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De pedido de impeachment a reunião às pressas: o dia de Temer após denúncia sobre imóvel

Folha de S.Paulo publicou que a obra na casa de uma das filhas do presidente Michel Temer teria sido bancada com dinheiro de propina

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
12/04/2018 às 16H47
Presidente Michel Temer participou da cerimônia de inauguração do novo aeroporto de Vitória, no Espírito Santo - Alan Santos/Agência Brasil/Divulgação/ND
Presidente Michel Temer participou da cerimônia de inauguração do novo aeroporto de Vitória, no Espírito Santo - Alan Santos/Agência Brasil/Divulgação/ND


BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defendeu, nesta quinta-feira (12), que a oposição apresente um novo pedido de impeachment de Michel Temer após a Folha de S.Paulo publicar que a obra na casa de uma das filhas do presidente foi paga em dinheiro vivo pela mulher do coronel João Baptista Lima Filho, amigo do emedebista.

A Polícia Federal investiga a reforma no imóvel da psicóloga Maristela Temer sob a suspeita de que tenha sido bancada com propinas da JBS. Um dos fornecedores da obra afirmou à reportagem da Folha de S.Paulo que os pagamentos eram feitos em espécie por Maria Rita Fratezi, esposa do coronel.

“Isso para mim é prova explícita de corrupção. Deixa inequívoco o envolvimento de Temer no recebimento de propina”, disse o senador Randolfe. “Eu acho que isso se encaminhará para uma nova denúncia, mas já temos elementos para protocolar mais um pedido de impeachment do senhor Michel Temer”, afirmou.

Para Randolfe, o caso será “o Fiat Elba do presidente Michel Temer”. Em 1992, o então presidente Fernando Collor protagonizou um escândalo após revelação de que ele usava um Fiat Elba pago com dinheiro do tesoureiro PC Farias. A compra do carro foi determinante para a abertura do processo de impeachment de Collor — que renunciou antes de ser julgado pelo Senado.

Na avaliação do senador Alvaro Dias, as novas informações são mais um complemento para os detalhes já existentes que comprometem Michel Temer.

“Que há sintoma de irregularidade, não há dúvida. Isso alimenta todo o dossiê desse escândalo e robustece convicções”, disse.

O pedido foi protocolado pelo senador Randolfe Rodrigues - Ricardo Botelho/SAC/Divulgação/ND
Caso será “o Fiat Elba do presidente Michel Temer”, diz Randolfe Rodrigues - Ricardo Botelho/SAC/Divulgação/ND

De acordo com o líder do Psol na Câmara, Ivan Valente (SP), há “semelhanças nas acusações” contra Temer e as que levaram à condenação o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no caso do tríplex no Guarujá (SP). Porém, para o deputado, ao contrário do emedebista, “falta materialidade” às provas contra o petista.

Valente afirmou também que o círculo de relações de Temer está inteiramente comprometido. “Está tudo muito detalhado, todos os amigos do presidente estão envolvidos, e só não estão presos os que estão com foro privilegiado”, disse.

O ex-presidente Lula também é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro por ter se beneficiado em reforma de um sítio em Atibaia (SP) que era frequentado por ele e seus familiares. As reformas teriam sido pagas pelas empreiteiras Odebrecht e OAS.

O senador Humberto Costa (PT) disse que as investigações sobre Temer precisam ser aprofundadas para detectar se houve alguma contrapartida nos pagamentos da reforma de Maristela Temer. Para ele, não há relação com o caso de Lula.

“No caso de Lula, essa coisa de que houve algum tipo de vantagem trocada por qualquer coisa não tem paralelo. Tem que ver se houve contrapartida a Temer”, disse.

A senadora Vanessa Grazziotin (PC do B – AM) também afirmou que não há provas contra Lula e disse que as informações sobre Temer guardam mais semelhanças com o caso de Aécio Neves (PSDB-MG), acusado pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça por pedir R$ 2 milhões a Joesley Batista, um dos donos da empresa de carnes JBS.

“O caso do Temer é gravíssimo, é tipo o caso do Aecio. É o batom no colarinho”, disse.

Ministro de Temer põe em dúvida pagamento feito por mulher de coronel

O ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) colocou em dúvida que a mulher do coronel João Baptista Lima tenha pago despesas de uma obra da filha do presidente Michel Temer. Segundo ele, o presidente é alvo de perseguição e conspiração.

"Eu não sei se ele está dizendo a verdade. Eu não tenho como afirmar que isso é verdade e vejo como mais um capítulo dessa novela de perseguição", respondeu Marun ao ser questionado sobre matéria publicada nesta quinta-feira (12) pela Folha de S.Paulo.

Na reportagem, um fornecedor afirma que uma reforma na casa de Maristela Temer, filha do presidente, foi paga com dinheiro vivo por Maria Rita Fratezi, mulher de Lima, amigo pessoal do presidente e alvo de investigações da Polícia Federal.

