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Congresso evidencia a conexão entre natureza, economia e bem-estar, em Florianópolis

Evento discute como as unidades de conservação podem gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais à população, no Centrosul, até a próxima quinta-feira.

Michael Gonçalves
Florianópolis
31/07/2018 às 22H06

A gestão do patrimônio natural do Brasil pode gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais à população. Com esse enfoque, o 9º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação começou nesta terça-feira (31) e segue até quinta-feira (2) no CentroSul, em Florianópolis, com o tema “Futuros possíveis: economia e natureza”. Para o presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes da Biodiversidade), Paulo Carneiro, o país tem exemplos de sucesso e fracassos temporários. O presidente da Fundação Grupo Boticário, Artur Grynbaum, lembra que o objetivo deste evento é evidenciar ainda mais a conexão entre natureza, economia e bem-estar. São mais de 50 palestrantes de diferentes nacionalidades.

O Brasil tem mais de 2.000 unidades de conservação federais, estaduais e municipais. “Teremos a oportunidade de discutir grandes inovações legais, que poderão proporcionar a musculatura necessária para implementar este enorme sistema. Como o novo fundo de compensação ambiental, o aumento do tempo de contratação temporária dos servidores, o novo marco legal das concessões, a possibilidade de financiamento através da conversão de multas, a nova metodologia de elaboração dos planos de manejo, a avaliação de atividade da gestão e os protocolos de monitoramento implantados na Amazônia”, disse Carneiro.

Evento discute como as unidades de conservação - Daniel Queiroz/ND
Evento discute como as unidades de conservação podem gerar benefícios sociais - Daniel Queiroz/ND

As unidades de conservação são espaços territoriais e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes e com objetivos de conservação e limites definidos. A função delas é proteger os recursos hídricos, a biodiversidade (fauna e flora), as paisagens naturais e reduzir os riscos de desastres climáticos.

Desde a primeira edição do congresso, em 1997, diversas áreas protegidas foram criadas, ampliadas ou implementadas pelo encaminhamento das moções aprovadas. “Os palestrantes irão demonstrar como a conservação é a base para uma economia sustentável em longo prazo e como a natureza e os ecossistemas têm relevante valor para o bem-estar e a saúde humana”, destacou o presidente da Fundação Grupo Boticário, que organiza o evento.

Melhoria da qualidade de vida

O gerente de economia da biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, André Ferretti, lembra que os debates ficarão concentrados em como as áreas naturais podem melhorar a qualidade de vida das pessoas. Seja pela geração do bem-estar, com a preservação da fauna, da flora e dos recursos hídricos, ou pelo aspecto econômico.

“A sociedade tem mais saúde quando reside em uma região equilibrada e com mais natureza, onde os mananciais de abastecimento público de água são conservados e a manutenção da vegetação nativa evita os deslizamentos nas encostas”, disse. “A ideia aqui é como gerir melhor a natureza para que o morador seja beneficiado e para atrair mais visitantes, principalmente, em Florianópolis, que tem unidades federais, estaduais e municipais”, completou.

Segundo Ferretti, a legislação é curiosa, porque é boa em alguns aspectos e em outros é muito burocrática. “A estrutura e os elementos de gestão das unidades de conservação são deficientes. Precisamos facilitar o uso das unidades pela população e a geração de benefícios para a sociedade”, afirmou.

Debate abre novas possibilidades de desenvolvimento

O presidente do IMA (Instituto Meio Ambiente), Alexandre Waltrick, ressalta a importância das dez unidades de conservação em Santa Catarina. Ele destacou o potencial turístico das unidades e as possibilidades de geração de renda. “Um evento como este demonstra à sociedade e aos nossos governantes a importância que se deve dar a este tipo de instrumento, que é efetivo para a vida e para a geração de oportunidades e de possibilidades para que a gente possa agregar este tipo de economia também junto às nossas outras matrizes econômicas”, disse.

Waltrick também comentou sobre as dificuldades para criar uma unidade de conservação. “Uma sociedade não vai crescer e nem se perpetuar, se não houver cada vez mais espaços protegidos. Obviamente, precisamos dar uma nova roupagem às unidades de conservação, uma nova possibilidade de fomento econômico, uma nova possibilidade de fomento para o desenvolvimento, para acabar com alguns discursos contrários, que não têm base científica, legal ou cultural”, afirmou.

O primeiro painel com o tema “A natureza como oportunidade”, contou com as presenças do ex-piloto de Fórmula 1 Pedro Paulo Diniz - que transformou a fazenda da família em uma unidade que produz orgânicos em larga escala, do norte-americano Jason Clay, vice-presidente sênior para mercados e alimentos do WWF, e da brasileira Denise Hamú, com mais de 30 anos de experiência em conservação ambiental.

SAIBA MAIS

Somente o ICMBio gerencia 335 unidades de conservação públicas e 682 RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Natural)

O IMA (Instituto do Meio Ambiente) administra dez unidades de conservação em Santa Catarina

Florianópolis tem nove unidades de conservação do município e três RPPNs.

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