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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Polícia descarta que assassinato de menino indígena seja crime de ódio

Diocese de Chapecó refuta investigação e defende que morte é fruto de intolerância

Fábio Bispo, Letícia Mathias
Florianópolis

O delegado Raphael  Giordani da comarca de Imbituba afirmou que no momento a motivação não é menos "relevante” no caso da morte do menino Vitor Pinto, o índio Kaingang morto no dia 30 de dezembro na rodoviária de Imbituba. Mas se antecipou em descartar crime de ódio. “Refutamos totalmente qualquer possibilidade de crime étnico, até porque se fosse isso a investigação caberia à Justiça Federal”, afirmou nesta quarta-feira (6) após uma manifestação que reuniu cerca de 60 pessoas no local do crime.

Tuliana Rosa/Jornal Popular Catarinense/Adjori/ND
Índios usaram lenços vermelhos no pescoço para simbolizar o menino degolado no protesto em Imbituba

Segundo o delegado, nos próximos 20 dias, a polícia vai se concentrar em materializar as provas contra o principal acusado, Matheus de Ávila Silveira, de 23 anos, detido preventivamente na Unidade Prisional Avançada da cidade. No dia do crime, a polícia chegou a deter um outro jovem, que acabou liberado. Hoje, o delegado deve ouvir o Policial Militar que prendeu Matheus. 

Giordani diz ter provas contundentes, “bermuda, camiseta, boné, luvas e tênis, tudo fecha com a gravação”, afirmou. O crime, que chocou o país pela frieza e crueldade, foi registrado pelas câmeras de vigilância da Rodoviária de Imbituba. No entanto, as imagens não mostram o rosto do autor do crime. A mãe de Vitor, Sônia da Silva, foi a única testemunha. Ela chegou a identificar o primeiro homem preso, ainda no dia 30, mas segundo a polícia o homem tinha álibi e foi liberado. Um dia depois o novo suspeito foi detido no bairro Vila Alvorada por um policial militar que teria ouvido a confissão do crime. “Iremos ouvir esse policial e saber como aconteceu a prisão”, disse Giordani.

Após a manifestação, a mãe esteve na delegacia e chegou a reconhecer algumas peças das roupas apreendidas pela polícia. O acusado foi interrogado duas vezes, na primeira ficou em silêncio e na segunda vez negou, segundo o delegado. A polícia não pediu novo reconhecimento do preso para a mãe da vítima, segundo o delegado, “tem pouca relevância.”

 A Diocese de Chapecó emitiu nota na tarde de ontem afirmando que a morte do jovem é fruto de intolerância e preconceito, cobrando investigação aberta sobre o caso e punição dos “verdadeiros responsáveis.”

Protesto em Imbituba e Chapecó

A manifestação no local do crime reuniu moradores, integrantes de movimentos sociais e índios Guarany da região do Morro dos Cavalos, em Palhoça, e da cidade de Imaruí. Um dos objetivos é cobrar das autoridades respostas para o crime.

Manifestantes amarraram lenço vermelho em torno do pescoço em referência ao crime. A mãe e o pai do menino estiveram na delegacia e cobraram respostas da polícia. "Se fossem os índios que tivessem cometido o crime contra um branco a imprensa daria mais atenção", protestou a cacique Guarany, Eunice.

Marina Oliveira, integrante da Regional Sul do Conselho Indigenista Missionário, uma das entidades que ajudou a organizar o protesto,  disse que os familiares e os integrantes da aldeia estão muito abalados. “Veio quem se solidarizou com a família, poderia ter sido um Guarany, qualquer outra tribo. Queremos saber o motivo que fez o homem cometer essa atrocidade”, afirmou.

Nesta quarta-feira também foi feito um protesto em Chapecó, de onde a criança era natural, na praça central de Chapecó. A família de Vitor, pai, mãe e os três filhos, estava no litoral vendendo artesanato durante a temporada. Eles viviam na Aldeia Condá, em Chapecó.

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