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Compre de SC: campanha do Governo busca incentivar consumo de produtos locais

Após a greve dos caminhoneiros, campanha quer minimizar os prejuízos com os 10 dias de paralisações

Felipe Alves
Florianópolis
09/06/2018 às 09H25

A primeira semana após a greve dos caminhoneiros foi de retomada da normalidade para comerciantes e produtores catarinenses que, aos poucos, começam a recuperar os prejuízos com os dias parados. A feirante Andreia Medeiros, que tem uma barraca há 12 anos no Largo da Alfândega, Centro da cidade, ficou uma semana sem vender e agora começa a recuperar o prejuízo de 50% que teve no lucro do mês. Leandro de Andrade, que vende principalmente mel, queijo e charque, comemora a volta do movimento na feira do Centro da cidade. Para incentivar a população catarinense a consumir produtos locais, o Governo de Santa Catarina lançou oficialmente na sexta-feira a campanha “Compre de Santa Catarina – Leve Qualidade Para Casa e Desenvolvimento para Nosso Estado”.

O governador Eduardo Moreira espera conseguir proteger, especialmente, os empregos da população - Julio Cavalheiro/Divulgação/ND
O governador Eduardo Moreira espera conseguir proteger, especialmente, os empregos da população - Julio Cavalheiro/Divulgação/ND


Tanto pela falta de produtos quanto por não conseguir chegar a Florianópolis por conta dos bloqueios das estradas, a feirante Andreia teve que ficar uma semana sem sair de Águas Mornas. Com a retomada dos trabalhos, os produtos voltaram a chegar para os consumidores. Leandro se preparou logo no início da greve e fez um estoque de vários produtos. Por isso, não sentiu tanto os efeitos da greve. Mas na última semana, alguns produtos começaram a faltar. “Tentei comprar 300 quilos de carne para fazer charque, mas só me venderam 120 quilos. A linguiça de Blumenau também não chegou. O mel começou a faltar agora por conta do transporte, mas já vai normalizar neste fim de semana”, diz ele.

De acordo com entidades de vários setores, as perdas para Santa Catarina com a greve ultrapassaram os R$ 2 bilhões. A Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) estimou em R$ 1,6 bilhão o prejuízo das indústrias. A Fecomércio-SC (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina) calculou uma perda de R$ 350 milhões. E o Estado deixou de arrecadar R$ 130 milhões nos dias de paralisação. Com a campanha publicitária, o Governo espera reverter parte das perdas. “Que tenhamos orgulho dos produtos que são produzidos em Santa Catarina e vamos estimular o consumo de produtos da nossa própria gente”, afirma o governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB).

Mais arrecadação para o Estado

Com a presença de entidades de vários setores, a campanha “Compre de Santa Catarina” foi lançada pelo governador na sexta-feira na Casa d’Agronômica. A ação, que tem como objetivo despertar o sentimento de valorização dos produtos catarinenses, terá peças publicitárias veiculadas em jornais, televisões e rádios. “Se nós consumirmos produtos fabricados em Santa Catarina teremos um ganho de impostos e melhor aplicação nas áreas que são essenciais para a população”, afirma o governador.

Quando se compra um produto produzido em Santa Catarina, 100% do que é arrecadado de imposto sobre esse produto é revertido para o Estado. Se você compra, por exemplo, uma geladeira de R$ 2 mil produzida no Estado o imposto de 17% (R$ 340) fica todo para Santa Catarina. Se o produto foi produzido em São Paulo, por exemplo, 70% do imposto fica com São Paulo e apenas 30% vem para Santa Catarina. Nesse caso, teríamos apenas R$ 100 de imposto para os catarinenses.

O governo não tem uma projeção consolidada do impacto econômico que a campanha poderá trazer, mas o objetivo é minimizar as perdas de arrecadação que, segundo o governador, foram de R$ 130 milhões em maio e estimados em R$ 200 milhões para junho. “São quedas significativas, alguns setores estão demitindo, outros dando férias coletivas, e isso terá impactos”, afirma Pinho Moreira.  

Entidades apoiam campanha

Várias entidades participaram do evento na sexta-feira e decidiram apoiar a campanha do governo como um gesto de união em prol da retomada da economia. “Os produtos adquiridos em Santa Catarina redundam em mais impostos para o governo para recompor o que se deixou de arrecadar nesses dias de paralisação, e assim também valorizamos os produtos de altíssima qualidade produzidos aqui”, afirma o presidente da Fecomércio-SC, Bruno Breithaupt.

A FCDL/SC (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Santa Catarina) já fez uma campanha similar no passado e, agora, também abraça a causa. “A FCDL vai divulgar e incentivar essa campanha. O governo está falando de varejo e isso é a nossa alma. A campanha vem no momento certo e vamos somar forças para amenizar os impactos da paralisação”, diz Ivan Roberto Tauffer, presidente da federação.

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