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No Dia do Vinho Catarinense, a celebração do produto que eleva o status de Santa Catarina

Portfolio eleva o status de Santa Catarina como produtora de vinhos de qualidade

Dariele Gomes
Florianópolis
09/06/2017 às 22H45

O Dia do Vinho é comemorado no primeiro domingo de junho e, no segundo domingo é o Dia do Vinho Catarinense. Ninguém resiste a um bom vinho quando a temperatura cai, tanto nos encontros românticos, nos momentos com os amigos ou até mesmo sozinho. Apaixonado por vinhos, o manezinho Rogério Gomes, 44 anos, usa sua habilidade de engenheiro da computação, onde desenvolve sistemas conhecendo cada passo da programação, para produzir vinho. Cada processo tem uma explicação, assim como na área da tecnologia. “Não é só ir lá e produzir o vinho. É preciso pesquisas, acompanhamento da safra, conhecer os processos... e assim ir aperfeiçoando cada etapa na busca de um melhor resultado. É através dessa habilidade de programação e desenvolvimento que posso inovar também na área de desenvolvimento dos vinhos”, diz.

Rogério Gomes com as garrafas de vinho que produz em sua vinícola, a Quinta da Figueira - Flávio Tin/ND
Rogério Gomes com as garrafas de vinho que produz em sua vinícola, a Quinta da Figueira - Flávio Tin/ND


Essa relação de amor eterno com o vinho começou em São Paulo, no ano de 2005, onde Gomes trabalhava e foi jantar com um amigo. “Ele me apresentou um vinho fino e logo reclamei que era amargo, no primeiro momento com um gosto ruim. Ele explicou o quão fina era aquela bebida. Me senti desafiado a saber mais sobre o mundo dos vinhos, e aí começou minha relação de amor”, conta.

Gomes passou a ler muito sobre o assunto e, em 2008, com um amigo, fez sua primeira produção de vinho. “Compramos 120 quilos de uva de Bento Gonçalves e produzimos o vinho dentro do meu apartamento. Separamos a uva das cascas na mão e colocamos para fermentar. Ainda tenho cinco garrafas daquela safra”, diz.

Não satisfeito e cada vez mais apaixonado por vinhos, Gomes elevou a experiência para uma tonelada de uvas. “Produzimos 200 quilos no apartamento e 800 quilos na garagem da casa do meu pai, no Abraão. Foi uma experiência fantástica e a partir daí fui desafiado a estudar mais sobre a técnica de produção de vinho”, afirma.

Em 2010, Gomes fez o curso winemaking (vinificação), pela UC Davis – Universidade da Califórnia. O a distância durou cinco anos. Em 2011, nasceu o primeiro vinho com a marca Quinta da Figueira, uma homenagem aos portugueses e à praça 15. “A venda foi de formiguinha, de um em um, amigos, colegas e familiares. Hoje a produção ainda acontece na garagem da casa do meu pai” explica.

Gomes se preocupa muito com a qualidade dos seus vinhos e desde 2010 todos são analisados pelo Labran (Laboratório Randon), de Caxias do Sul. “Este ano reiniciamos o processo de registro da vinícola, pois há um novo Plano Diretor em Florianópolis que permitirá transformar a casa do meu pai em uma indústria de vinhos”, diz.

A uva que é utilizada para a produção dos vinhos da Quinta da Figueira vem de São Joaquim, mas Gomes já prepara um parreiral na Lagoinha, onde pretende cultivar a própria uva Malbec e Merlot. Gomes explica que há dois grupos de uvas que trabalha, as brancas (Sauvignon Blanc e Chardonnay) e tintas (Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Malbec). Há ainda o vinho laranja, feito com uva branca, fermentada com a própria casca, premiado na melhor categoria de vinho laranja, pelo Guia Adega de Vinhos, entre 533 amostras do Brasil. O seu Cabernet Sauvignon – com o nome de Moça Faceira, em homenagem à Ilha, conquistou o prêmio de melhor vinho da categoria, pelo Anuário Vinhos do Brasil 2014.

Perguntado sobre o preferido, Gomes disse que depende do momento, mas que gosta de todos. “No momento estou apreciando o Malbec – 2016, o Istepô, ele é sem conservantes sintéticos, tem apenas a proteção natural do próprio vinho. A habilidade de desenvolver sistemas me permite desenvolver novos processos da produção de vinho. O acompanhamento começa na fase de maturação da uva e a partir daí vou pensando como chegar no produto final. O processo é prazeroso”, diz.

Gomes degusta a bebida diariamente e diz que a mulher, Patrícia Delatorre Gomes, 37 anos, também gosta, porém no momento está amamentando o filho do casal, o pequeno Antônio,de apenas 10 meses.

Os vinhos da Quinta da Figueira custam entre R$ 50 a R$ 150 e podem ser comprados no site www.quintadafigueira.com.br.

O jornalista e especialista em enogastronomia João Lombardo fala sobre a produção de vinho em Santa Catarina e dá dicas de harmonizações , especiais do inverno.

