, Zimmermann esteve reunido em Brasília com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), e representantes do PMDB e PT catarinense. No encontro, foi discutida a possibilidade de Zimmermann assumir a presidência da Eletrobras, abrindo espaço para que Djalma seja nomeado na Eletrosul. Claudio Vignatti (PT), presidente estadual da sigla, e o ex-deputado estadual Jailson lima (PT) assumiriam diretorias na estatal catarinense.

O deputado federal Décio Lima (PT), que participou do encontro, conta que as mudanças foram discutidas, mas não confirmadas. “A agenda foi bem positiva nesse sentido”, pondera. Décio salienta que o ministro trata do assunto de “forma delicada”, já que os nomes indicados precisam ser aprovados pelos conselhos administrativos tanto da Eletrosul quanto da Eletrobras. As nomeações devem ser confirmadas na semana que vem, depois de uma reunião da Eletrobras.

Zimmermann e Djalma não se pronunciaram sobre o assunto. Para os envolvidos, a negociação é dada como provável, mas não como garantida. “A presidência da Eletrosul ficou do PMDB. Vão substituir o Zimmermann pelo Djalma, mas não é certo ainda”, pontua Vignatti. Sobre ter um cargo na estatal, o petista despista. “Sou gato escaldado demais para não ter medo de água. Só acredito depois que acontecer”, avalia.

Nomeação depende do conselho

Diretor administrativo da Eletrosul, o ex-governador Paulo Afonso Vieira (PMDB) explica que o processo para a nomeação do novo presidente da estatal é complexo. “O estatuto diz que, para ser presidente, tem que ser membro do conselho de administração”, afirma. Para que o indicado chegue ao conselho, a Eletrobras envia um comando à Eletrosul orientando que seja convocada assembleia geral. A convocação tem que ser feita por meio de edital publicado em jornal de grande circulação e no “Diário Oficial”. O documento dá o prazo de oito dias para a realização de assembleia e especifica a pauta, que, no caso, seria a eleição de integrantes do conselho. “A assembleia elege a pessoa indicada para membro do conselho. Feita a eleição, o conselho se reúne e elege o presidente”, completa Paulo Afonso.

O comando inicial da Eletrobras, que abriria todo o processo, ainda não foi enviado. “Eu desconheço que até esse momento tenho chegado esse comando”, afirma o diretor. Paulo Afonso esclarece ainda que o mesmo procedimento precisa ocorrer na Eletrobras para que Márcio Zimmermann assuma a presidência da estatal, abrindo espaço para Djalma Berger. Portanto, pelo menos dentro da próxima semana, a mudança não deve ocorrer.

Como vice-presidente do PMDB de Santa Catarina, Paulo Afonso tem acompanhado o debate em torno da nomeação de Djalma. “Sei que havia sido feita uma indicação dele antes, mas o que sei hoje é pela imprensa. Se houve uma confirmação oficial, eu desconheço”, ressalta.

QUEM É QUEM

Márcio Zimmermann

- É formado em engenharia elétrica, pós-graduado em engenharia de sistemas elétricos e tem mestrado em engenharia elétrica.

- Foi ministro de Minas e Energia em 2010 e até abril deste ano exercia o cargo de secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia.

- É funcionário da Eletrobras/Eletrosul desde 1980. Foi diretor de Produção e Comercialização e diretor técnico na década de 1990.

- Substituiu Eurides Mescolotto (PT), comandante da Eletrosul nos últimos sete anos.

- A indicação de Zimmermann partiu da presidente Dilma Rousseff (PT). Ele tem prestígio junto aos técnicos e empresários do setor.

Djalma Berger

- É formado em administração e engenharia civil e iniciou a carreira na área atuando na Eletrosul, mas focou na política.

- Foi deputado estadual de 2003 a 2007, deputado federal de 2007 a 2009 e prefeito de São José de 2009 a 2012. Neste período, foi alvo de polêmicas e processos.

- Em 2013, foi condenado a oito anos de inelegibilidade por uso da máquina pública na campanha à reeleição. O MPE (Ministério Público Eleitoral) acusou-o de obrigar servidores a participarem de atos de campanha durante o expediente.

- Em 2014, Djalma foi condenado a pagar multa de R$ 31.923 por abuso de poder político e captação ilícita de votos. Na ocasião, a Justiça ainda confirmou sua inelegibilidade por oito anos.

- Para a presidência da Eletrobras, seu nome é uma indicação política.

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