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Congresso realiza sessão solene em homenagem póstuma ao ex-reitor da UFSC

A iniciativa da solenidade teve como autores o senador Roberto Requião (PMDB-PR) e o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP)

Christiano Vasconcellos, especial para o ND
Brasília (DF)
31/10/2017 às 17H32

O Senado Federal realizou nesta terça-feira (31), uma sessão solene em homenagem póstuma ao ex-reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Luiz Carlos Cancellier de Olivo. A iniciativa teve como autores o senador Roberto Requião (PMDB-PR) e o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP). Familiares e amigos do professor também participaram do ato, que contou com boa parte da bancada federal catarinense e com representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

A homenagem foi aberta com a execução do hino nacional e do hino de Santa Catarina. O presidente da sessão, senador João Alberto Souza (PMDB-MA) leu uma breve biografia do professor Cancellier lembrando sua militância em movimentos estudantis durante o movimento das Diretas Já, em 1994. O senador Roberto Requião quer batizar a Lei de Abuso de autoridade como Lei Cancellier. Na tribuna, disse que o caso do suicídio do ex-reitor “é um exemplo claro e acabado de abuso de poder”.

Plenário do Senado Federal durante sessão solene do Congresso Nacional em homenagem póstuma a Luiz Carlos Cancellier de Olivo, ex-reitor da UFSC - Marcos Oliveira/Agência Senado
Plenário do Senado Federal durante sessão solene do Congresso Nacional em homenagem póstuma a Luiz Carlos Cancellier de Olivo, ex-reitor da UFSC - Marcos Oliveira/Agência Senado


O deputado Arlindo Chinaglia lembrou do artigo escrito por Cancellier em um jornal de circulação nacional em que ele reclamou de não ter sido ouvido antes da sua prisão, ocorrida no dia 14 de setembro. O ex-senador por Santa Catarina Nelson Wedekin, lembrou da conduta correta do homenageado como assessor parlamentar da Câmara dos Deputados e do Senado e finalizou dizendo não haver provas que justificassem a detenção: “Não havia malas de dinheiro”, disse. Não houve discursos de familiares de Luiz Carlos Cancellier, o desembargador do Tribunal de Justiça de Santa Catarina Lédio Rosa representou a família na tribuna do Senado.

O deputado Esperidião Amin (PP-SC) informou que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou o requerimento para convocação do diretor geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, da Procuradora Geral da República, Raquel Dodge e de um representante do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para que expliquem a ação que resultou com a prisão de Cancellier. “O que não pode é esquecer, sem ódio. É preciso que se promova a apuração”, defendeu o parlamentar. O pensamento foi compartilhado pelo deputado Décio Lima (PT-SC): “A maior perversidade que há nessa tragédia seria nos resignarmos”.

A ex-senadora e ex-ministra de Relações institucionais Ideli Salvatti foi mais dura e disse que os excessos precisam ser contidos. “ Vocês não têm o direito de submeter o preso a procedimentos vexatórios que se assemelham a tortura”.

Carta

Uma carta denúncia assinada por mais de 200 juristas, acadêmicos e membros do Ministério Público foi lida pelo advogado Marcelo Neves. O documento fala em ofensa aos pilares do estado democrático de direito no Brasil. “A morte do professor Cancellier foi o desfecho trágico mas anunciado diante da forma como os aparelhos de repressão penal vem funcionando no Brasil [...] A sua prisão açodada e exposição midiática do caso o transformaram do dia para noite em inimigo do povo colocando sobre seus ombros o dever de provar que era inocente o que é a mais clara subversão dos valores que regem a democracia”.

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