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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
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Cronologia das manifestações em Florianópolis e no País

Fábio Bispo
Florianópolis
Luiz Evangelista/ND
Instatisfação toma conta do país em onda de manifestações

 

O período é de preparação para Copa do Mundo, com a Copa das Confederações em andamento, num grande ensaio para as Olimpíadas de 2016. Mensaleiros condenados pelo Supremo, um pastor com ideais racistas na comissão de Direitos Humanos e um Senado que reveza seus coronéis na supervisão do país. Só que as pessoas na sala de jantar não parecem mais tão “ocupadas em nascer e morrer”. O aumento das tarifas no transporte coletivo foi estopim, e logo se misturou a um mar de insatisfações represadas ao longo de anos, onde o Brasil, sorrateiramente, deixou o patamar de país subdesenvolvido para figurar entre os emergentes.

Não foi só a primeira passeata em São Paulo, com menos de quatro mil pessoas e cenas de confrontos com a polícia, mas também a manifestação em Brasília, antes da abertura da Copa das Confederações, e todo esse ambiente de insatisfações, que em numa onda coletiva por mudanças culminou em mais de 1,2 milhões nas ruas na noite de quinta-feira em mais de 100 municípios. Apesar de expor uma indignação com a maneira que as políticas públicas são conduzidas e com a postura de certos políticos, o movimento nacional tem se destacado pelo inusitado: o de não levantar bandeiras partidárias.

Cronologia dos Fatos

6 de junho: 

Primeira manifestação contra o aumento da tarifa do transporte  público em São Paulo, organizada pelo Movimento Passe Livre. Entre 2.000  e 4.000 pessoas participam na ação e a polícia utiliza gás lacrimogêneo  e balas de borracha. 

7 de junho: 

Segundo dia de protesto em São Paulo também registra confronto  com a polícia e são detidos manifestantes. 

11 de junho: 

Terceiro protesto em São Paulo. A iniciativa reúne cerca  de 3.000 pessoas e começa a repercutir internacionalmente e nas redes sociais.  Cerca de 20 pessoas são detidas. 

13 de junho:

Quarto dia de protestos junta milhares de pessoas e paralisa  avenidas em São Paulo. Polícias reprimem o protesto com gás lacrimogêneo  e balas de borracha, ferindo manifestantes e repórteres. As imagens dos  feridos chamam a atenção mundial para os protestos. 

15 de junho:

Presidente Dilma Rousseff é vaiada durante a abertura  da Taça das Confederações. Do lado de fora do Estádio Mané Garrincha, manifestantes e policiais entraram em confronto. O Brasil estreou com vitória de 3 a 0 sobre a seleção japonesa.

16 de junho:

Comunidade brasileira manifesta-se na Irlanda e em Nova  Iorque. 

17 de junho:

Manifestantes ocupam cobertura do edifício-sede  do Congresso Nacional, em Brasília.

Outras capitais aderem às manifestações, que também se  repetem um pouco por todo o país.  

No Rio de Janeiro, o movimento atinge a marca dos 100 mil manifestantes.  No final, alguns dissidentes do movimento atearam um fogo no Edifício da  Assembleia Legislativa. O episódio terminou com 27 feridos. 

Em São Paulo, a manifestação reúne 65 mil pessoas.  

 

Agência Brasil/ND
Congresso é tomado no dia 17

 

18 de junho

Presidente Dilma Rousseff diz que o Brasil "acordou mais  forte" e assegura que seu governo está a ouvir "as vozes da rua". Fernando Haddad inicia negociação  com o Movimento Passe Livre e admite pela primeira vez reduzir o preço das  passagens.

Seis cidades brasileiras anunciam redução no preço das passagens. 

No exterior, brasileiros reúnem-se para protestar em Londres e Lisboa.

Depredação no edifício da Prefeitura de São Paulo.

Manifestantes estão nitidamente divididos  entre uma maioria que defende atos mais pacíficos e uma parcela que acredita em protestos mais enérgicos. 

 

19 de junho:

O anúncio da redução das tarifas em diversas cidades não teve o efeito esperado e os protestos mantiveram-se. Em São Paulo e em Brasília houve bloqueio de estradas. No Rio de Janeiro ocorreram confrontos entre manifestantes e a polícia.

20 de junho:

Mais de 1,2 milhões vão às ruas em mais de 100 cidades pelo país. O Movimento Passe Livre, que até então servia de base política para os protestos se divide contra uma massa que insiste em não desfraldar bandeiras.

Em Florianópolis mais de 30 mil fora às ruas numa manifestação pacífica. Muitos reclamaram do tom de passeata do protesto, enquanto outros orgulharam-se de integrar a multidão que pedia melhorias.

21 de junho: Dilma se reúne com ministros e faz pronunciamento em cadeia nacional de televisão e rádio. A presidente vinha sendo cobrada pelo silêncio diante dos protestos. Seus interlocutores políticos ponderam que ao assumir a responsabilidade pelas respostas, Dilma pode se tornar alvo das reivindicações - hoje distribuídas entre os governos federal, Estados e municípios. 

 

Débora Klempous/ND
Mais de 30 mil pessoas ocupam as pontes de Florianópolis

 

Principais bandeiras

PEC 37: Seria votada no dia 26 agora. Sua aprovação torna exclusivo o poder de investigação criminal das polícias federal e civis, retirando esta atribuição de alguns órgãos, sobretudo, do Ministério Público. No Facebook, milhares se organizam contra a aprovação durante as manifestações em todo o país. Na quinta, o adiamento de votação da proposta foi anunciado.

Estatuto do Nascituro: A proposta prevê que a mulher que engravida após um estupro e não tem condições econômicas de cuidar da criança terá direito a uma pensão alimentícia paga pelo Estado. Manifestantes apontam como “retrocessos” do Estatuto que muitos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres serão retirados, como em algumas hipóteses de aborto já legalizadas (por exemplo, em casos de risco de morte para a gestante).

Gastos com a Copa 2014: A construção de estádios modernos, desapropriações em nome do evento. O Gasto com o Estádio Mané Garrincha, por exemplo, seria suficiente para construir 150 mil casas populares. Só em estádios, foram gastos R$ 7,1 bilhões, custo de oito mil novas escolas.

Cura Gay: Aprovada na terça, dia 18, a proposta trata o homossexualismo como doença. Há quase 30 anos a homossexualidade foi excluída da Classificação Internacional das Doenças. Em seu relatório, o relator da matéria na CDH, o deputado Anderson Ferreira (PR-PE), defendeu que a orientação do conselho impede que homossexuais "mudem" sua orientação com a ajuda de um profissional.

Transporte Coletivo: Estopim das manifestações, o aumento das passagens levou milhares às ruas em São Paulo e em outras cidades pela redução da tarifa.

Em Florianópolis, às vésperas de processo licitatório para prestação do serviço na cidade, o Movimento Passe Livre quer a adoção de outro modelo, com maiores subsídios da prefeitura e menos controle por parte das empresas que prestam o serviço.

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