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Corrida por combustível cria congestionamentos e confusão no Centro de Florianópolis

No posto J. Cristóvão, onde o preço do litro da gasolina permaneceu em R$ 3,83, a filha fechou uma das pistas da Avenida Mauro Ramos. Duas creches dispensaram as crianças e vendas no comércio caem 60%

Michael Gonçalves
Florianópolis
25/05/2018 às 14H13

O 5º dia de paralisação dos caminhoneiros continuou provocando prejuízos ao comércio e dificultando a vida dos trabalhadores da Grande Florianópolis. Na manhã desta sexta-feira (25), dois postos receberam combustíveis e provocaram grandes congestionamentos no Centro e no bairro Capoeiras. No posto J. Cristóvão, onde o preço do litro da gasolina permaneceu em R$ 3,83, a filha fechou uma das pistas da Avenida Mauro Ramos.

Greve dos Caminhoneiros  - Daniel Queiroz/ND
O preço do litro da gasolina permaneceu em R$ 3,83, a filha fechou uma das pistas da Avenida Mauro Ramos - Daniel Queiroz/ND

Quem depende do transporte coletivo foi obrigado a pegar ônibus lotados nos horários de pico em função do horário de sábado praticado durante a sexta. Duas unidades da educação infantil na capital catarinense também dispensaram mais de 400 crianças pela falta do gás de cozinha.

Greve dos caminhoneiros  - Daniel Queiroz/ND
 Duas unidades da educação infantil na capital também dispensaram mais de 400 crianças - Daniel Queiroz/ND

Os consultores Dejair Salvador, 56, e Andrigo Casal, 36, ambos de Caxias do Sul (RS), enfrentaram o congestionamento para conseguir voltar para a casa. “Chegamos quinta-feira (24) pela manhã e o objetivo era realizar um bate e volta, mas rodamos a cidade inteira e não conseguimos abastecer. Fomos obrigados a ficar em um hotel e, com os R$ 80 que cada veículo pode abastecer, acredito que conseguiremos chegar até Torres (RS), onde também tenho um imóvel”, comentou Dejair.

Greve dos caminhoneiros  - Daniel Queiroz/ND
Os dois enfrentaram o congestionamento para conseguir voltar para a casa - Daniel Queiroz/ND



A oportunidade de abastecer gasolina provocou confusão no trânsito. Isso porque os motoristas formaram filas para o posto pela Avenida Mauro Ramos e pela Ferreira Lima. Nesta esquina, o buzinaço dava o tom da confusão. Esperando mais de uma hora para conseguir colocar o combustível para trabalhar, o motoboy Daniel Souza Portela, 25, liderou a fila de colegas do serviço.

Greve dos Caminhoneiros  - Daniel Queiroz/ND
O motoboy Daniel Souza Portela, 25, liderou a fila de colegas do serviço - Daniel Queiroz/ND



“Rodamos uma média de 100 quilômetros por dia e com um tanque consigo trabalhar dois dias. Já estava com o combustível na reserva e não teria como trabalhar se não tivéssemos encontrado este posto com gasolina. O problema é que coletamos materiais de exames de laboratório para clínicas e hospitais. Esse serviço começaria a ser prejudicado”, informou Daniel.

Quem teve sorte foi o empresário José Carlos Pauli, 56, que não ficou 15 minutos na fila. Ele estava em um hospital na Rua Menino Deus quando foi informado da chegada do combustível. “Apesar de ter meio tanque, coloquei mais R$ 75 para não ficar na mão”, contou o morador do bairro Estreito.

Greve dos caminhoneiros  - Daniel Queiroz/ND
O sortudo José Carlos Pauli, 56, que não ficou 15 minutos na fila - Daniel Queiroz/ND



Os funcionários do posto, que recebeu apenas um caminhão, não foram autorizados a dar entrevista.

 

Falta de gás de cozinha paralisa duas creches na Capital

Duas unidades de educação infantil, em Florianópolis, interromperam o atendimento nesta sexta-feira (25) em função da falta de gás de cozinha. Na creche Almirante Lucas Alexandre Boiteux, no Centro, 275 crianças, de quatro meses a cinco anos, foram dispensadas em função da impossibilidade de produzir alimentação. “As crianças realizam quatro refeições, dois lanches, o almoço e a janta, e sem o gás de cozinha fica impossível manter o atendimento. Isso porque uma parcela das crianças fica na unidade pelo período integral”, afirmou a presidente do conselho escolar, Tayse Paula Caldeira.

Também pela falta de gás o atendimento na creche Joel Rogério de Freitas, no Monte Cristo, foi realizado apenas até o meio-dia. Nessa unidade de educação infantil, 108 crianças foram dispensadas.

Segundo a assessoria da Secretaria Municipal de Educação, as outras unidades funcionam normalmente.

 

Greve dos caminhoneiros  - Daniel Queiroz/ND
Poucos clientes arriscaram sair de cara para comprar itens na Capital - Daniel Queiroz/ND



Comércio registra redução de 60% no movimento e usuários sofrem no transporte coletivo

O horário reduzido no transporte coletivo deixou o Centro de Florianópolis às moscas. Poucos clientes arriscaram sair de cara para comprar itens, neste momento, considerados superfulos diante de uma crise de combustível e de alimentos. Na Rua Deodoro, o empresário Leandro Kimura, 35, acumula os prejuízos.

Greve dos caminhoneiros  - Daniel Queiroz/ND
Leandro Kimura, 35, acumula os prejuízos - Daniel Queiroz/ND

“Para o comércio, a venda que deixou de ser realizada não volta mais. Temos contas diárias para pagar e o prejuízo já começou. Na quinta (24), a redução nas vendas chegou aos 40%. Já nesta sexta (25), com base no movimento pela manhã, a previsão é de uma queda de 60%. Sem falar nos funcionários, que chegam atrasados e esperam horas no terminal para o deslocamento para a casa”, lamentou o empresário.

O aposentado Carlos Pedro Machado, 65, sofreu com a espera no Ticen (Terminal Integrado do Centro). Acostumado a não esperar, ele precisou aguardar pelo coletivo em função do horário de sábado. “Infelizmente, não temos outra opção. No fim das contas é sempre o povo quem fica com a maior parte do prejuízo”, disparou.

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Carlos Pedro Machado, 65, sofreu com a espera no Ticen - Daniel Queiroz/ND

Apenas os coletivos do transporte executivo circularam com o horário normal.

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