A Enogastronomia de Santa Catarina

O vinho, ao longo de sua história, sempre foi companheiro das refeições. Esse hábito de almoçar e jantar na companhia de um copo de vinho se fortaleceu ao longo dos séculos, primeiramente na Europa, onde o vinho foi criado, e depois no novo mundo. A enogastronomia nasceu de maneira natural, nas várias regiões de cada país. Nelas, sempre se combinou o vinho regional com a culinária regional. E esses casamentos ganharam o mundo, sendo reproduzidos por todo o planeta.

Santa Catarina tem uma vitivicultura secular, implantada pelos imigrantes italianos e baseada em vinhos de mesa elaborados com uvas americanas e híbridas. Uma vitivinicultura histórico/cultural, que começou a se desenvolver em tempos difíceis, com as uvas disponíveis no período da colonização. Ela está subdividida em regiões, no Sul, Meio Oeste, Vale do Rio Tijucas e Médio Vale do Itajaí.

Os vinhos de vêm sendo companheiros da culinária típica dessas regiões catarinenses. Portanto, já há um conceito enogastronômico para os vinhos de mesa regionais.

Na região Sul, os brancos aromáticos de uva Goethe são companheiros para a culinária do galeto. Turistas viajam de longe para provar esse preparo típico dos descendentes de imigrantes italianos e seus acompanhamentos, com refrescantes taça de Goethe, em suas versões seco ou demi-sec. Mas há também uma pequena produção de vinhos de uvas viníferas na região.

No Meio-Oeste, os vinhos de Niágara e Isabel são companheiros do galeto e dos preparos com carne suína. Assim como também vinhos de uvas viníferas. No Vale do Rio Tijucas, onde fica Nova Trento, a tinta Bordô predomina nos vinhos. Também há vinhos de Niágara. Eles escoltam a culinária dos imigrantes italianos. Mas também há vinhos Finos elaborados com uvas viníferas europeias pela vinícola Neotrentina.

Em Rodeio, no Médio Vale do Itajaí, os vinhos de Mesa fazem parte da cultura local. Mas ali já há uma considerável produção de vinhos Finos elaborados principalmente com uvas das regiões de altitude de Santa Catarina. A vinícola San Michele elabora vinhos de qualidade com uvas Sangiovese, Nebbiolo e Cabernet Sauvignon adquiridas do produtores da serra.

Vinhos das altitudes catarinenses

Aliás, a grande novidade no campo dos vinhos, em Santa Catarina, veio da Serra, há quase 20 anos. São os vinhos de altitude, produzidos nas regiões de São Joaquim, Campos Novos e Caçador. Nessas regiões começaram a ser produzidos exclusivamente vinhos com uvas viníferas europeias. O portfolio elevou o status de Santa Catarina como produtora de vinhos de qualidade. Uma qualidade que cresce a cada dia. E vai desenhando uma nova enogastronomia no estado, mais ao estilo europeu. Um novo caminho, novos casamentos e possibilidades. Vinhos que combinam não apenas com pratos serranos, mas também com preparos litorâneos, italianos, alemães e de outras culturas do estado. Algumas dessas possibilidades de casamentos vocês conhecem a seguir.

Espumantes brancos Brut

Frescos, frutas brancas, notas cítricas, leves florais, boa acidez.

Enogastronomia: Ostras in natura, mexilhões ao bafo, camarões empanados, petiscos

Espumantes brut Rosé

Frescos, frutas vermelhas, florais, boa acidez.

Enogastronomia: Mexilhões ao vinagrete, casquinha de siri, camarões ao alho e óleo, lula à doré.

Brancos de Sauvignon Blanc

Frescos, notas de frutas tropicas, toques herbáceos, boa acidez, intensos.

Enogastromia: Tainha frita ou assada, ostras in natura e ao bafo, camarões à milanesa, peixe grelhado, truta grelhada.

Brancos de Chardonnay com madeira

Frescos, com notas de frutas amarelas, toques amendoados, de baunilha, manteiga, boa acidez, macios em boca.

Combinações: Ostras gratinadas, ova de tainha frita, truta com amêndoas, moqueca, sapateira grelhada na manteiga (cavaquinha), sequência de camarões, risoto e spaghetti aos frutos do mar

Rosés

Frescos, aromas de frutas vermelhas, florais, macios em boca, agradáveis.

Enogastronomia: Torpedo de siri, salada de polvo, salada de frutos do mar, peixes grelhados ou assados, camarão ao bafo, camarão ao alho e óleo, paçoca de pinhão, galeto, lombo de porco, costelinha.

Tintos

Geralmente estruturados, de bom corpo, aromas de frutas vermelhas e negras, notas de especiarias, toques vegetais, às vezes couro, firmes em boca, boa acidez e taninos.

Enogastronomia: Arroz de Carreteiro, entrevero, churrasco, paçoca de pinhão, cordeiro, cabrito, cozido, galeto (os tintos mais leves, de Merlot, Pinot Noir – também cortes suínos), massas com carnes, molhos vermelhos e queijos.

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