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Criação de santuário para baleias é novamente rejeitada em votação em Florianópolis

Com representantes de mais de 80 países, Comissão Baleeira Internacional se reúne na capital catarinense para discussão sobre a legalização da caça aos cetáceos, entre outros assuntos

Redação ND
Florianópolis
11/09/2018 às 17H20

A Comissão Internacional da Baleia/ Comissão Baleeira Internacional (CIB/CBI) reúne em Florianópolis até sexta-feira (14), no Costão do Santinho, representantes de mais de 80 países para debater sobre a preservação e a caça das baleias. A caça comercial às baleias é proibida mundialmente desde 1986 graças a uma moratória estabelecida pela CIB, mas países como Japão, Islândia e Noruega aproveitam brechas na legislação para seguirem matando os cetáceos.

Roteiro no Sul do Estado valoriza culturas tradicionais locais durante a observação das baleias - Tob Terra/Divulgação
Santuário para baleias não alcançou porcentagem suficiente de votos para aprovação - Tob Terra/Divulgação


A expectativa do Brasil era de que, nessa reunião, conseguisse aprovar o santuário do Atlântico do Sul, um projeto que já existe há 19 anos e visa proteger baleias e golfinhos de toda a América do Sul, África e Antártica. A proposta teve maioria dos votos favoráveis, mas não alcançou o mínimo necessário para ser aprovada no evento. O projeto tem sido pautado desde 2001 e rejeitado em todas as comissões seguintes. Foram 39 votos a favor, 25 contra, três abstenções e duas ausências. O índice de aprovação foi de 58,2%, mas são necessários 75% dos votos dos países presentes na plenária.

Em frente ao local do evento, ativistas pedem proteção aos animais marinhos. No auditório representantes de 88 países analisam as implicações sobre o pedido do Japão para liberar a caça comercial das baleias. Por ano, cerca de 400 mamíferos são mortos no Japão para fins científicos. O método é criticado por pesquisadores brasileiros.

“Outros fatores que vêm afetando as baleias, diferente do que a gente encontrava a um tempo atrás que era mais a caça, hoje em dia tem muito lixo que elas acabam ingerindo, resto de rede de pesca que fica no mar e elas ficam presas, além de redes ativas”, explica a coordenadora do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Fabia Luna, em entrevista à RICTV.

A comissão do evento analisa o uso de cotas automáticas, sem necessidade de revisão  a cada cinco anos. Para o biólogo Javier Rodrigues, da Costa Rica, essa é uma “mudança perigosa, que pode gerar descontrole e comprometer várias espécies”, afirmou.

A liberação da caça sustentável das baleias também é defendida pela Noruega e Islândia, que afirmam fazer parte da cultura local dos países. Uma outra polêmica são as caças para cotas de sobreviventes, que já acontece no Alasca e Groelândia, países que seguem normas rigorosas para manter a prática.

Representantes brasileiros já afirmaram que continuarão lutando pela criação do santuário mesmo com a derrota desta terça-feira (11).

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