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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Desenvolvedores de jogos se reúnem para testar games em Florianópolis antes de lançá-los

Terceira edição do Playtest Day teve participação de profissionais e amadores do mundo dos jogos

Felipe Alves
Florianópolis
Bruno Ropelato/ND
Desenvolvedores de games, profissionais e amadores avaliaram e opinaram sobre os jogos

Jovens catarinenses têm apostado cada vez mais em uma indústria promissora na economia brasileira: o desenvolvimento de jogos. Em pequenas ou grandes empresas, eles reúnem profissionais que trabalham meses – e até anos – para desenvolver um jogo e lançá-lo internacionalmente. Mas antes de colocar o produto no mercado é preciso testá-lo à exaustão até que as falhas estejam corrigidas e o jogo atraia o maior número de público. No último sábado, a IGDA Florianópolis (International Game Developers Association) realizou a terceira edição do “Playtest Day”, onde desenvolvedores de games, profissionais e amadores, testam e opinam sobre jogos que ainda estão sendo produzidos na Grande Florianópolis.

Sandro Tomasetti, de 30 anos, levou três jogos para serem testados e que estão em desenvolvimento por sua empresa, a Cyber Rhino Studios. Em um computador, cada pessoa podia jogar por cerca de 10 minutos e, depois, fazer avaliações. “O importante é ouvir o feedback das pessoas para corrigir problemas e melhorar o jogo. Para isso, é preciso saber analisar a  reação das pessoas”, explica ele.

Bruno Ropelato/ND
Para Caio Lopez, sócio e game designer da Cat Nigiri, o investimento em games é arriscado, mas é feito por paixão ao negócio

Formado em Ciências da Computação, Tomasetti decidiu seguir um sonho de criança e começou a faculdade já sabendo programar com a intenção de entrar no mundo da criação de jogos. Com a falta de cursos voltados à área, grande parte de seu conhecimento foi adquirido em empresas do ramo. Os jogos apresentados por ele no sábado eram de diferentes plataformas: tabuleiro, para computador ou para videogame. O lançamento do Pit Crew, jogo de tabuleiro que ele desenvolve há quatro anos, já está acertado com uma editora e deve ser lançado ainda em 2016.

Para pôr em prática os projetos, os desenvolvedores de jogos participantes do Playtest Day trabalham, na maioria das vezes, com investimento pessoal e com empresas de pequeno porte. Para Caio Lopez, 31, sócio e game designer da Cat Nigiri, o investimento é um negócio arriscado e feito por quem ama o que faz. “A gente põe dinheiro por muito tempo sem saber se vai colher depois”, diz ele. O jogo Keen, que a Cat Nigiri levou ao Playtest Day, por exemplo, foi apresentado em um evento de jogos em San Francisco, nos Estados Unidos, há dois meses. Após algumas sugestões, os desenvolvedores ajustaram alguns detalhes e, mesmo assim, a expectativa é que o jogo só seja lançado daqui a um ano.

Bruno Ropelato/ND
Sandro Tomasetti, Filipe Ghisi e Luise Braunsperger. Tomasetti levou três jogos para serem testados e que estão em desenvolvimento por sua empresa, a Cyber Rhino Studios

 

SC é o quarto estado com mais empresas de games

Mercado em constante expansão, a área de desenvolvimento de jogos em Santa Catarina ganha cada vez mais relevância no cenário nacional. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Santa Catarina é o quarto Estado com o maior número de empresas desenvolvedoras de jogos do Brasil.

De acordo com Daniel da Silva Santos, 20, um dos organizadores do Playtest Day, ainda é preciso unir o setor no país. “Fazemos estes eventos para dar força para o setor, pois geralmente são pessoas muito jovens e que falta essa união”, diz ele.

Para Sandro Tomasetti, um dos principais problemas do mercado no país é falta de costume dos brasileiros de comprar jogos do país e a dificuldade de quem produz aqui de levar os jogos para fora. Caio Lopez se diz cético quanto à lucratividade do mercado no Brasil. Para fazer o jogo Keen, por exemplo, foi necessário até agora um ano de trabalho de quatro pessoas, ainda sem retorno financeiro. Assim que o jogo ficar pronto, uma versão experimental deve ser lançada de graça para ver qual a reação do público e, somente depois, a equipe pensará em uma versão paga. Para conseguir custear o jogo, Caio dá aulas de game designer e trabalha como freelancer para outras empresas. “O pessoal paga e investe pela possibilidade de viver fazendo o que gosta”, pontua ele.

 

Conheça alguns dos jogos que estiveram em teste

Ninja Boy Attack, da empresa Warp Lemon

A vila do Ninja Boy está sendo atacada por hordas de monstros e precisará da sua habilidade para ajudar a defendê-la.

 

Trago, da empresa SpaceGiraff3

Sentado à mesa de um bar, abatido por seus problemas pessoais, Juca precisa esfriar a cabeça, antes que alguém a estoure.

 

Keen, da empresa Cat Nigiri

Mesclando elementos de RPGs táticos com os jogos clássicos da série Zelda, Keen é um puzzle-adventure situado em um mundo que lembra o Japão feudal.

 

Barbarian Cooking, da empresa Cyber Rhino Studios

Jogo mobile onde você controla um cozinheiro de uma tribo bárbara. O objetivo é cortar o máximo de ingredientes possíveis e fazer um bom jantar.

 

Distribuição geográfica de empresas desenvolvedoras de games

São Paulo – 36,2%

Rio Grande do Sul – 10,7%

Rio de Janeiro – 8,05%

Santa Catarina – 7,38%

Pernambuco – 6,71%

Paraná – 5,37%

Distrito Federal – 4,7%

Minas Gerais – 4%

Paraíba – 4%

Bahia – 3,3%

Espírito Santo – 3,3%

Ceará – 2,6%

Amazonas – 0,6%

Goiás – 0,6%

Pará – 0,6%

Piauí – 0,6%

* De acordo com o Mapeamento da Indústria Brasileira e Global de Jogos Digitais, de fevereiro de 2014

 

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