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Cresce rejeição das mulheres a Jair Bolsonaro, aponta pesquisa Datafolha

Presidenciável preenche eleitorado cativo e vê rejeição subir em redutos mais pobres

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
22/08/2018 às 22H32

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A rejeição das mulheres ao nome de Jair Bolsonaro (PSL) cresceu nove pontos percentuais desde junho, de 34% para 43%, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta (22), o que leva o candidato ao topo dos que não seriam votados "de jeito nenhum" pelo eleitorado feminino. As mulheres representam 52% dos eleitores.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem a segunda maior rejeição: 33%. Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) são rejeitados por 23% das mulheres e estão empatados, na margem de erro de dois pontos percentuais, com Ciro Gomes (PDT), que tem 21% de índice de rejeição.

Jair Bolsonaro - Fábio Possebom/Agência Brasil/ND
Jair Bolsonaro - Fábio Possebom/Agência Brasil/ND


Apesar de ter subido dois pontos percentuais em intenções de votos entre as mulheres, desde a última pesquisa Datafolha, em junho (ele tem a preferência de 14% delas); a distância entre as intenções de votos femininos e masculinos para Bolsonaro aumentou de 14 para 16 pontos percentuais - isto em um cenário sem Lula.

O candidato do PSL é o que tem a maior disparidade entre o voto de homens e mulheres.

No último debate, na RedeTV, Bolsonaro foi confrontado por Marina sobre a afirmação dele de que a diferença salarial entre homens e mulheres não é uma questão a ser debatida por já ser vetada pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O deputado já afirmou, em um programa de TV em 2016, que "não empregaria [homens e mulheres] com o mesmo salário".

Ciro, que tem mirado o eleitorado feminino com uma postura mais moderada em debates e entrevistas, viu a diferença entre os votos de mulheres e homens diminuir: de quatro pontos para dois pontos percentuais. A redução veio porque ele subiu um ponto entre as mulheres e caiu um ponto entre os homens.

Marina continua tendo o melhor desempenho entre o eleitorado feminino, num cenário sem Lula: 19% das intenções de voto, seis pontos a mais do que seus votos masculinos. A candidata da Rede é a única que vai melhor entre as mulheres.

Cenários com Lula

Os números mudam com a presença de Lula, que está preso por corrupção e lavagem de dinheiro e, a princípio, inelegível. Ele tem 39% de intenções de votos entre mulheres, tirando eleitoras de Marina, que fica com apenas 10% delas, atrás, inclusive, de Bolsonaro, com 13%.

Outra mudança foi a queda significativa na parcela de mulheres que consideram votar em branco ou anular seu voto. Em junho, 33% delas diziam que não apoiariam nenhum dos candidatos, contra 23% dos homens que afirmaram estar dispostos a anular. O índice entre as mulheres caiu para 25%, e entre os homens, para 18%.

Não houve um principal beneficiado com a redução do voto nulo feminino: Marina, Bolsonaro, Alckmin e Haddad (PT) ganharam, cada um, mais 2 pontos percentuais entre elas.

Entre os homens, Bolsonaro e Haddad subiram quatro pontos percentuais desde junho, foram de 26% para 30%, e de 1% para 5%, respectivamente.

O Datafolha ouviu 8.433 pessoas em 313 municípios, de 20 a 21 de agosto. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 04023/2018. O nível de confiança é de 95%.

Bolsonaro vê rejeição subir em redutos mais pobres

Bolsonaro preencheu nos últimos meses um eleitorado cativo, que impulsionou seu crescimento nas pesquisas. Entre brasileiros com renda superior a dois salários mínimos, 88% dizem conhecer o deputado. No segmento com ensino superior completo, esse índice chega a 95%. Bolsonaro construiu sua base eleitoral justamente nestes dois grupos, em que atinge 29% e 27%, respectivamente, no levantamento mais recente do Datafolha.

Os números sugerem, porém, que o candidato pode estar se aproximando de um ponto de saturação nesse eleitorado. Cada vez mais conhecido, ele já enfrenta índices de rejeição altos nesses grupos.

Dos eleitores com curso superior, 46% dizem que não votariam no capitão reformado "de jeito nenhum". A taxa é de 38% entre quem ganha mais de dois salários mínimos.

Os índices de intenção de voto de Bolsonaro nesse eleitorado e nas regiões Sul e Sudeste sustentam sua liderança isolada nas pesquisas quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está fora da disputa.

Desde o início oficial da campanha, há uma semana, o deputado decidiu concentrar seus esforços nesses nichos, reforçando um discurso com base em ataques ao PT e em medidas duras para combater a violência.

Com pouco tempo na propaganda eleitoral, que começa no dia 31, o objetivo do presidenciável é cristalizar o eleitorado conquistado até aqui. Os 22% que tem hoje seriam suficientes para levá-lo ao segundo turno.

Por outro lado, Bolsonaro vê crescer com rapidez sua rejeição em redutos ainda pouco explorados por sua campanha. Desde o início do ano, subiram os percentuais de eleitores que dizem não votar no deputado no Nordeste, em famílias de baixa renda e em setores de menor escolaridade - tradicionalmente alinhados ao PT.

No grupo de baixa renda (até dois salários mínimos, que representam quase metade do eleitorado), a taxa de rejeição a Bolsonaro subiu de 27% em janeiro para 41% na última pesquisa. Nesse segmento, 30% dos eleitores dizem não conhecer o capitão reformado.

No Nordeste, o índice de rejeição cresceu 19 pontos percentuais no mesmo período, chegando a 50% do eleitorado da região. Para servir de comparação, a taxa é de 36% no Sudeste - onde Bolsonaro também é mais conhecido.

Um dos motivos para a inclinação da curva de rejeição ao presidenciável do PSL nesses segmentos é sua campanha fincada em uma plataforma antipetista, em especial contra o ex-presidente Lula. No Nordeste e nas famílias de menor renda, a popularidade do petista se aproxima dos 60%.  

Desempenho de Bolsonaro - por segmento de renda

Mais de 2 salários mínimos

  • Intenção de voto: 29%
  • Rejeição: 38%
  • Não conhecem: 12%

Até 2 salários mínimos

  • Intenção de voto: 14%
  • Rejeição: 41%
  • Não conhecem: 30%

Desempenho Bolsonaro - por segmento de escolaridade

Ensino superior
  • Intenção de voto: 27%
  • Rejeição: 46%
  • Não conhecem: 5%

Ensino fundamental

  • Intenção de voto: 13%
  • Rejeição: 37%
  • Taxa de conhecimento: 38%

Fonte: Pesquisa Datafolha com 8.433 eleitores feita em 313 municípios entre os dias 20 e 21 de agosto de 2018. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Levantamento registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR 04023/2018 

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