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Decisão do STF era esperada, diz Aécio Neves após se tornar réu

O tucano convocou a imprensa na tarde desta terça-feira e disse que agora terá a oportunidade de provar que é inocente

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
17/04/2018 às 20H39

BERNARDO CARAM, GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após se tornar réu por suposta prática de corrupção passiva e obstrução de Justiça, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta terça-feira (17) que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) já era esperada. O tucano disse que agora terá a oportunidade de provar que é inocente.

Aécio falou com a imprensa por apenas dois minutos e não respondeu perguntas - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Divulgação/ND
Aécio falou com a imprensa por apenas dois minutos e não respondeu perguntas - Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/Divulgação/ND


Na tarde desta terça, a primeira turma STF decidiu acolher a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o tucano. Aécio foi denunciado por causa do episódio em que foi gravado, em março do ano passado, pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista.

Após a decisão do Supremo, Aécio foi ao Senado e convocou a imprensa, mas falou por apenas dois minutos, sem permitir que os repórteres fizessem perguntas. "Eu recebo hoje com absoluta tranquilidade a decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, até porque já era esperada. E agora eu terei a oportunidade que eu não tive até aqui de provar de forma clara e definitiva a absoluta correção dos meus atos", afirmou.

O senador voltou a argumentar que está sendo processado por ter aceito um empréstimo com recursos privados de origem lícita para pagar seus advogados. "O que houve foi uma gravíssima ilegalidade no momento em que esses empresários, réus confessos de inúmeros crimes, associados a membros do Ministério Público, tentam dar a impressão de alguma ilegalidade em toda essa operação privada para se verem livres dos inúmeros crimes que cometeram", disse.

Aécio afirmou ainda que é acusado por opiniões que proferiu e votos que deu como senador. "A atividade parlamentar não pode ser criminalizada por aqueles que não concordam com opiniões e propostas apresentadas por deputados e senadores. E isso não em meu benefício, e sim em respeito à lei, à democracia", afirmou.

Alckmin lamenta situação de Aécio, mas diz que Justiça é para todos

O presidente nacional do PSDB, Geraldo Alckmin, lamentou nesta terça-feira a situação de seu companheiro de partido Aécio Neves, que se tornou réu, mas ressaltou que a lei no país deve ser para todos. Na saída de evento em Brasília, o também pré-candidato presidencial afirmou ter visto o episódio com tristeza e observou que o senador mineiro ainda terá a oportunidade de se defender. "Não existe justiça verde, amarela, azul ou vermelha. Só existe Justiça. Decisão judicial se respeita e a lei é para todos, sem distinção", afirmou.

Apesar de ter lamentado, Alckmin negou que o episódio cause embaraço ao partido ou à sua candidatura. Segundo ele, cabe apenas a Aécio agora definir se será candidato nas eleições deste ano. "Cabe a ele definir o que vai fazer e como fazer", disse.

O ex-governador de São Paulo ministrou palestra nesta terça-feira em encontro nacional de vereadores, promovido na capital federal. No seu discurso, em resposta a um dos vereadores, ele chegou a afirmar que "quem fica rico na política é ladrão". Em março, a Folha de S.Paulo mostrou que, depois das eleições de 2014, o patrimônio de Aécio triplicou. 

Questionado posteriormente se a frase também se referia ao senador tucano, Alckmin negou. "Não vou fazer pré-julgamento. Aécio é de uma família abastada", respondeu.

Com dificuldades de crescer nas pesquisas eleitorais, o tucano se apresentou aos vereadores presentes como o candidato da conciliação, que trabalhará para unir um país dividido. "Através do diálogo, precisamos unir o país. Não podemos continuar com esse radicalismo", disse ele, criticando também a intolerância.

Na tentativa de conseguir votos junto a eleitores de direita, o tucano tem feito um contraponto ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Na segunda-feira (16), por exemplo, ele afirmou que o voto no parlamentar é um passaporte para o retorno do PT. Segundo a última pesquisa Datafolha, em São Paulo, Alckmin hoje está empatado no primeiro turno com Bolsonaro e Marina Silva, da Rede. "Nós precisamos de uma grande conciliação nacional, com a refundação dos Três Poderes da República", defendeu.

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