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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Crise no mercado financeiro não chega ao bolso do consumidor e Ibovespa reage e sobe 5,10%

Economistas e líderes empresarias dizem que reflexos da crise global devem ficar longe do dia-a-dia da população

Redação ND
Florianópolis
Arquivo/ND
Depois de cair 8,08% na segunda-feira, bolsa subiu 5,10% nopregão de ontem

Danilo Duarte e Oliveira Mussi
redacao@noticiasdodia.com.br

A crise das bolsas de valores de todo o planeta, que vem assustando investidores desde a quarta-feira passada e chegou a provocar uma queda de 30% no ano no Ibovespa, ainda não está afetando o consumidor final. Mas a atenção ao comportamento do mercado é fundamental para compreender os possíveis desdobramentos que o caso pode tomar, incluindo aí medidas econômicas que possa ser lançadas pelo Governo Federal para conter uma nova crise brasileira.

Ontem, uma reação foi ensaiada pela Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que fechou em alta de 5,10%. Para o economista Paulo de Tarso Guilhon, que preside o conselho regional catarinense, a especulação pode ter favorecido. As negociações de papéis se intensificaram ontem, segundo ele, porque os valores de cada ação sofreu redução, o que animou para a retomada da compra.

No entanto, Guilhon aponta que ainda é cedo para afirmar que há reflexos para a economia brasileira e ainda mais prematuro afirmar que a situação afetará o custo de bens de consumo que sejam de primeira necessidade, como combustível e os itens da cesta básica, por exemplo. Isto ocorre porque a desvalorização das ações de grandes empresas não repercute diretamente no preço dos produtos ou serviços que elas oferecem ao mercado.

Tranquilidade para os motoristas da Grande Florianópolis é o que estima o presidente do Sindópolis (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis Minerais de Florianópolis) a curto prazo. Luiz Ângelo Sombrio aponta que ainda não há definições sobre variação nos preços de combustíveis em função da reanimação do valor do dólar ou da crise nas bolsas. “Nos próximos dias observaremos o mercado, somente então poderemos definir uma posição de elevação ou redução no custo dos combustíveis na bomba”, relatou Sombrio.

De acordo com José Álvaro de Lima Cardoso, supervisor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), a influência deve ser mínima sobre a cesta básica, já que o custo dela está mais atrelado a condições climáticas do que a bolsa de valores.

No entanto, o setor industrial catarinense ainda está receoso. “O momento é de análise sobre as medidas adotadas pelo Federal Reserve (Banco Central americano) e o impacto disto para a economia mundial, principalmente para o setor de exportações catarinenses”, afirma o diretor de relações industriais e institucionais da Fiesc, Henry Quaresma. A cautela tem razão de ser, já que os Estados Unidos são o principal destino das mercadorias do Estado vendidas ao exterior.

Bases firmes garantem solidez brasileira
O supervisor do Dieese lembra que o Brasil está preparado para enfrentar a crise. “Se em 2008, quando aconteceu aquilo que seria a segunda maior crise econômica do mundo, tínhamos US$ 205 bilhões de reserva e precisamos usar apenas algo próximo de US$ 15 bilhões para nos mantermos, hoje nossas reservas estão em US$ 340 bilhões, o que é mais do que suficiente para evitarmos problemas maiores”, conclui José Álvaro de Lima Cardoso.

A solidez das reservas brasileiras também é citada pelo presidente do Conselho Regional de Economia, Paulo de Tarso Guilhon. “Além disso, o governo brasileiro pode lançar mão de instrumentos já utilizados em 2008, como a redução na taxa de juros e a diminuição de alíquotas em certos segmentos da economia, com o propósito de reaquecer o consumo interno e passar com menos arranhões”, explica o economista.

Hoje a relação entre dívida líquida por PIB, no Brasil, está em parâmetros muito melhores que países desenvolvidos como Alemanha, EUA, Inglaterra e França, de acordo com o sócio da JB3 Investimentos Jorge Barbato Neto. Se no Brasil 36% do PIB estão comprometidos com dividas, Alemanha, EUA, Inglaterra e França tem, respectivamente, 60%, 73%, 74% e 78% de seus PIBs comprometidos.

