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Diante da escassez momentânea da tainha, preços ainda não agradam consumidores da Capital

Funcionário do Mercado Público fala sobre as diferenças da tainha e do parati, que possuem diferentes especialidades de preparo

Colombo Souza
Florianópolis
17/05/2018 às 22H45

As tainhas ainda não chegaram em grandes cardumes na Costa catarinense. Os lanços não passaram de 700 unidades – a captura de 20 mil peixes no Pântano do Sul, na última terça-feira (15), era de paratis e tainhotas, ambos da família da tainha, que tem cerca de 80 espécies. Por conta da escassez momentânea - a previ­são é que o peixe mais esperado do outo­no/inverno chegue com fartura nos pró­ximos dias, dependendo das condições climáticas -, o preço ainda não agrada os consumidores.

Tainha (à esq.) é a mais aguardada pelos consumidores, mas é o parati (à dir.) que chegou em maior número - Marco Santiago/ND
Tainha (à esq.) é a mais aguardada pelos consumidores, mas é o parati (à dir.) que chegou em maior número - Marco Santiago/ND


No Mercado Público, o quilo de tai­nha sem ova está sendo vendido a R$ 12. E com ova, a R$ 18.

Funcionário de uma peixaria no Mer­cado, Ricardo Alexandre Marco, 43, que trabalha há 26 anos com pescados, expli­ca a diferença entre tainha e parati. "O pa­rati tem uma mancha amarela localizada na parte inferior da cabeça. A tainha não apresenta esta marca. Além disso, o para­ti pesa cerca de meio quilo e a tainha ova­da pode chegar a três quilos”, disse.

Marco também explicou que o parati vive no mar de dentro e a tainha no mar de fora. “Mas os dois peixes são saborosos”, garantiu.

Cada um deles tem sua especialidade de preparo. “O parati é servido frito. Já a tainha pode ser feita de várias maneiras: assada na brasa e escalada, frita, assa­da no forno, assada no fogo de chão, na praia, depende da criatividade”, ensinou.

Segundo o Tainhômetro – um conta­dor on-line que contabilizou, ao longo do período da safra, a produção de tainha em Santa Catarina, a partir de dados coleta­dos de pescadores industriais e artesanais -, no ano passado foram capturadas mais de 3.400 toneladas de tainhas. O Tainhô­metro foi criado pela ONG Oceana e serve para medir com precisão a quantidade do pescado capturado ao longo da safra, que começou no dia 1º de maio.

Marcelo espera por grandes lanços nos próximos dias - Marco Santiago/ND
Marcelo espera por grandes lanços nos próximos dias - Marco Santiago/ND

Pescados são comparados a iguarias de outros Estados

Enquanto as mantas de tainha não chegam às praias, os peixeiros do Mercado Público contam histórias de pescador e fazem até comparação com outras iguarias, como brinca o empresário Marcelo Jacques, 48 anos: “A tainha está para os catarinenses como o chimarrão e a carne estão para os gaúchos”. Há mais de 20 anos trabalhan­do em peixarias, Jacques tem experiência de sobra para falar sobre o Mercado e a corrida dos con­sumidores às peixarias. “É só acontecer um lanço bom de 5 mil a 10 mil unidades na praia que os apreciadores correm para o Mercado”, contou.

Nas peixarias, a procura pela tainha ainda é baixa. A professora aposentada da UFSC (Uni­versidade Federal de Santa Catarina), Hella Hart­mann, 70, foi ao Mercado para satisfazer a gula de um amigo espanhol, de Barcelona, hospedado na casa dela. Comprou quatro quilos de tainha e uma dúzia de ostras para não deixar o colega José Mandel ir embora sem provar a tão famosa tainha com pirão. “O caldo de garoupa já preparei. Agora é só fazer o pirão. As ostras são a entrada”, contou.

Já a aposentada Vera Rodrigues, 73, prefe­riu levar anchova e sardinha. Ela disse que vai aguardar a tainha chegar com mais abundân­cia. “Com mais fartura, certamente o preço será menor”, afirmou.

Hella comprou quatro quilos de tainha no Mercado Público - Marco Santiago/ND
Hella comprou quatro quilos de tainha no Mercado Público - Marco Santiago/ND



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