Publicidade
Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 19º C

Cracolândia no limite entre Florianópolis e São José volta a ser tomada por lixo

Atuação dos órgãos municipais das duas cidades tem se mostrado ineficiente para conter o consumo de drogas e o acúmulo de lixo a céu aberto

Fábio Bispo
Florianópolis
17/04/2018 às 22H14

Passava das 16h quando uma grávida empurrava um carrinho com material reciclado em direção ao viaduto da Via Expressa, no limite entre São José e Florianópolis, e começou a revirar o lixo em busca de mais materiais. A poucos metros, um homem montava uma espécie de barraca com placas de plástico e papelão para acender um cachimbo. Os carros cruzam a todo o momento, mas ninguém parece dar muita atenção, enquanto outros tentam embalar um sono. O lixo a céu aberto revela uma situação insalubre, de uma rotina que perdura 24 horas por dia. O reciclado, principal fonte de renda daquelas pessoas, para muitos é apenas um meio de consgeuir dinheiro para o consumo de crack.

Cracolândia, na Via Expressa, tem movimentação de pessoas 24 horas por dia - Marco Santiago/ND
Cracolândia, na Via Expressa, tem movimentação de pessoas 24 horas por dia - Marco Santiago/ND


Há oito meses, quando o MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina) realizou uma força-tarefa para dar o encaminhamento devido a moradores de rua que vivem na região, a expectativa era de que o local finalmente pudesse ser mantido limpo e sem pessoas vivendo ali sem nenhum tipo de estrutura. Mas segundo moradores, a ação não teve efeito prático algum e dias depois o local voltou a ser ocupado e o lixo rapidamente multiplicou. “O problema é que eles limpam num dia e no outro já estão aqui de volta. Nada do que foi feito até agora resolveu”, contou um comerciante que trabalha próximo ao local.

Os motivos que levaram àquelas pessoas a essa situação são os mais diversos. Um deixou a família após desavença amorosa, outro nem percebeu o vício em crack o levar a tal situação. Muitos dizem querer o tratamento de saúde para deixar a droga. E tantos outros abandonaram tratamentos e voltaram para as ruas.

Por estar localizado no limite entre Florianópolis e São José, desde a última força-tarfeça que as ações no local vêm sendo executadas de forma independente pelas duas prefeituras. Nesta terça-feira (17), no lado de São José, o local estava limpo devido à uma ação da Secretaria de Infraestrutura. No lado de Florianópolis, o amontoado de lixo já invadia um dos braços do rio Araújo.

Ministério Público promete ação mensal

No ano passado, após diversas denúncias de descaso das autoridades locais sobre a situação dos moradores de rua, do lixo a céu aberto e de tráfico, o Ministério Público resolveu fazer uma ação em conjunto com órgãos dos dois municípios e Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). A força-tarefa cadastrou as pessoas e ofereceu opções de encaminhamentos para tratamento dos dependentes químicos. Também foi cobrada a apresentação de alvará dos ferros-velhos da região, que segundo a promotoria fomentam a venda de materiais reciclados para o uso de drogas.

Ao ser questionado sobre os efeitos da ação de agosto do ano passado, o MP-SC informou que uma nova força-tarefa será realizada no local. E por meio do Grupo Permanente de Defesa das Pessoas em Situação de Rua devem ser acordadas ações mensais envolvendo órgãos dos dois municípios.

Lixo fica acumulado no limite entre a Capital e São José - Marco Santiago/ND
Lixo fica acumulado no limite entre a Capital e São José - Marco Santiago/ND

Secretária critica ações de moradores

A Prefeitura de Florianópolis informou que a administração tem atuado na abordagem das pessoas em situação de rua por meio do programa Floripa Social, que envolve diversos órgãos do município. Por meio de nota, a Secretaria de Assistência Social informou que a maioria das pessoas no local resistem aos encaminhamentos para tratamento. “Esse local em especial tem um grave problema com dependentes químicos que se opõem ao tratamento. A Assistência Social segue unindo forças principalmente com o Consultório de Rua, da Saúde, para prestar um atendimento completo e eficaz de conscientização e resgate de cidadania dessas pessoas”, diz a nota.

A secretária adjunta de São José, Sandra Machado, aponta os mesmos problemas para resolver a situação. E disse que ação de voluntários, que servem alimentação aos moradores do local, acaba criando uma situação de facilidade para permanência deles naquela região. “É uma situação bastante complexa, principalmente por conta do grande número de dependentes químicos. Temos realizado ações que envolvem as secretarias de Infraestrutura e Assistência Social e Guarda Municipal e o que podemos oferecer são os serviços de saúde, para o tratamento químico, e de assistência social”, disse.

Publicidade

2 Comentários

Publicidade
Publicidade