Crise pode abrir boa possibilidade de investimentos
Para Jorge Barbato Neto, um dos sócios da JB3 Investimentos, de Florianópolis, a crise deve ser encarada como uma oportunidade. “Estamos com uma campanha junto aos nossos investidores para mostrar que essa crise pode ser sim transformada em oportunidade, até porque o mercado reza: compre na baixa, venda na alta”, ensina Barbato Neto. Ou seja, ele aconselha a compra de papéis, mas com cautela e calma, sempre respaldado por consultores.

De acordo com o assessor de investimentos, se a crise se consolidar, freiará o fomento do comércio, que pode significar redução no PIB (Produto Interno Bruto) do país e até causar demissões. Por outro lado seguraria a inflação e as taxas de juros, o que pode beneficiar as classes econômicas menos favorecidas.


Depois do susto, Bovespa tem alta de 5,10%
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em forte recuperação ontem, após a pior queda desde outubro de 2008 na véspera. O dia foi marcado pela recuperação dos principais mercados mundiais. A valorização dos papéis chegou a perder força depois do pronunciamento do Fed (banco central americano) sobre a manutenção das taxas de juros, mas voltou a acelerar no final da sessão.

O Ibovespa, o termômetro dos negócios da bolsa paulista, subiu 5,10%, atingindo os 51.150 pontos. O giro financeiro foi de R$ 10,33 bilhões. O aumento foi o maior desde outubro de 2009. Ainda assim, a bolsa paulista registra queda de 13% no mês.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones teve alta de 3,98%, o Nasdaq subiu 5,29% e o S&P 500 ganhou 4,74%.

O Banco Central dos EUA decidiu segurar  as taxas de juros em patamar histórico de baixa (entre zero e 0,25 a.a.) e anunciou que vai mantê-la assim pelo menos até 2013.

A avaliação do Fed, de acordo com o pronunciamento desta terça-feira, é de que o crescimento econômico está mais fraco do que o esperado.
"O mais importante do anúncio do Fed foi a falta de mais notícias ruins. Logo após a divulgação do comunicado, o mercado chegou a tomar um susto com a afirmação de que a recuperação pode levar mais tempo, mas depois houve a percepção de que a coisa não era tão ruim assim", afirmou Clodoir Vieira, economista da corretora Souza Barros.

O pronunciamento do BC americano permitiu que os mercados mantivessem as compras de ações iniciadas já no começo da sessão, aproveitando o preço baixo de ações de diversas empresas.
Vieira disse, porém, que a alta de ontem não significa uma mudança de tendência na bolsa. "Os investidores devem ter um pouco de cautela e ficar atentos às notícias nos próximos dias", afirmou.

Mantega prevê problemas por dois anos
Em sua fala no plenário da Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que a piora da classificação de risco dos títulos de dívida dos Estados Unidos fará com que a economia global tenha problemas pelos próximos dois anos.

Ainda de acordo com o ministro, o país está preparado para enfrentar a crise, pois "tem um dinamismo que outros países não têm".

Para minimizar os efeitos da crise econômica-financeira internacional no Brasil, o Planalto espera que os partidos aliados ajudem a conter as insatisfações de deputados e de senadores no Congresso, incomodados por causa da retenção do dinheiro de suas emendas ao Orçamento neste ano -nada foi liberado.

Uma das principais preocupações do Planalto é a aprovação até dezembro de uma emenda constitucional para prorrogar a DRU (Desvinculação de Recursos da União) até 31 de dezembro de 2015.

A DRU em vigor no momento só vale até 31 de dezembro deste ano. Trata-se de um dos mais importantes instrumentos de gestão orçamentária do governo federal, pois permite ao Planalto usar como quiser até 20% da arrecadação de todos os tributos existentes.

O ministro defendeu ontem as medidas tomadas pelo governo para deter a valorização do real, como a cobrança de taxas no mercado de dólar futuro. Mantega disse que as medidas foram eficazes e continuarão a ser tomadas se necessário.
"Não pode dar liberdade para os mercados financeiros, foi a liberdade dada para especulação financeira que quase levaram os EUA à bancarrota. Não permitiremos isso no Brasil", afirmou.

O ministro disse ainda que o governo trabalha para proteger a economia brasileira da competição desleal de outros países e das guerras cambial e comercial. Segundo o ministro, isso poderá se agravar nos próximos anos com a continuidade da crise econômica, que levaria a uma redução nos mercados consumidores e o aumento de estratégias comerciais por parte dos países.

"Temos tomado medidas para impedir que haja um abuso que prejudicaria a conjunção brasileira", completou.

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