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“Cracolândia da Via Expressa” deve ser revitalizada após obra do Dnit

Local situado na BR-282 entre Florianópolis e São José é foco de ações sociais há mais de um ano

Andréa da Luz
Florianópolis
03/08/2018 às 19H04

A "cracolândia da Via Expressa" (BR-282), localizada entre os municípios de Florianópolis e São José, deve ser revitalizada assim que as obras do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) forem concluídas. Os trabalhos de prolongamento da galeria pluvial começaram nesta sexta-feira (3), na rua Josué Di Bernardi, com a finalidade de fechar a vala existente para evitar que seja utilizada por moradores de rua e usuários de drogas para o descarte de detritos.

Região entre Florianópolis e São José será revitalizada após obras do Dnit - Daniel Queiroz/ND
Região entre Florianópolis e São José, 'cracolândia' será revitalizada após obras na galeria pluvial  - Daniel Queiroz/ND


A informação é do promotor de Justiça Daniel Paladino, do MPSC ( Ministério Público de Santa Catarina), órgão que acompanha ações no local para coibir o tráfico de drogas na região. Segundo o promotor, a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) deve realizar um ajardinamento para recuperar a área, que é constantemente ocupada por usuários de drogas e moradores de rua e fica coberta de lixo e detritos, expondo a população a vários tipos de doenças.

O MPSC coordena ações há mais de um ano naquela área, através do grupo DOA (Defesa, Orientação e Apoio às Pessoas em Situação de Rua) composto por representantes de várias entidades (secretarias de Saúde, de Assistência Social, CDL, Comcap, Polícia Militar e Civil, entre outras). Tomado por lixos e barracos, o local passou por limpeza várias vezes, enquanto equipes faziam a identificação e a orientação a moradores de rua.

De acordo com Paladino, no começo havia cerca de 45 pessoas no local, mas após as ações contínuas do grupo o número caiu para oito na semana passada. Segundo ele, quase todos são usuários de drogas e há muita resistência em deixar as ruas. "Nos casos em que há necessidade, alguns são encaminhados para atendimento nos postos de saúde e quem aceita ajuda pode ser encaminhado para desintoxicação e assistência nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) do município", afirmou Paladino.

A última intervenção ocorreu na quinta-feira (2) com a equipe do Doa, Secretaria do Continente e Comcap. "Além de oferecer oportunidades de internação, volta para cidades de origem e alocação em albergues e orientar as pessoas em situação de rua, foram recolhidas cinco caçambas de lixo”, informou o promotor.

Duas vezes por semana, as equipes percorrem locais problemáticos - como a ponte Colombo Salles e túnel Antonieta de Barros, onde já houve melhoras segundo o promotor - no Centro e no continente para identificar lugares críticos, fechando esses espaços quando necessário e oferecendo ajuda a quem quiser deixar as ruas.

O trabalho começou em 2012, mas se intensificou com a criação do Doa em 2016. Por enquanto, não é cogitada a internação compulsória. "Embora seja prevista em lei, essa internação é feita em casos em que a pessoa perdeu a capacidade de discernimento e/ou quando oferece riscos à própria saúde ou a de terceiros", esclarece Paladino. "Estamos pensando em criar mecanismos para que isso seja possível, pois o serviço requer além da desintoxicação, o acompanhamento em clínicas de reabilitação e pposterior oferecimento de oportunidades de reinserção social, com a oferta de cursos profissionalizantes, por exemplo".

A diretora de Proteção Social Especial da Secretaria de Assistência Social de Florianópolis, Bárbara Cidral de Souza, disse que "esse é um trabalho de formiguinha", que não vai resultar em grandes número em um mês."Mas se em cada abordagem conseguirmos ajudar um ou duas pessoas já estamos tendo resultado", avalia. A diretoria trabalha em outras frentes, no sentido de ampliar o número de vagas de acolhimento, continuar ofertando alimentação e buscando parcerias para oferecer capacitação e educação para as pessoas que querem sair das ruas.

Por meio de assessoria, a prefeitura de São José informou que realizou o fechamento das áreas onde algumas pessoas em situação de rua se abrigavam e mantém a limpeza da área pertencente ao município, além da abordagem realizada pela Assistência Social e Guarda Municipal, em trabalho conjunto com o MPSC.


Obras devem terminar em 15 dias

As obras de fechamento da rede pluvial nas proximidades do viaduto da BR-282 devem finalizar em duas semanas, se não houver imprevistos. De acordo com o fiscal do contrato das obras de manutenção da rodovia, Huri Alexandre Raimundo, uma escavadeira hidráulica está no local para deixar a vala com uma área plana para a implantação das novas células de concreto pré-moldado, que já foram levadas até o local na semana passada.

Utilizando o contrato de manutenção, o Dnit vai prolongar a galeria pluvial por 12 metros e, depois, aplainar o local com um aterro, o qual receberá o plantio posterior de grama e trabalhos de jardinagem.

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