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Depois da maré vermelha, Fenaostra é última esperança para maricultor sair da crise

Produtores do Sul da Ilha criticam "privatização" da festa e retirada de espaço para exposição e venda direta ao consumidor

Edson Rosa
Florianópolis
09/09/2016 às 08H58

A “privatização” da Fenaostra (Festa Nacional da Ostra) desagrada a maioria dos maricultores de Florianópolis. A principal reclamação é a exclusão deles do espaço destinado aos estandes de expositores, onde nos anos anteriores faziam exposição de apetrechos e comercializavam o molusco diretamente ao consumidor. Mesmo assim, a expectativa entre os produtores é a de alavancar as vendas entre outubro e novembro, para compensar as perdas causadas pelo maior período de maré vermelha no litoral catarinense - 37 dias, entre maio e junho deste ano.

“Somos os principais interessados, precisamos da Fenaostra para recuperar as perdas que tivemos no início do inverno. Mas, fomos deixados de fora da festa”, reclama o produtor Rafael Westphal, 37, diretor da Amasi (Associação dos Maricultores do Sul da Ilha). Com 50 mil dúzias de ostras “gordas” na água,  em parte remanescente da safra passada, Westphal chegou a dispensar dois dos seis funcionários no período de crise

 Confirmada para o período de 6 a 12 de outubro, no centro de convenções Centrosul, e sem recursos da Prefeitura de Florianópolis, a Fenaostra deste ano será responsabilidade da Organiza Eventos, empresa privada escolhida por meio de licitação. Nas edições anteriores, foram comercializadas, em média, 30 mil dúzias do molusco, de acordo com levantamento da Amasi.

Perda individual chega a R$ 12 mil

Com 20 mil dúzias na água e integrante da Amasi, Nilton Cesar Kretzer, 42, deixou de faturar pelo menos R$ 12 mil nas cinco semanas de maré vermelha, entre maio e junho deste ano. Aos poucos, o mercado interno começa a reagir, mas a expectativa dele e dos demais produtores da Costeira do Ribeirão é que a Fenaostra ajude a recuperar o volume de vendas e “pagar as contas atrasadas”.

“A mídia é fundamental, é importante divulgar que o produto está adequado para o consumo, sem risco de contaminação por toxinas”, ressalta Kretzer. Segundo ele, até novembro as ostras produzidas nas baías de Florianópolis estarão gordas.  “Depois, com o aquecimento da água do mar e período da desova, elas emagrecem, mas continuam saborosas”, garante.

A expectativa de Nilton Cesar Kretzer é que, mesmo sem apoio oficial da prefeitura, os produtores tenham espaço garantido no Centrosul para expor o produto diretamente ao consumidor.  O preço no varejo hoje, no produtor, é de R$ 7 a dúzia.

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