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Corpo do reitor afastado da UFSC é sepultado em Florianópolis

O velório ocorreu na reitoria da universidade, com homenagens de familiares, amigos e da comunidade acadêmica. Também foi realizada uma sessão fúnebre do Conselho Universitário

Redação ND
Florianópolis (SC)
03/10/2017 às 18H59

O corpo do reitor afastado da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, foi sepultado na tarde desta terça-feira (3) no cemitério Jardim da Paz, em Florianópolis. A cerimônia do enterro iniciou por volta das 15h45, durou 45 minutos e foi acompanhado por centenas de pessoas. O padre Vilson Groh e Acioli de Olivo, irmão do reitor, fizeram discursos de despedida. Uma faixa de protesto foi estendida no cemitério. Cancellier foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (2) em um shopping da cidade, após tirar a própria vida.

No enterro estavam presentes amigos, servidores da UFSC, jornalistas, políticos, familiares. Também acompanharam o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, o secretário de Estado da Segurança Pública, César Augusto Grubba, o ex-ministro Manoel Dias, o presidente da Associação Catarinense de Imprensa (ACI), Ademir Arnon, entre outras autoridades. 

O velório ocorreu na reitoria da universidade, com homenagens de familiares, amigos e da comunidade acadêmica. Também foi realizada uma sessão fúnebre do Conselho Universitário no auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC.

Corpo de reitor afastado da UFSC é sepultado em Florianópolis - Felipe Alves/ ND
Corpo de reitor afastado da UFSC é sepultado em Florianópolis - Felipe Alves/ ND

Depoimentos

A trajetória de Cancellier esteve ligada principalmente à universidade, onde ele se formou e passou grande parte de sua vida profissional, mas também atuou nas áreas do direito, da política e do jornalismo. Em seu enterro, estiveram presentes o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, o secretário de Estado da Segurança Pública, César Augusto Grubba, o ex-ministro Manoel Dias, o presidente da Associação Catarinense de Imprensa (ACI), Ademir Arnon, o ex-reitor da UFSC, Rodolfo Pinto da Luz, entre outras autoridades.

Loureiro conhecia Cancellier há 26 anos, desde que o prefeito iniciou sua carreira política. “Ele foi uma referência na educação, com uma trajetória positiva no trabalho de comunicação, no curso de direito, de pós-graduação e na reitoria da UFSC. Muito mais que o trabalho dele, ele representava toda uma maneira de pensar na USFC, de forma plural, democrática. Uma pessoa de caráter que deixa um sentimento de perda e um vazio em toda a sociedade”, afirmou.

O ex-ministro Manoel Dias também tinha ligação de longa data com Cancellier. “Prisão no Brasil hoje é uma condenação. Fica aqui a nossa solidariedade. Ele certamente está em bom lugar e deixa como exemplo a lealdade, o companheirismo, e o sonho da construção de um Brasil igual, justo e democrático”, disse.  


Homenagem

A sessão do Conselho Universitário da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) teve a pauta alterada para que dezenas de autoridades acadêmicas, estudantes e amigos lotassem o auditório Garapuvu, no Centro de Eventos da UFSC, para fazer as últimas homenagens ao reitor Luiz Carlos Cancellier, que morreu na segunda-feira (2), em Florianópolis, após tirar a própria vida

A mesa principal foi composta por Eduardo Pinho Moreira, governador em exercício; Juliana Cidrak, secretária dos conselhos da UFSC; Alocoque Lorenzini Erdmann, reitora em exercício e o presidente do Conselho dos curadores, Milton Horn. 

A cerimônia de corpo presente começou às 11h com o auditório lotado. Pouco antes do início da sessão, Alacoque Lorenzini Erdmann, reitora em exercício, disse que a sessão solene com corpo presente marca uma despedida e faz uma homenagem ao reitor "que marca sua história pelos ideais e grandes sonhos para este lugar". 

Muito emocionada, ela ainda ressaltou que  Cancellier "deixa seu legado de trabalhar com ideias republicanas, de justiça e solidariedade". 

O primeiro a se manifestar foi Leonardo Bruno Pereira de Moraes, bacharel em direito, aluno de mestrado e orientando do reitor. Representando os alunos da UFSC ele fez duras críticas à forma como Cancellier foi tratado no processo da Operação Ouvidos Moucos e especialmente sobre a prisão do reitor, que chamou de "ação arbitrária".

"A tragédia de ontem não foi um acidente, mas sim uma consequêcia de um pré-julgamento de uma delegada, de uma série de equívocos. Queremos justiça, pois o homem do diálogo não teve oportunidade de ser ouvido antes de sua prisão", declarou.

>> Velório do reitor da UFSC é marcado por críticas e homenagens em Florianópolis

Logo em seguida, uma funcionária do quadro administrativo dos servidores e professores também proferiam palavras sobre o reitor, sua trajetória e a convivência com ele na universidade. 

O ex-senador e advogado Nelson Wedekin, amigo de Cancellier, disse que almoçou com ele há uma semana e que o reitor "dizia ter caído numa cilada da vida e mostrava uma calma estranha e uma resignação misteriosa".

O chefe de gabinete de Cancellier, Áureo Mafra de Moraes, lembrou que não pode dar um abraço em seu amigo de 30 anos. "Tínhamos medo que a aproximação com ele pudessem prejudicar de alguma forma. Nos despedimos de um amigo importante, mas convivemos com a dor de sua ausência há ao menos 20 dias. Não está sendo fácil para nenhum de nós." 

A reitora em exercício da UFSC encerrou a cerimônia solene, manifestando os agradecimentos à família de Cancellier por permitir que a Universidade pudesse compartilhar de sua despedida. "A UFSC reconhece a importância de Cancellier, a instituição ficará marcada de forma indelével da sua história, deixando legado para as próximas gerações. O professor foi referência como gestor, doutor e professor de direito administrativo. Deus o tenha em paz, meu querido Cao", finalizou a reitora em exercício. 



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