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Dívidas, atrasos, austeridade: o turbilhão da primeira semana do governo Gean Loureiro

Dívidas, salários atrasados e austeridade marcam os primeiros dias do governo Gean Loureiro (PMDB)

Fábio Bispo
Florianópolis
06/01/2017 às 21H46

A semana foi de descobertas não tão agradáveis, de demonstrações de austeridade e tensão com os servidores do município. Declarando ter uma dívida de R$ 500 milhões a pagar, Gean Loureiro (PMDB) começou o seu governo cheio de provações: contingenciamento, corte de vencimentos acima do teto, salários dos servidores atrasados, dívidas com fornecedores e com a previdência.

E o novo prefeito de Florianópolis já anunciou que antecipará para a próxima quarta-feira (11) o pacote de medidas que deveria ser enviado à Câmara em fevereiro. “Diante da situação, eu não tenho alternativa”, afirmou. O pacote de medidas poderá ser votado em sessão extraordinária, mas ainda depende da aprovação dos vereadores.

Gean esteve presente em operação tapa-buraco - Marco Santiago/ND
Gean esteve presente em operação tapa-buraco - Marco Santiago/ND


Nesta sexta-feira (6), Gean também anunciou o pagamento dos salários atrasados dos inativos até o limite de R$ 3.500, o que resolve parte dos seus problemas. Isso porque os salários dos ativos também não foram pagos integralmente e os trabalhadores prometem greve se os valores não forem depositados até terça-feira (10).

Se não bastasse, a dívida do município, que chegou a ser declarada em torno de R$ 80 milhões pelo ex-prefeito Cesar Souza Júnior (PSD), parece bem maior do que o anunciado e pode chegar a R$ 1,78 bilhão, segundo Gean. “As dívidas de curto prazo somam R$ 500 milhões”, disse.

Mesmo assim, Gean tem demonstrado entusiasmo em comandar o município, e promete um governo de austeridade e gestão. “Foi uma semana de descobertas. Neste momento precisamos de paciência e compreensão da população para tomarmos as medidas necessárias. Mas vi que é possível fazer muita coisa. Inicialmente, vamos apertar o cinto e aos poucos as coisas vão encaixando”, afirmou.

Parceria para resolver o trânsito

Entre as primeiras medidas do novo governo está a parceria entre a Guarda Municipal e a PMRv (Polícia Militar Rodoviária), que vão se unir para operar em conjunto nas rodovias estaduais e vias municipais. Neste sábado, às 9h, as duas instituições dão início a uma operação educativa no pedágio desativado da SC-401, em Santo Antônio de Lisboa. A intenção é iniciar com a prevenção contra o álcool e o uso do celular no trânsito. As duas instituições abordarão veículos com informativos, inclusive em espanhol, e dicas de segurança no trânsito. As ações fazem parte da Operação Floripa Legal, deflagrada pelo prefeito Gean Loureiro no primeiro dia de mandato, visando uma manutenção de toda a cidade e o cumprimento da legalidade.

Gean também anunciou que o município vai intervir na SC-405, que dá acesso ao Sul da Ilha, promovendo a requalificação da via com a retirada das lombofaixas, que segundo a PMRv estariam atrapalhando o fluxo de carros. “Vamos tirar e depois eu me acerto com o governador”, disse o prefeito.

Assembleia que decidiu pelo estado de greve foi realizada na tarde desta quinta-feira - Sintrasem/Divulgação
Assembleia de servidores decidiu pelo estado de greve na quinta-feira - Sintrasem/Divulgação



Prefeito quer ampliar arrecadação sem aumentar impostos

A arrecadação do IPTU em cota única recolheu R$ 140 milhões, uma queda de 30% em relação a 2016. Gean Loureiro promete dividir os recursos para serem usados ao longo do ano e somente parte do valor arrecadado (R$ 12 milhões) deve ser utilizada para complementar o pagamento dos atrasados dos servidores.

No entanto, a arrecadação do município está aquém da previsão de gastos. “Temos uma previsão de receita de R$ 1,3 bilhão em 2017, só a folha de pagamento chega quase isso. Precisamos ampliar a arrecadação sem aumentar impostos e taxas”, afirmou.

Para oxigenar o caixa do município, o prefeito promete buscar formas de cobrar a dívida ativa do município (R$ 1,4 bilhão) firmando parcerias com instituições que possam promover financiamentos. Gean não descarta também reenviar à Câmara novo projeto para securitização da dívida, que pode transferir à instituição financeira o direito de cobrá-la. “Não descartamos essa opção para capitalizar o caixa do município”, disse.

“Não vou negociar com trabalhadores em greve”, diz prefeito

O principal ponto de tensão neste início de governo deve ser travado com os servidores. Com assembleia marcada para quarta-feira, os trabalhadores prometem bater de frente com o novo prefeito.

Gean contesta a possibilidade de greve e promete interromper o diálogo com os servidores caso a paralisação seja deflagrada. “Eu não tenho como pagar todos os salários até o dia 10. Temos que garantir a folha de janeiro. Não tem nexo os servidores quererem parar logo no início do governo por uma dívida que foi herdada do governo passado. Eles que parassem antes então. Não vou negociar com trabalhadores em greve”, desafiou.

NÚMEROS DA PREFEITURA

Folha de pagamento: R$ 62 milhões/mês

Inativos: R$ 9,4 milhões/mês

Aluguéis de imóveis: R$ 13 milhões

Previsão de receita: R$ 1,3 bilhão

Dívida ativa: R$ 1,4 bilhão

Dívida do município: R$ 1,7 bilhão (R$ 500 milhões com vencimento a curto prazo)

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