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Diagnóstico precoce salva crianças no combate ao câncer infantil em Santa Catarina

Enquanto a taxa de sobrevivência no Brasil é de 64%, a de Santa Catarina está em 74%

Michael Gonçalves
Florianópolis
24/11/2017 às 08H56

Para comemorar o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, nesta quinta-feira (23), a Avos (Associação dos Voluntários do Hospital Infantil Joana de Gusmão) promoveu um megaevento na Casa de Apoio Vovó Gertrudes, no bairro Agronômica. Crianças e adolescentes hospitalizados e que já deixaram a unidade de saúde participaram de diferentes ações de recreação.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de recuperação, segundo a médica e coordenadora do serviço de oncohematologia, Denise Bousfield. Enquanto a taxa de sobrevivência no Brasil é de 64%, a de Santa Catarina está em 74%.

Marina Michel de Sousa, de oito anos, lutou e venceu a doença - Flávio Tin/ND
Marina Michel de Sousa, de oito anos, lutou e venceu a doença - Flávio Tin/ND



Em 2015, a estudante Marina Michel de Sousa começou a sentir uma dor na perna. Ela passou para um estado febril de quase 40 graus e com palidez. “Levamos na pediatra e foi detectado uma alteração no baço. Ela solicitou os exames e como apresentaram alteração corremos para o Infantil, onde ficou internada por dez dias. Ela teve leucemia linfoide aguda. Foram dois anos de meio de quimioterapia, que terminou no mês passado”, contou a mãe e professora Débora Michel de Sousa, 40 anos.

Hoje, aos oito anos, Marina retornou ao colégio. Ela ainda precisa voltar mensalmente ao hospital e também não retirou o dreno. “Fiquei com boas lembranças do hospital, porque fomos bem tratadas. Fiz até uma amiga que mora em Tijucas, a Ana Clara, que precisou fazer um transplante de medula”, disse.

O Infantil faz uma média de 5.000 atendimentos por ano e realiza cerca de 7.000 quimioterapias. O Hospital Infantil Joana de Gusmão é referência no tratamento do câncer infantil e o único procedimento que não é feito no Estado é o transplante de medula, em função da raridade dos casos.

Denise afirmou que são cem novos casos por ano e chama a atenção para os sinais. “Os sintomas são semelhantes a de outras doenças pediátricas e, por isso, o importante é consultar um pediatra. Percebemos que 80% dos casos de óbito foram de crianças com o estágio avançado da doença”, explicou a médica.

Mutações e contribuições genéticas são alguns dos fatores

Nos adultos, a incidência do câncer está relacionada a maus hábitos. Nas crianças e nos adolescentes, a médica Denise Bousfield explicou que a etiologia é multifatorial. Mutações genéticas, fator ambiental e contribuição genética são alguns dos motivos descobertos pelos pesquisadores.

Três tipos de câncer são os mais comuns nessa faixa etária. “A leucemia aparece em primeiro lugar, e quando descoberta precocemente a chance de cura é de 80%. Depois vêm os tumores no sistema nervoso central e os linfomas, que também tem 80% ou mais de possibilidade de recuperação”, explicou Denise.

No Dia Nacional do Combate ao Câncer Infantil, Vitor brinca com pebolim na Casa de Apoio Vovó Gertrudes - Flávio Tin/ND
No Dia Nacional do Combate ao Câncer Infantil, Vitor brinca com pebolim na Casa de Apoio Vovó Gertrudes - Flávio Tin/ND




A médica oncologista Ana Paula Freund chama a atenção para os sinais e sintomas da doença. “Em caso de manchas roxas quando não há trauma, palidez, sangramentos injustificáveis, dores de cabeça e nos ossos podem ser sinais da doença e apenas o profissional médico está habilitado a reconhecer os sintomas. Assim, o acompanhamento com o pediatra é essencial”, aconselhou.

A gerente de loja Kelen Santos, 32, descobriu a doença do filho Vitor após uma crise de cefaleia na madrugada. Ela precisou ir ao hospital e recebeu o diagnóstico precoce. “Ele fez três biopsias, além das quimioterapias e radioterapia”, disse.

Avos oferece estrutura para abrigar 20 pacientes

O setor de oncologia do Hospital Infantil tem 14 leitos e 90% das quimioterapias são no ambulatório. Como grande parte dos atendimentos é realizado em crianças e adolescentes do interior do Estado, que não têm acomodação na Capital, a Avos construiu há cinco anos a Casa de Apoio Vovó Gertrudes.

A casa tem capacidade para abrigar 20 crianças e acompanhantes em apartamentos, com uma estrutura semelhante a um hotel, com ar-condicionado, banheiro individual e cinco refeições. “Todo o nosso trabalho é realizado com recursos de doações. Aqui as crianças têm recreação com pintura, desenho e jogos. Também fazemos um trabalho de apoio aos pais. Realizamos um trabalho semelhante aos conselheiros, padres e psicólogos, porque nos colocamos à disposição para ouvir”, contou a administradora aposentada e voluntária Tania Calgaro, 64, que colabora há seis anos.

A Avos tem 80 voluntários, mas seriam necessários 200 para atender todos os compromissos. Cada voluntário tem uma escala de um dia de trabalho por semana.

Professor e empresário correm para doar R$ 8,9 mil

O professor Cláudio Vicente, 44 anos, e o empresário Genir Rodrigues dos Santos, 36, criaram uma corrida voluntária com o objetivo de arrecadar R$ 8.900 para a Avos. Eles correram 89 quilômetros na avenida Beira-Mar Norte e conseguiram apoiadores que pagaram R$ 100 por quilômetro. “Meus pais morreram de câncer e a minha filha foi internada com meningite no Hospital Infantil. Sei do trabalho desenvolvido o hospital e resolvemos colaborar. O percurso é superior a duas maratonas e levamos seis horas”, contou Cláudio, que mora no bairro Carianos.

>> Atendimentos na oncologia em 2017

Janeiro - Internações: 61 / Consultas: 234

Fevereiro - Internações: 49 / Consultas: 227

Março - Internações: 57 / Consultas: 308

Abril - Internações: 65 / Consultas: 304

Maio - Internações: 68 / Consultas: 306

Junho - Internações: 70 / Consultas: 340

Julho - Internações: 54 / Consultas: 292

Agosto - Internações: 55 / Consultas: 298

Setembro - Internações: 58 / Consultas: 285

Outubro - Internações: 49 / Consultas: 219

Fonte: Hospital Infantil Joana de Gusmão

 

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