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Desvio de vale-alimentação é caso antigo na Assembleia Legislativa de Santa Catarina

Da cadeia, em 2011, deputado Nelson Goetten revelou esquemas

Lúcio Lambranho
Florianópolis

O Sindalesc (Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa de Santa Catarina) entregou ao MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) há dois anos, uma denúncia sobre o desvio do vale-alimentação dos funcionários da Alesc. Na audiência pública no dia 5 de agosto de 2011 com a então coordenadora da Moralidade Administrativa do MP catarinense, Vera Lúcia Copetti, os sindicalistas listaram as reportagens do Notícias do Dia e da RICTV em que o ex-deputado Nelson Goetten denunciava a retenção do benefício feitos por chefes de gabinetes da Assembleia.

 

Solon Soares/Alesc/ND
Solon Soares/Alesc/ND
Acusado defendeu idoneidade da chefe de gabinete e acusou ex-funcionário

 

Em julho de 2011, a RIC TV esteve no presídio de Itapema para ouvir o ex-deputado Nelson Goetten, preso em maio daquele ano e condenado em março de 2012 por estupro de adolescente e favorecimento à prostituição. Sem saber que estava sendo gravado, o ex-parlamentar falou do desvio dos cartões de vale alimentação e que, segundo ele, era um entrave para outro esquema na Alesc, o de funcionários fantasmas.

“O problema é que cada funcionário recebe um vale-alimentação de mais ou menos R$ 800, R$ 900 e daí mais as diárias. Mas se eu pegar apenas o nome emprestado, isso volta, porque na maioria já está retido com o próprio deputado ou com alguém. Então a coisa é muito grave”, afirmou. Questionado porque não falava sobre a retenção dos vales, o ex-deputado sugeria que seria preciso falar “com alguém que tem provas”. “E tem como né, tem [gente] com conhecimento”, completou.

“O caso foi entregue ao MPSC e subscrito por outras entidades catarinenses e de outros Estados, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a Fenale (Federação Nacional dos Servidores dos Poderes Legislativos Federal, Estaduais e do Distrito Federal), bem como a Confelegis (Confederação dos Servidores do Poder Legislativo e Tribunais de Contas do Brasil). Até hoje não recebemos nenhum retorno do MP, mas isso mostra que o assunto não é novo”, ressalta o presidente do Sindalesc, Rubenvaldo da Silva.

A Diretoria Geral da Alesc informou ao Notícias do Dia que só vai se pronunciar novamente sobre o assunto quando o inquérito aberto sobre o caso envolvendo o gabinete do deputado Maurício Eskudlark for concluído pela 12ª Promotoria da Capital. O ND pediu informações sobre o encaminhamento da denúncia protocolada pelo Sindalesc, mas a assessoria de comunicação do MPSC informou que ainda não localizou nenhuma informação sobre o pedido de investigação dos sindicalistas.

Maurício Eskudlark alega vingança

Como o ND mostrou ontem com exclusividade, um funcionário que trabalhou na Assembleia acusa a chefe de gabinete do deputado Maurício Eskudlark (PSD) de retenção do benefício e uso do cartão de vale-refeição por um ano e meio. No inquérito sigiloso ao qual o ND teve acesso, o MPSC também investiga o parlamentar, acusado de saber dos desvios. Em entrevista à RIC TV, Eskudlark disse que a denúncia foi feita por vingança do exassessor após ele ser exonerado do gabinete. Além disso, o deputado afirma que a chefe de gabinete, Jerusa Nara Moser, acusada de se apropriar dos vales, não seria capaz deste ato, investigado desde julho deste ano pela 12ª Promotoria da Capital.

A reportagem do ND pautou as conversas de bastidores ontem na Assembleia. Publicamente, enquanto uns preferiram o silêncio, outros saíram em defesa da transparência. “Se há algum tipo de irregularidade, ela deve ser apurada”, apontou Neodi Sareta (PT). “É claro que a Casa não vai poder deixar de se manifestar sobre este assunto”, assegurou Angela Albino (PC do B).

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