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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Cultivo de ostras é considerado de baixo risco em Santa Catarina

Contaminação de toxina produzida por algas e que paralisou a extração dos moluscos no litoral catarinense não prejudicou o cultivo

Alessandra Ogeda
Florianópolis

Diferente da contaminação provocada pelo óleo que vazou de uma estação desativada da Celesc no final de 2012 na região da Tapera, em Florianópolis, a proibição da extração de ostras, vieiras, mexilhões e berbigões no Estado feita nos últimos dias não prejudicou a imagem da produção catarinense. Esta é a leitura dos produtores de ostra do Ribeirão da Ilha, na Capital, da entidade que representa bares e restaurantes e da secretaria de Agricultura e Pesca do Estado.

Rosane Lima/ND
távio Narciso Barcelos, 62 anos, e Jardel Joaquim da Silveira, 37, voltam às atividades

De acordo com Estanislau Emílio Bresolin, presidente da Fhoresc (Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado de Santa Catarina), as medidas preventivas adotadas pelo Estado tem servido como garantia do produto e ajudado na credibilidade dele.

"Tanto para o produtor quanto para os restaurantes é importante esse registro de que o governo fiscaliza muito rigorosamente a produção. Assim, o consumidor sabe que se o produto está disponível é porque têm absoluta garantia e qualidade", opina.

Nos últimos anos, segundo Bresolin, a venda das ostras catarinenses segue aumentando, especialmente para mercados como Rio de Janeiro e São Paulo, onde o produto daqui é considerado "de grife". Na avaliação do secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, a maricultura é uma atividade de baixo risco.

Isso porque o produtor está suscetível apenas a dois tipos de contaminação: a da toxina diarreica (DSP), causada por algas e que foi identificada nos últimos dias em Santa Catarina, e a outra provocada pela poluição. A DSP causou a proibição da retirada, comercialização e consumo este ano e, anteriormente, em 2008. 

"Contra a toxina, o produtor não pode fazer nada, porque é um fenômeno da Natureza. Mas o risco é baixo, comparado com outras atividades, porque ele tem o mecanismo da espera a seu favor. Basta ele não colher no período indicado. A produção retida não é perdida porque o molusco se filtra novamente (livrando-se da toxina no caso das áreas contaminadas)", esclarece.

Atividades como a fruticultura, especialmente a maçã, têm risco muito maior de perdas com o granizo, explica Spies. O mesmo a respeito da produção de grãos, que sofre com a estiagem - problema que, nos últimos dez anos, foi registrado em sete safras no Estado. "Essas perdas são muito menores na maricultura".

 

 

Pedidos para os consumidores do Sudeste seguem inalterados

No número 6.026 da Avenida Baldicero Filomeno, no bairro Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, tradicional reduto da produção de ostras na cidade, os maricultores Otávio Narciso Barcelos, 62 anos, e Jardel Joaquim da Silveira, 37, confirmam que as vendas para os restaurantes do Sudeste seguem em alta.

A proibição da retirada dos moluscos não afetou a atividade de Barcelos e Silveira porque eles não trabalham no final de semana. "Entregamos a produção para uma empresa que vende para o Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Essa proibição não afetou em nada, porque os pedidos permaneceram os mesmos", conta Barcelos. Na opinião dos produtores, o controle feito no Estado ajuda na atividade porque dá segurança para os consumidores e para os maricultores.

Com um cultivo que varia entre 400 mil e 500 mil ostras e com a colheita diária de 500 dúzias, a dupla de produtores teve prejuízo apenas no episódio do vazamento do óleo da estação desativada da Celesc. "Ficamos cinco meses sem poder vender, e bem na época em que colocamos as sementes (do cultivo de ostras)", explica Barcelos. "Perdemos material e atrasamos a produção. Com isso, até a ostra crescer, perdemos 50% da produção", conta Silveira. Situação já superada agora.

 

 

Consumidores voltaram a comprar com a mesma frequência no Ribeirão da Ilha

Vizinho dos produtores de ostra do Ribeirão da Ilha que vendem a mercadoria para o Sudeste, o maricultor e funcionário público Rogério Bonatelli, 55 anos, diz que nunca viu contaminação alguma na região. De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, não houve contaminação na parte insular da Capital desta vez - a proibição foi feita de forma preventiva.

Trabalhando há 18 anos com a produção de ostras, ele vende cerca de 90% do cultivo na porta de casa cobrando R$ 5 a dúzia do produto. O restante, ele comercializa para uma peixaria e um restaurante no Norte da Ilha.

Com a proibição nestes últimos dias, Bonatelli deixou de vender o produto no final de semana. "Muitas pessoas ficaram sabendo da liberação e já me procuraram no domingo à tarde, mas como faço a extração apenas pela manhã, voltei a vender na segunda-feira", conta.

Ele atendeu oito clientes na segunda-feira. Um número normal, segundo ele. "Logo depois que foi liberado, muita gente procurou pelo produto. Porque eles sabem da qualidade e confiam na ostra produzida aqui", contou. Bonatelli tem 30 mil dúzias de ostras prontas para serem retiradas da água e vendidas. 

A situação do vazamento de óleo no final de 2012 e início de 2013 foi pior, segundo o produtor. "Mesmo sem termos contaminação aqui, naquele momento foi mais complicado porque demorou mais para provarmos para as pessoas que não havia problema algum", revela.

 

 

Problemas anteriores fizeram Estado optar por ação preventiva

Santa Catarina tem 820 fazendas de maricultura que estão em processo de demarcação de áreas próprias. Para o secretário de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, a regularização da água com concessões públicas, feito com ineditismo por Santa Catarina no país, trará mais garantias para os produtores.

"Eles poderão investir em mais tecnologia, conseguindo financiamento no banco, tendo a possibilidade de comprar barcos e equipamentos. E o consumidor vai ganhar tendo a garantia de que os moluscos são produzidos com a tecnologia adequada", explica Spies. 

A produção da maricultura no Estado é monitorada quinzenalmente em 16 pontos pela Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina). A ocorrência da toxina diarreica (DSP) em 2008 e a contaminação do óleo na Tapera no final de 2012 e início de 2013 fizeram com que, nesta nova ocorrência da toxina, o Estado agisse preventivamente.

"Pela primeira vez adotamos a interdição preventiva, o que serviu para melhorar ainda mais a imagem do produto de Santa Catarina. Nenhuma pessoa foi contaminada. Foi um aprendizado em relação aos episódios anteriores", considera Spies. 

O secretário afirma que a vistoria dos pontos que seguem interditados porque foi detectada a presença da DSP - localidade de Paulas, em São Francisco do Sul, na região de Ganchos de Fora, em Governador Celso Ramos, e na cidade de Porto Belo - terminaram ontem. A expectativa é que se a última coleta não apresentar a toxina, estes locais possam ser liberados hoje à tarde - após a divulgação do resultado do teste, que demora 24 horas.

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