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Dados contrariam fala de Meirelles sobre salários iguais para homens e mulheres em 20 anos

Suposto alcance dessa igualdade no mercado de trabalho é uma das justificativas do governo para igualar a idade mínima de aposentadoria de homens e mulheres, proposta na reforma da Previdência

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
09/03/2017 às 17H33
Meirelles afirmou que a prioridade é recuperar a economia - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Meirelles afirmou que a prioridade é recuperar a economia - Marcelo Camargo/Agência Brasil


FERNANDA PERRIN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Contrariando estimativas internacionais e dados do IBGE, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a desigualdade histórica entre homens e mulheres no mercado de trabalho vai acabar no Brasil no prazo de 20 anos.

De acordo com estudo do Fórum Econômico Mundial publicado em novembro, porém, a igualdade salarial entre os gêneros no mundo será alcançada apenas em 2186 -daqui 169 anos.

No ranking elaborado pela instituição, o Brasil figura na 79ª posição de uma lista de 144 países.

O suposto alcance dessa igualdade no mercado de trabalho é uma das justificativas do governo para igualar a idade mínima de aposentadoria de homens e mulheres, proposta na reforma da Previdência que tramita no Congresso.

Hoje, mulheres podem se aposentar cinco anos mais cedo do que os homens tanto no caso da aposentadoria por idade quanto no da por tempo de contribuição.

"Mulheres mais jovens já estão com remuneração igual"

Segundo Meirelles, a diferença salarial entre homens e mulheres jovens (de até 25 anos de idade) é praticamente inexistente. Segundo cálculos do governo, nessa faixa etária elas recebem o equivalente a 99% do que é pago aos homens, em média.

"As mulheres mais jovens já estão com remuneração igual à dos homens. A tendência obviamente é que em 20 anos isso estará igualado [nas faixas etárias mais velhas]. Então nós teremos um mercado de trabalho igualitário", afirmou o ministro.

Estudos mostram, contudo, que a desigualdade salarial entre os gêneros cresce à medida que os profissionais avançam na carreira, uma vez que os homens tendem a ser mais promovidos e receber mais aumentos do que as mulheres.

O ministro, porém, negou que isso seja uma realidade no mercado de trabalho. "As empresas cada vez mais estão pressionadas por resultado, então têm que colocar o profissional que gera mais resultado", afirmou.

"Existe cada vez mais uma qualificação das mulheres e presença maior no mercado de trabalho. E também nos escalões mais elevados, é um fenômeno global", disse o ministro a jornalistas após evento em São Paulo nesta quinta (9).

Mulheres continuam recebendo menos, segundo IBGE

Dados do IBGE, porém, mostram o contrário. Em 2015, mulheres em cargos de chefia ou direção recebiam 68% do que era pago aos homens na mesma posição -percentual inferior ao registrado há dez anos, quando a remuneração das mulheres no alto escalão equivalia a 71% do que era pago aos homens.

A fala de Meirelles acontece em um momento delicado na relação do governo com as mulheres. Nesta quarta (8), o presidente Michel Temer cometeu uma série de gafes em seu discurso em comemoração do Dia Internacional da Mulher.

"Tenho absoluta convicção, até por formação familiar e por estar ao lado da Marcela [Temer], do quanto a mulher faz pela casa, pelo lar", disse o presidente. "Na economia, também, a mulher tem uma grande participação. Ninguém mais é capaz de indicar os desajustes, por exemplo, de preços em supermercados mais do que a mulher. Ninguém é capaz melhor de identificar eventuais flutuações econômicas do que a mulher, pelo orçamento doméstico maior ou menor".

>> 'Tenho convicção do que a mulher faz pela casa', diz Temer no Dia Internacional da Mulher

Não é a primeira polêmica sobre mulheres na qual Temer se envolve. Logo no início de seu governo, o presidente foi alvo de críticas por nomear um ministério composto exclusivamente por homens.

Pressionado, o peemedebista aumentou timidamente a presença feminina em seu governo. Atualmente, das 28 pastas na Esplanada dos Ministérios, duas são ocupadas por mulheres: a Advocacia-Geral da União e a de Direitos Humanos.

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