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Desafios de SC: manutenção das estradas de SC custou R$ 5 bilhões nos últimos cinco anos

Segunda matéria da série para as Eleições 2018 do Grupo RIC mostra os desafios que os próximos governadores terão que enfrentar nas rodovias estaduais e federais do Estado

Vanessa da Rocha
Florianópolis
23/08/2018 às 22H37

O Grupo RIC mapeou 10 desafios que o próximo governador vai precisar encarar de frente ao assumir a Casa d’Agronômica. São temas que lidam diretamente com a economia e o desenvolvimento do Estado. As reportagens especiais estão sendo publicadas todas as terças e sextas no Notícias do Dia, junto com o posicionamento dos candidatos sobre como cada um irá lidar com o desafio. O segundo tema da série é a manutenção das rodovias no Estado e a viabilidade da concessão de trechos para a iniciativa privada.

Quase R$ 5 bilhões. Esse é o montante investido nos últimos cinco anos pelos governos estaduais e federais em obras e manutenção das estradas catarinenses. E elas estão um tapete? A maioria não. As rodovias estão mais para colcha de retalhos. Com destaque para a BR-163 que é estratégica para trazer o milho do Centro-Oeste para a agroindústria catarinense e é considerada a via mais esburacada do Estado.

Rodovia SC-401, em Florianópolis - Marco Santiago/ND
Rodovia SC-401, em Florianópolis - Marco Santiago/ND


No âmbito estadual, a SC-401 de Florianópolis é campeã em receber investimentos para tapar buracos, mas a via mais movimentada do Estado não é nenhuma referência. No verão são quilômetros de congestionamentos e asfalto que cede junto com a paciência dos motoristas. “Eu não sei se o asfalto é ruim ou se é o peso dos carros, mas eles estão sempre arrumando e já fica ruim de novo. Sem falar das filas”, resume o secretário de administração do Sindicato dos Motoristas de Florianópolis, Carlos Antônio Martins.

Não é por falta de investimento que as estradas estão desse jeito. Todos os anos são investidos em média R$ 126 mil por cada quilômetro. Um cidadão que trafegar 20 quilômetros para ir a uma praia vai ter passado por um trecho de asfalto que recebeu em média R$ 2,5 milhões em reparos.

Na opinião da professora do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina), Christina Martinez Hipólito, que estudou a viabilidade de concessão das rodovias do Estado, esse é o cálculo do fracasso. “Me admira que seja um valor tão alto porque não é coerente com o que vemos nas estradas”, pontua ela.

Rodovias mal conservadas, com pouca iluminação e com trechos com apelidos dramáticos como “curva da morte” sinalizam que o Estado gasta muito e não dá conta de fazer a manutenção para garantir a segurança dos motoristas. Nesses casos, a alternativa que se apresenta é a concessão para a iniciativa privada. Mas Santa Catarina não consegue avançar nesse sentido. Os motivos são diversos: insegurança jurídica nos contratos, problemas de fiscalização, impopularidade da medida e vias que não têm o movimento suficiente que se justifique a cobrança de pedágio. Diante desse cenário, como melhorar a situação das estradas catarinenses? Mais um desafio para o próximo governador de Santa Catarina.

Investimentos nas vias de Santa Catarina - Infografia: Rogério Moreira Jr.
Investimentos nas vias de Santa Catarina - Infografia: Rogério Moreira Jr.


A impopularidade do pedágio

Conceder rodovias para a iniciativa privada envolve a cobrança de pedágio, o que costuma ser visto com maus olhos pela população. Desde a Idade Média, quando os senhores feudais cobravam taxas de viajantes e comerciantes em troca de permissão para usar as estradas até os dias de hoje, o sentimento é o mesmo: insatisfação. Em tempos de Operação Lava Jato e com as grandes empreiteiras do país envolvidas em escândalos, a indignação popular é ainda maior.

A professora Christina Hipólito diz que o pedágio não é simpático à população, mas diante da importância de encontrar saídas para melhorar a situação das estradas é possível que ganhe respaldo. “É uma medida impopular. Ainda mais em época de crise. Por isso, os governos têm dificuldade em bancar isso. Se Santa Catarina mantiver concessões com preços mais acessíveis como os praticados atualmente no Estado, é provável que a população apoie”.

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