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Deap afirma que não foi intimado a transferir para presídio comum ex-PM que matou surfista

Condenado a 22 anos de reclusão por assassinato de Ricardinho, Luiz Paulo Mota Brentano segue detido em batalhão da Polícia Militar

Colombo de Souza
Florianópolis
20/12/2016 às 17H46

O Deap (Departamento de Administração Penal) alega que ainda não foi intimido pela juíza da 1ª Vara Criminal de Palhoça, Carolina Ranzolin Nerbass Fretta, a processar a transferência do ex-PM Luiz Paulo Mota Brentano do 8º BPM (Batalhão da Polícia Militar) de Joinville, onde está detido, para um presídio comum. Brentano foi condenado na última sexta-feira (16) a 22 anos e oito meses de reclusão em regime fechado, pelo assassinato do surfista profissional Ricardo dos Santos, o Ricardinho.

>> Ex-PM acusado de matar surfista Ricardinho é condenado a 22 anos de prisão

O ex-PM Luís Paulo Mota Brentano é acusado de matar o surfista Ricardinho, em 19 de janeiro de 2015 - Flávio Tin/Arquivo/ND
Brentano continua detido em batalhão da PM - Flávio Tin/Arquivo/ND


O crime ocorreu no dia 19 de janeiro de 2015 na praia da Guarda do Embaú, em Palhoça, por motivo fútil: o ex-soldado não quis tirar o carro de um local onde estava sendo realizada uma obra de encanamento para drenagem pluvial. Ocorreu discussão entre agressor e vítima. Ricardinho foi baleado duas vezes e morreu no dia seguinte no Hospital Regional de São José.

Quando anunciou a sentença, após dois dias de julgamento no auditório do Fórum de São José lotado, com a presença das famílias da vítima, do réu, e do público em geral, a juíza fez questão de comentar que naquele momento se fechava um ciclo para a família de Ricardinho, e que ali seria feita a “justiça dos homens”. Ao falar sobre o perfil do acusado, ela ressaltou que a conduta social do ex-soldado era “incompatível com seu dever de zelar pela ordem pública” e que ele tinha uma conduta social "reprovável". “A arrogância é a sua marca”, sentenciou.

Os pais do ex-soldado saíram apáticos, enquanto a família de Ricardinho vibrava num misto de tristeza e alegria: "acabou, acabou". Muitos parentes do surfista não seguraram as lágrimas, repetindo que o sofrimento terminou, principalmente o avô, que presenciou o crime. Na sentença, a juíza determinou um prazo de cinco dias para que o Deap faça a transferência do ex-PM para um presídio comum.

Como foi o crime

Depois de uma noite de bebedeira nos bares da Guarda do Embaú, em 18 de dezembro de 2015, acompanhado do irmão caçula de 17 anos, o ex-PM, que estava em férias na praia, estacionou o Citroen C4 na manhã  seguinte embaixo de uma sombra, no acesso à trilha que leva à praia, em frente a uma garagem.

Os rodados do carro estavam exatamente em uma local onde Ricardinho e o avô Nicolau estavam construindo uma obra de drenagem.

O surfista, o avô e o tio Mauro desciam a trilha para trabalhar na obra. Ricardinho pediu para o motorista para retirar o carro daquele lugar.

Houve bate-boca e a discussão foi ficando acirrada entre eles, ao ponto de Brentano pegar a pistola e efetuar dois tiros a curta distância.

Na sequência, o então PM deu uma marcha ré no carro e fugiu dali em alta velocidade para uma pousada onde estava passando as férias.

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