Piero Cosulich, dono da Ibiza Acabamentos, uma das empresas que entregaram material na residência de Maristela, em Pinheiros, bairro nobre de São Paulo, afirmou à reportagem da Folha de S.Paulo que Fratezi era quem levava, pessoalmente, o dinheiro na loja.

Inicialmente, Marun tentou se esquivar da pergunta feita pela reportagem, dizendo que não se pode acreditar em tudo que um delator fala. "Temos que parar com essa visão de que o que fala o delator é uma absoluta verdade", disse.

Ao ter sua declaração contestada, já que não se trata de depoimento de um colaborador da Justiça, o ministro mudou o tom.

De acordo com ele, é necessário ter um mínimo de zelo" com a figura do presidente. "A forma como alguns se dirigem a ele nas colocações é uma prova de que está havendo uma perseguição".

Para Marun, é natural que Temer viaje a São Paulo, nesta quinta, para conversar com seus advogados após o ataque, nas palavras dele, que tem sofrido. "Alguém que sofre um ataque e uma perseguição dessas, se não tivesse algum tipo de cuidado, seria irresponsável. E a última coisa que ele é, é irresponsável".

Termer se reúne com advogados

Em meio ao cerco da Justiça a seus aliados e familiares, Temer decidiu ir na tarde desta quinta a São Paulo para se reunir com advogados. Oficialmente não constam compromissos na agenda do presidente no período da tarde.

De acordo com a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, os compromissos agendados na capital paulista são de ordem privada, e a viagem já estava prevista.

Nesta semana, o coronel Lima e José Yunes, ex-assessor do presidente, se tornaram réus, por determinação da Justiça Federal no DF, em investigações que apuram a formação de organização criminosa.

Na quarta (11), a Justiça federal no Rio Grande do Norte determinou que o presidente seja uma das testemunhas de dois ex-presidentes da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves, ambos presos na Lava Jato.

Com amigos réus, Temer diz que não se incomodará com críticas

No momento em que amigos próximos viram réus por suspeitas de irregularidades, o presidente Michel Temer afirmou nesta quinta-feira (12) que não se incomodará com críticas.

Em discurso, durante reunião da nova equipe ministerial, ele disse que, mesmo diante de protestos e ataques, o seu mandato não sofrerá abalos ou interrupções.

"Não vamos nos incomodar com as críticas, não vamos nos incomodar com aqueles que querem dizer que não pode. Nós vamos em frente, enquanto as pessoas protestam, a caravana do governo vai trabalhando", disse.

Na última segunda-feira (9), foi aceita denúncia de organização criminosa contra o coronel João Baptista de Lima Filho e o advogado José Yunes.

E, nesta quinta-feira (12), a Folha de S.Paulo revelou que a arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher do coronel, pagou em dinheiro vivo despesas de reforma na casa de uma das filhas do presidente.

Em conversas reservadas, o presidente tem reclamado do que tem chamado de "cerco jurídico" e viajará nesta quinta-feira (12) a São Paulo para conversar com sua equipe jurídica.

Ele também tem reclamado das críticas feitas por colunistas da imprensa à sua administração, sobretudo às vésperas do processo eleitoral.

No pronunciamento, de quase 40 minutos, Temer fez uma espécie de balanço de seu governo e ordenou que a nova equipe ministerial respeite as teses de seu mandato e não abandone programas em andamento.

Segundo ele, não é "admissível" fazer neste momento alterações estruturais nas pastas e mudanças em iniciativas implementadas pelo atual governo.

"Eu ressalto muito a palavra continuidade, porque às vezes um ministro pode chegar e entender que pode modificar programas e a estrutura. Isso, neste momento, devo alertar, não é razoável e nem admissível", disse.

Ele mencionou ainda que o teto de gastos não afetou os investimentos em saúde e educação e citou o que considera realizações nas áreas social e econômica.

Segundo ele, a intervenção no Rio de Janeiro tem apresentado uma sensível redução nos crimes, mas não é possível resolver a questão de uma hora para outra.

"Muitas vezes, ela não produz resultado de um dia para o outro. As coisas têm um ritmo. E um ritmo muito célere", disse.

No discurso, porém, não mencionou o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), que seu governo não conseguiu solucionar até o momento, e as mortes em penitenciária em Belém, sobre as quais ele não lamentou.

Na área econômica, ele citou os saques do PIS/Pasep, além de medidas para ajudar os municípios em 2016 e em 2017.

Ele também defendeu a privatização da Eletrobrás, mas rejeitou tratar a venda de ações da companhia estatal pelo termo "privatização" e chamou de "aumento da presença privada" na empresa.

A proposta polêmica tem sofrido rejeição na Câmara dos Deputados, inclusive junto à base aliada, que não quer votá-la antes das eleições deste ano.

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