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Logo após abordagem do MP, usuários de droga retornam ao limite entre a Capital e São José

"Cracolândia" está na mira do Poder Público e deve receber intervenções de engenharia; fechamento de galeria pluvial e limpeza de canais devem dificultar presença no local

Cristiano Rigo Dalcin
Florianópolis
11/07/2018 às 22H54

Menos de duas horas após a abordagem e identificação de 15 pessoas nas imediações da Rua Josué di Bernardi por uma força-tarefa, sete já haviam retornado ao local, embaixo do viaduto da Via Expressa (BR-282), limite entre os municípios de Florianópolis e São José. Na próxima semana devem ocorrer intervenções de engenharia para dificultar a ocupação e a presença de usuários de drogas na região também conhecida como "cracolândia".

Pela manhã, a ação conjunta coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com participação da Polícia Militar (PM) e equipes das duas prefeituras, identificou 15 pessoas. Todas foram orientadas a procurar albergues (moradores de rua) ou clínica de reabilitação (usuários de drogas), mas recusaram de imediato as oportunidade oferecidas. A Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap) também participou da ação para limpar o local e recolher duas caçambas com lixo depositado nas imediações.

Usuários de drogas voltaram a frequentar área do viaduto da Via Expressa, ao lado da Chico Mendes. - Foto Flávio Tin/ND
Usuários de drogas voltaram a frequentar área do viaduto da Via Expressa, ao lado da Chico Mendes. - Foto Flávio Tin/ND


O retorno daquelas pessoas à tarde não surpreende o promotor de Justiça Daniel Paladino, integrantes do Grupo Permanente em Defesa das Pessoas em Situação de Rua, formado por representantes do Ministério Público de Santa Catarina, Guarda Municipal, Polícia Militar e entidades civis organizadas e que formam a força-tarefa responsável pela abordagem e identificação dos moradores de rua e usuário de drogas no final da manhã. "A gente está acostumado com isso. Mas estamos marcando presença toda semana, e na próxima, faremos algumas intervenções de engenharia no local, como fechamento das galerias pluviais e limpeza dos canais", explica Paladino.

De acordo com o promotor, as intervenções estavam programadas para acontecer durante a ação integrada, mas um problema com um caminhão da Secretaria Municipal do Continente de Florianópolis impediu os trabalhos, que foram adiados para a próxima semana. Apesar da solução à vista para o viaduto da Via Expressa (BR-282), Paladino reconhece que a situação pode apenas ser transferida de local, como já ocorreu em outras cidades do país, como São Paulo, por exemplo. "Isso é possível e não temos como prever para onde eles podem ir. Mas estamos vigilantes. Nossa ideia não é expulsá-los desses locais. O fator humano conta para nós, por isso gostaríamos de encaminhá-los para atendimento, seja em clínicas ou albergues, mas não podemos impor. O grande problema é a droga, infelizmente são zumbis humanos".

Além do espaço utilizado pelos usuários, outra preocupação é com a saúde pública da região. "Naquele espaço público há um risco iminente de saúde pública, com o depósito de materiais altamente contagiosos e extremamente nocivos a saúde pública. Talvez não resolva 100% do problema, mas o Poder Público está presente e o local não é terra de ninguém", sentencia.

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