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Como é o Temascal Guarani, ritual indígena da "Tenda do Suor" aberto na aldeia de Biguaçu

Ritual é oportunidade para quem quer ter contato com a cultura indígena; cerca de 40 pessoas participaram da cerimônia neste sábado

Everton Palaoro
Biguaçu
30/07/2018 às 11H36

Os índios Guarani da aldeia M’Biguaçu estão utilizando a tecnologia e a busca pela felicidade para estreitar laços com as pessoas não indígenas. Eles têm aberto a tribo para quem quer conhecer a cultura, por meio do ritual do Opydjeré, o Temascal Guarani, também conhecido como Tenda do Suor.

O cacique Hyral Moreira, 42 anos, conta que a decisão de mostrar a cultura ocorreu há 18 anos, após uma discussão com o pajé, que é o líder espiritual da tribo. “Por muito tempo não podíamos praticar nossos rituais. Até 1988 era proibido. Pelo fato da presença dos não indígenas não ser permitida ocorria muita fantasia. Por isso, nosso líder espiritual falou que poderia ser aberta para quem tiver o interesse de conhecer nossa tradição”, destacou.

Cacique Hyral Moreira conta que a decisão de mostrar a cultura ocorreu há 18 anos - Marco Santiago/ND
Cacique Hyral Moreira conta que a decisão de mostrar a cultura ocorreu há 18 anos - Marco Santiago/ND


Segundo ele, o ritual é feito pelo pajé. A cerimônia ocorre em uma estrutura redonda com aproximadamente um metro de altura. A tenda representa o útero da mãe terra. Ali dentro, cerca de 40 pessoas ficam agachadas ao redor de uma fogueira, com pedras quentes. Nela são colocadas ervas medicinais e água. De acordo com a crença, o vapor faz a limpeza física e espiritual. A tenda do suor fica distante poucos metros da Opy, casa de reza. O local é utilizado nos dias
que há a cerimônia.

O Temascal é uma tradição milenar Guarani e é também realizado por outras etnias ameríndias. A cerimônia é conduzida pelo pajé da tribo. O último foi realizado no sábado (28). A aldeia M’Biguaçu fica no km 190 da BR-101, Balneário São Miguel, sentido sul. Quem tiver interesse deve enviar mensagem para o WhatsApp (48) 99930-6399.

Cerimônia ocorre em uma estrutura redonda com aproximadamente um metro de altura - Marco Santiago/ND
Hyral Moreira conta que a renda das famílias vem do trabalho como professores na escola da aldeia, de agente comunitário ou da venda de produtos artesanais- Marco Santiago/ND


Aldeia fica na Mata Atlântica

A aldeia M’biguaçu tem 59 hectares encravados na Mata Atlântica. Ao todo, 36 famílias vivem no local. São 149 pessoas, cerca de 70% jovens. Por ser área de preservação ambiental apenas uma pequena parte é utilizada para o cultivo de alimentos. A maioria dos produtos consumidos é comprado na cidade.

Hyral Moreira conta que a renda das famílias vem do trabalho como professores na escola da aldeia, de agente comunitário ou ainda da venda de produtos artesanais, que ocorre em Biguaçu e cidades turísticas como Balneário Camboríu e Bombinhas. “Não enfrentamos problemas para trabalhar com artesanato. Temos cadastros e espaço para expor nossos produtos, inclusive em Florianópolis”, ressalta o líder dos Guarani.

Cerimônia ocorre em uma estrutura redonda com aproximadamente um metro de altura - Marco Santiago/ND
Cerimônia ocorre em uma estrutura redonda com aproximadamente um metro de altura - Marco Santiago/ND


Tribo recebe visitantes estrangeiros para retiro espiritual

Hyral Moreira, 42 anos, vive nas terras de Biguaçu há três décadas. Há 20 anos foi escolhido como cacique. Ele é o líder político das famílias que ali vivem. É Hyral quem recebe também os visitantes. Acompanhado do cão Pulga, um labrador de oito anos, o cacique revela que muitas pessoas procuram alternativas para encontrar a felicidade. “Nossa cultura é milenar. A relação do povo Guarani é ligada a natureza e a espiritualidade. E é o que as pessoas buscam quando vêm até nossa aldeia”, argumenta.

A renda obtida com o Temascal é utilizada na preparação de um retiro espiritual, que será realizado em agosto. Visitantes de várias partes do mundo, principalmente da Europa são aguardadas nas terras Guarani. “Essas pessoas já têm um aprofundamento com nossa cultura. Já tiveram contato com a gente há quase 15 anos”, lembra. Os participantes do retiro auxiliam com valores de acordo com a possibilidade financeira.

O retiro é na mata fechada. Os participantes fazem por escala: quatro, sete, nove ou 13 dias e noites. A cada ano, aumenta o nível do participante. “Esses já são reconhecidos como guardiãos da nossa cultura”, explica Moreira.

O cacique conta que eles viram na tecnologia uma ferramenta de ampliar o acesso a cultura. “Divulgamos pelo Wattsapp e pelo Facebook. Muitas pessoas querem conhecer nossa tradição”, finaliza.

Hyral Moreira, 42 anos, vive nas terras de Biguaçu há três décadas; há 20 anos foi escolhido como cacique - Marco Santiago/ND
Hyral Moreira, 42 anos, vive nas terras de Biguaçu há três décadas; há 20 anos foi escolhido como cacique - Marco Santiago/ND



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