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Comunidade acadêmica lamenta a morte do reitor da UFSC, Luiz Cancellier

"O reitor foi vítima de um ato sensacionalista e de truculência", lamentou professor da universidade

Redação ND
Florianópolis
02/10/2017 às 18H57

A morte do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo chocou professores, alunos e técnicos da comunidade acadêmica da UFSC. Ainda no começo da tarde de segunda (2), diversas homenagens foram realizadas no hall da Reitoria. Orações e flores foram as manifestações mais presentes. Para o diretor do Centro de Desportos, Renato Moro, o reitor foi vítima do ataque feito à instituição. “O reitor foi vítima de um ato sensacionalista e de truculência. Ele foi injustiçado e ficou isolado. Nós queríamos ligar para ele e demonstrar a nossa solidariedade, mas fomos orientados a não fazê-lo. Mesmo em liberdade, ele estava em uma prisão mental. A UFSC tem os seus órgãos de apuração como a ouvidoria, por exemplo, e nenhuma denúncia ou reclamação fica sem resposta”, lamentou o professor.

Cancellier é velado na reitoria da universidade - Marco Santiago/ND
Cancellier é velado na reitoria da universidade - Marco Santiago/ND



Em bilhete, Cancellier diz que sua morte começou no dia que foi preso

Aluno de enfermagem, Wagner José Nascimento, 19, também estava emocionado. Com lágrimas nos olhos, o estudante lembrou do reitor como um homem solícito, íntegro e sempre preocupado com as pessoas. “É um momento muito sofrido e um descaso da população. Se tudo tivesse sido resolvido pelo diálogo, porque ele sempre foi um homem aberto à conversa, nada disso teria acontecido”, afirmou. O diretor do Centro de Ciências Agrárias, Walter Quadros Seiffert, tinha uma relação de amizade e estima pelo reitor. “Foi uma ação exagerada, que poderia ser tratada com diálogo antes de tomar uma decisão brutal. Pelos antecedentes dele, nada justifica essa ação policial. Ele será lembrado como o reitor da diversidade, que estava sempre aberto a novas ideias e opiniões”, declarou.

Relembre a trajetória acadêmica do ex-reitor da UFSC

Nesta terça-feira (3), às 11h, o Conselho Universitário fará uma sessão solene fúnebre, aberta à comunidade, no auditório Garupuvu.

Tratamento contra a depressão

De acordo com o irmão, Júlio Cancellier, o reitor estava em tratamento médico de depressão. “A vida dele era a universidade. A prisão causou um trauma muito profundo e psicologicamente ficou muito abatido. Ali começou o processo da morte dele. O que mais o afligia era a convicção que fez tudo correto. Todos os procedimentos recomendados pela equipe, procuradoria. Ele sempre foi uma pessoa de diálogo e, por isso, foi imputada a ele uma condição de obstrução, mas estava apenas procurando ouvir todos os lados, como o bom jornalista que sempre foi”, disse.

Os diretores das Unidades Acadêmicas da universidade decidiram suspender todas as atividades acadêmicas e administrativas por três dias, em sinal de luto. Outras atividades, já agendadas ou que envolvam convidados externos ou eventos em andamento, deverão ser avaliadas caso a caso.

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