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Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2018
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Conselho de Promoção à Igualdade Racial de São José será composto nesta segunda-feira

Conforme vereador Adriano de Brito, comitê foi criado em função do crescente número de casos de preconceito racial no município

Marciano Diogo
Florianópolis

O racismo terá um novo agente opressor em São José. Na próxima segunda-feira, será composto o Conselho Municipal à Igualdade Racial, que formulará diretrizes para promoção de políticas publicas para promover o enfrentamento ao racismo na cidade. O conselho será composto por 20 membros, dez pessoas de entidades governamentais e dez de entidades civis.

Divulgação/ND
Único vereador negro da cidade, Adriano de Brito propôs o movimento para criar conselho


A lei que institui o conselho, que ficará atrelado à Secretaria Municipal de Assistência Social, foi aprovada por unanimidade na Câmara de Vereadores em abril deste ano. No início de junho, foi aberta a inscrição para cadastramento de entidades e pessoas físicas interessadas em participar da comissão. “A ideia veio em função do crescente número de casos de preconceito racial ocorridos em São José. Essa discriminação é sempre muito velada e, por isso, a necessidade de se criar uma política pública de enfrentamento ao racismo”, relatou Adriano de Brito, único vereador negro na cidade e propositor do movimento para criar o conselho.

Segundo o vereador, futuramente deve ser criada uma Coordenadoria de Promoção à Igualdade Racial no município. “O conselho promoverá ações como promoção de eventos culturais afrodescendente e criação de um espaço para recolher denúncias”, afirmou Adriano de Brito.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação de São José, existem estudos que comprovam a diferença salarial entre negros e brancos. “Além do fator salarial considerável, que sabemos ocorrer no município, também temos registros de casos de preconceitos em escolas da cidade, com crianças e adolescentes”, confirmou a coordenadora de setor de Igualdade Racial da Secretaria de Educação, Janaína Amorim.

Acerto de contas com a discriminação

Conforme o sociólogo Pedro Santos, existem fatores essenciais mediante a criação de qualquer entidade que procure promover políticas públicas de combate ao racismo. “A criação do órgão em si não resolve os problemas. É necessário que ele tenha efetividade para alcançar os objetivos almejados. A criação de qualquer entidade que procure promover a igualdade já explicita que existem problemas sociais a serem resolvidos. Porém, a promoção de uma raça não deve prejudicar outra, se não há a inversão da discriminação”, afirmou o especialista.

De acordo com o professor da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) Joci Rocha Gonçalves, a criação do conselho faz parte de um movimento que procura um acerto de contas com a discriminação racial histórica vivenciada pela humanidade. “Historicamente, a diversidade era tomada como ameaça e hoje ela é tomada como riqueza. Esse conselho procura combater a desigualdade e educar a sociedade para valorizar a diferença como riqueza. Existe um esforço internacional para que a humanidade aprenda a ser pluralista e a respeitar a diversidade”, concluiu o antropólogo e teólogo.

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