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Determinação do presidente Sandro Pallaoro levou Chape ao topo num intervalo de cinco anos

O paranaense de Pato Branco teve personalidade e ousadia para colocar a Chape na história

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
04/12/2016 às 18H07

O fato de ter uma empresa que comercializava frutas rendeu muitas brincadeiras com Sandro Luiz Pallaoro, 50 anos. Quando treinava o Figueirense, o técnico Argel Fucks se desentendeu com o presidente da Chapecoense e numa refrega verbal, pela imprensa, deu a entender que jamais perderia para um time dirigido por um vendedor de laranjas e melões. Pallaoro não chegaria tão longe quanto outros empresários de Chapecó que criaram potências na área do agronegócio, mas entrou para a história pelo trabalho feito à frente da Chape, que em cinco anos saiu da Série D para brilhar na primeira divisão do Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-americana.

Sandro Pallaoro conduziu a equipe da Chape ao topo - Divulgação/Chapecoense/ND
Sandro Pallaoro conduziu a equipe da Chape ao topo - Divulgação/Chapecoense/ND



A seriedade e o profissionalismo na gestão do clube e da Pallaoro Distribuidora de Frutas Ltda. renderam a este paranaense de Pato Branco o título de Empresário do Ano concedido em 2015 pela Acic (Associação Comercial e Industrial de Chapecó). Durante os últimos seis meses, Pallaoro também respondeu pelo comando da SCClubes (Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina), substituindo Nilton Macedo Machado, que renunciara à presidência do Avaí e não poderia continuar no cargo. A morte no acidente aéreo do dia 29 de novembro, na Colômbia, interrompeu uma carreira vitoriosa em todas as frentes, mas o nome do empresário já está inscrito na história da cidade e do clube do Oeste.

Uma demonstração da personalidade e ousadia do empresário foi a autonomia que tentou implementar na SCClubes. Ali, mesmo sem romper relações, Pallaoro procurou administrar a liga sem a interferência da Federação Catarinense de Futebol, coisa que vinha ocorrendo há décadas. Numa reunião recente realizada pela entidade, o presidente da FCF, Delfim de Pádua Peixoto Filho (que também morreu no acidente da semana passada), foi convidado a se retirar quando uma série de assuntos de interesse específico dos clubes ia ser discutida. Uma das brigas dos filiados era em relação ao patrocínio aos árbitros, que nos jogos do campeonato estadual estampam marcas de empresas em seus uniformes. Os clubes achavam que tinham direito a uma parte dessa verba.

Por essa e outras atitudes, e pela liderança natural que vinha demonstrando, Pallaoro era tido como virtual candidato à presidência da FCF em 2019, quando terminaria o mandato de Delfim. Habituado a controlar todos os passos dos clubes catarinenses, e por temer a ascensão de concorrentes ao cargo, o presidente da FCF considerava normal acompanhar os encontros da SCClubes. Agora, a federação deverá ser comandada pelo vice-presidente mais idoso, de acordo com seus estatutos. Já a entidade representativa dos clubes terá eleição este mês e o indicado assumirá em janeiro de 2017.

Liderança natural entre os clubes

Na presidência da SCClubes, onde estava desde 9 de maio, Pallaoro queria implantar a experiência de gestão que existia na Chapecoense. No discurso de posse, na Assembleia Legislativa, ele afirmou: “Quero deixar claro que enquanto estiver exercendo o cargo de presidente da associação, deixarei de lado as cores verde e branca da Chapecoense para vestir o verde, vermelho e branco de Santa Catarina”. Uma de suas primeiras ações foi propor aos presidentes dos clubes a criação do cargo de diretor executivo da SCClubes. O cargo, após seleção, foi assumido por Cláudio Gomes, ligado ao Criciúma, em julho. Outra novidade foi o fórum de marketing dos clubes, que realizou cinco reuniões este ano para criar um plano comercial para o Estadual de 2017.

A vida profissional de Sandro Pallaoro começou como office-boy das empresas da família, no Paraná. Lá, ele já tinha ligações com o esporte, como jogador de futsal que foi campeão estadual pelo Grêmio Industrial Patobranquense. Em 1994, já em Chapecó, assumiu a administração da unidade da Cantu Alimentos na cidade. Em 2009, abriu a própria empresa de distribuição de frutas, que leva o seu sobrenome. Um ano antes ele já havia assumido a presidência da Chapecoense, então na Série D. Na época, as viagens eram pagas com dinheiro dos próprios diretores e os jogadores não podiam trocar ou estragar as camisas, porque só havia um jogo. Em 2009, o orçamento anual da Chape era de R$ 1,5 milhão, e hoje a receita chega a R$ 40 milhões.

Numa entrevista dada quando recebeu o título de Empresário do Ano, Pallaoro admitiu que seus sonhos eram levar a Chapecoense ao título da Copa Libertadores da América e o clube ter seu próprio avião – um avanço e tanto para quem já viajou de Kombi para jogar o Estadual. “Acredito que seja possível”, afirmou, mesmo sabendo que eram sonhos que poderiam demorar. Para isso, o clube planejou trabalhar sempre com as contas em dia, administrar com transparência para fidelizar os patrocinadores e apostar nas categorias de base. A tragédia do dia 29 tirou o protagonista de cena, mas outros poderão vir para manter vivos os sonhos do grande presidente.

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